10/06/2026
O transtorno de personalidade histriônica costuma ser confundido com narcisismo — mas não são a mesma coisa. No narcisismo, o outro funciona como espelho: existe para sustentar a imagem do sujeito.
No funcionamento histriônico, o outro é palco: é através do olhar e do desejo do outro que o sujeito tenta existir. Aqui, não se trata apenas de “querer atenção”.
Trata-se de uma busca incessante por reconhecimento, por ser desejado, por não desaparecer do campo do outro.
Conviver com paciente de funcionamento histriônico pode ser emocionalmente confuso.
O afeto existe — mas muitas vezes vem atravessado por intensidade, dramatização e uma necessidade constante de ser o centro da cena.
Quando se trata de uma mãe histriônica, o filho, deixa de ocupar o lugar de quem é cuidado e passa, silenciosamente, a sustentar o olhar, o afeto e as demandas dessa mãe.
Há amor, mas também há excesso. Há presença, mas muitas vezes falta escuta.
Crescer assim pode gerar culpa, confusão emocional e dificuldade de reconhecer as próprias necessidades.
Porque, no fundo, o vínculo se organiza mais em torno do que essa mãe precisa sentir…
do que do que o filho precisa viver. Não é sobre culpabilizar.
É sobre compreender para não repetir.