Monik Vitorino Barbosa de Pina

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É impressionante como somos capazes de ressignificar as situações de acordo com o momento de vida que estamos vivendo.Di...
11/07/2026

É impressionante como somos capazes de ressignificar as situações de acordo com o momento de vida que estamos vivendo.

Digo isso porque, há um tempo, dirigir longas distâncias no Rio era sinônimo de impaciência para mim.

Hoje, desde que me tornei mãe, o trajeto entre a Zona Oeste e a Zona Sul ganhou um novo significado. No carro, entre músicas e podcasts, encontro um tempo que também é meu. É ali que reencontro a Monik mulher e psicóloga.

Conciliar minha agenda de atendimentos na Gávea com a rotina da maternidade, agora com dois pequenos, continua sendo um grande desafio. Mas, curiosamente, esse percurso deixou de ser apenas um deslocamento. É um trajeto que também me conduz de volta a mim.

Porque, além de mãe, eu continuo sendo mulher. E percebo que cuidar dessa parte de mim não me afasta dos meus filhos. Pelo contrário: me permite estar mais inteira em todos os lugares que habito.

Sabe aquela sensação de estar cuidando de tudo e de todos e, no fim do dia, perceber que você ficou para depois?Antes de...
23/06/2026

Sabe aquela sensação de estar cuidando de tudo e de todos e, no fim do dia, perceber que você ficou para depois?

Antes de me tornar mãe, imaginava que conseguiria preservar meus momentos de pausa, autocuidado e conexão comigo mesma. Mas a maternidade chegou junto com tantas outras responsabilidades que, em muitos momentos, me vi funcionando no automático.

A verdade é que a vida com crianças raramente desacelera. Sempre existe uma demanda, um imprevisto ou algo pedindo nossa atenção.

Por isso, tenho aprendido que não posso esperar a vida acalmar para me cuidar.

Semana passada me permiti um respiro. Fui para Fortaleza estar com a família e, no último fim de semana, ficamos hospedados no Hotel Pausa, em Fortim. Achei curioso perceber que o nome do lugar traduz exatamente o que eu estava precisando.

Não uma pausa da minha vida, mas um espaço para respirar dentro dela.

Tenho entendido que autocuidado nem sempre acontece em grandes gestos. Muitas vezes, ele mora nas pequenas escolhas que nos ajudam a lembrar que existimos para além das demandas.

E talvez seja esse o meu exercício agora: voltar para mim aos poucos, dentro da mulher que sou hoje — mãe de dois, psicóloga, esposa, filha, prima e amiga.

"Estou com um projeto (de arte) para fazer para você."Compartilha a paciente ao final de uma sessão.Eu não sabia exatame...
12/06/2026

"Estou com um projeto (de arte) para fazer para você."

Compartilha a paciente ao final de uma sessão.

Eu não sabia exatamente o que estava sendo criado. Sabia apenas que havia algo acontecendo para além daquele presente que um dia chegaria às minhas mãos.

Esses dias, ela chegou com a surpresa pronta.

A cor e a estampa haviam sido cuidadosamente escolhidas. Cada detalhe revelava dedicação, tempo e carinho. Junto da peça, uma caixinha para guardar baralhos, toda pintada à mão por ela. Fiquei encantada não apenas com a beleza dos presentes, mas com tudo o que eles representavam.

Porque essa história não começou ali.

A arte entrou na vida dessa paciente muito cedo. Mas a vida aconteceu. Mudanças, reviravoltas, lutos. E, aos poucos, a arte foi perdendo espaço.

Quando chegou à terapia, trazia consigo muitos pedaços espalhados pelo caminho. Sessão após sessão, foi se revendo, se reavendo, se refazendo.

Até que um dia voltou ao ateliê. Revisitou materiais esquecidos, tirou o pó das máquinas de costura e foi despertando partes de si que pareciam adormecidas.

A cada encontro, contava como a arte estava trazendo-a de volta para si.

E então veio o presente.

Mas o mais bonito não era o que estava diante dos meus olhos.

Era o caminho percorrido até ele.

Antes de ir embora, ela sorriu e disse:

"Já tenho uma ideia para um próximo projeto para você. Dessa vez será em patchwork."

E talvez não exista metáfora mais bonita para o processo terapêutico.

Retalhos de diferentes tempos, dores, alegrias e descobertas que, quando acolhidos e costurados com cuidado, transformam-se em algo novo, cheio de sentido e beleza.

Assim como sua trajetória.

Assim como o processo terapêutico.

Viajar com crianças é um auê danado.A gente sai em busca de novos ares e encontra cansaço, encantamento, impaciência, de...
11/06/2026

Viajar com crianças é um auê danado.
A gente sai em busca de novos ares e encontra cansaço, encantamento, impaciência, descobertas, birras, risadas e memórias — tudo no mesmo dia, às vezes na mesma hora. Num minuto estamos distribuindo abraços e beijinhos; no outro, pedindo pela centésima vez que parem de pular na cama.
E assim seguimos: entre o amor, o caos e a tentativa constante de manter alguma dignidade.
E claro, rindo, vez ou outra, das confusões em que nós mesmos resolvemos nos meter.
Se existe uma verdade incontestável na maternidade, é a necessidade de aprender a surfar a onda do caos. O que vejo é que mesmo escolhendo permanecer no conforto e na previsibilidade do lar, os momentos caóticos sempre encontram um jeito de aparecer.
Por isso, apesar de tudo, eu adoro quando o meu caos tem vista para o mar, cheiro de terra molhada ou horizonte diferente da janela de casa. Porque sair com crianças é, quase sempre, um convite para exercitar a flexibilidade, desapegar do controle e descobrir que nem tudo precisa acontecer conforme o planejado para ser bom.
Carrego uma crença profunda de que é no movimento, no imprevisto e na convivência que moram as maiores oportunidades de aprendizado. E não é apenas uma intuição materna: a própria ciência aponta o quanto experiências diversas, contato com diferentes ambientes e vivências compartilhadas são fundamentais para o desenvolvimento infantil.
No fim das contas, talvez seja justamente por isso que eu continue escolhendo passar perrengue fora de casa. Porque junto com o cansaço e o caos, vêm também as memórias, as descobertas e os encontros que fazem tudo valer a pena.




A adolescência é frequentemente vista como uma fase de "portas batidas" e segredos. Mas e se eu te dissesse que você pod...
09/04/2026

A adolescência é frequentemente vista como uma fase de "portas batidas" e segredos. Mas e se eu te dissesse que você pode manter a chave dessa porta desde já? 🔑

​O segredo não está no controle rigoroso, mas na profundidade do vínculo que você constrói hoje. Quando trocamos o medo pelo respeito e a punição pela escuta, deixamos de ser "policiais" para nos tornarmos "mentores".

​Tenho acompanhado de perto algumas famílias que estão passando pela fase da adolescência e sentem-se confusas e perdidas sobre como acessar e se comunicar com seus filhos. É um desafio real, mas que pode ser suavizado com as ferramentas certas.

​Por isso, decidi compartilhar por aqui, sempre que possível, mais conteúdos sobre essas duas fases tão vitais na construção de um ser humano: a infância e a adolescência. Afinal, uma prepara o terreno para a outra.

​Criar um adolescente que confia em você começa na forma como você acolhe a criança que ele é agora. 🤍

​Você sente que, hoje, está construindo uma ponte ou um muro? Vamos conversar nos comentários! 👇

Que 2026 seja o retorno e a constância de mais fontes de nutrição 🙌Iniciando com a releitura de Sejamos todos feministas...
04/01/2026

Que 2026 seja o retorno e a constância de mais fontes de nutrição 🙌

Iniciando com a releitura de Sejamos todos feministas, de Chimamanda, e finalizando a obra clássica S**o no Cativeiro, de Esther Perel

Um brevíssimo resumo acima sobre cada uma.

Sejamos todos feministas é curtinho. Dá aquele gostinho de boas reflexões. E apesar de ser só o início de uma caminhada, já nos instiga a limpar as lentes do que está à nossa frente diariamente ou mesmo nas nossas posturas e visões.
S**o no cativeiro é aquele livro que te fisga totalmente. São revelações surpreendentes de histórias reais vividas a dois com a condução clinica de Esther.

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Barra, RJ
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