07/09/2026
É muito mais fácil estar do lado de quem cuida do que ocupar o lugar de quem precisa ser cuidado.
Há uma semana, nossa família atravessa um cenário de muitas vulnerabilidades após o AVC da minha sogra.
Desde o telefonema dela, em desespero, vieram procedimentos, dias intensos de UTI, oscilações no quadro, incertezas e, felizmente, uma melhora gradual.
E, vivendo tudo isso do outro lado, percebi algo que conheço profissionalmente, mas que ganha outra dimensão quando nos atravessa pessoalmente:
Mesmo quando o cuidado é tecnicamente adequado, a confiança pode ficar por um fio quando a comunicação falha.
Uma informação que não chega.
Uma dúvida que permanece.
Uma preocupação que não encontra espaço para ser ouvida.
Mas também pude perceber o movimento contrário.
A confiança pode ser restaurada.
Às vezes, ela começa a voltar em uma conversa honesta. Em alguém que se dispõe a escutar de verdade, que acolhe o que o paciente e a família estão tentando dizer, que explica, reconhece, revê e se aproxima.
Porque comunicar não é apenas transmitir informações. É também sustentar relações de cuidado.
E essa experiência me deixou algumas perguntas:
Como profissionais, será que ouvimos verdadeiramente o que o paciente tenta nos dizer?
Será que conseguimos rever nossos comportamentos quando algo na relação não está funcionando?
Ou, em alguns momentos, o conhecimento técnico nos coloca em um lugar de quem acredita não precisar ser questionado?
A boa comunicação não resolve tudo.
Mas ela pode reparar rupturas, reconstruir vínculos e restaurar algo essencial para qualquer cuidado: a confiança.
Vamos dar espaço a ela.
(Esse post foi autorizado pela minha sogra)