Monyze Gabrielle

Monyze Gabrielle Monyze Gabrielle
🧠 Psicanalista
- Membro da Ordem Nacional de Psicanalise
- Associação Brasilei

24/08/2026

Questionar uma interpretação não significa invalidar o que sentimos; significa abrir espaço para descobrir se estamos diante da realidade ou da maneira como aprendemos a interpretá-la.

Nem toda certeza psíquica é uma certeza da realidade. Às vezes, criar espaço para a dúvida é justamente o que nos permite enxergar o que antes só conseguíamos interpretar.

Aqui sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

Quando uma pessoa está insegura, ela tem dificuldade de tolerar as lacunas da realidade. Diante da falta de informação, ...
05/08/2026

Quando uma pessoa está insegura, ela tem dificuldade de tolerar as lacunas da realidade. Diante da falta de informação, a mente começa a preencher os espaços vazios com hipóteses. O problema é que essas hipóteses deixam de ser vividas como possibilidades e passam a ser sentidas como verdades.

É nesse momento que a imaginação entra em cena.
Perceba que a dor não nasceu do fato. Ela nasceu da interpretação.

A insegurança abre uma pergunta, e a imaginação responde rapidamente para diminuir a angústia da incerteza. Só que, muitas vezes, responde com medo, e não com realidade.

Esse movimento é uma tentativa do psiquismo de dar sentido ao desconhecido. Para muitas pessoas, é menos angustiante acreditar em uma explicação dolorosa do que permanecer sem resposta. A fantasia oferece uma certeza provisória, mesmo quando aumenta o sofrimento.

Talvez a pergunta não seja:

“O que realmente aconteceu?”

Talvez seja:

“O quanto da minha dor veio dos fatos… e o quanto veio daquilo que a minha mente concluiu sobre eles?”

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

A paranoia não começa no outro. Começa na fantasia.Quando uma fantasia persecutória se instala, a pessoa deixa de viver ...
02/08/2026

A paranoia não começa no outro. Começa na fantasia.

Quando uma fantasia persecutória se instala, a pessoa deixa de viver apenas os fatos e passa a viver também aquilo que acredita que eles significam.

Um atraso pode se transformar em rejeição. Um silêncio pode parecer hostilidade. Um olhar pode ser interpretado como julgamento.

A realidade deixa de ser apenas observada e passa a ser constantemente interpretada pela lente do medo.

Por isso, a paranoia não nasce necessariamente porque existe uma ameaça. Ela surge quando a fantasia passa a ocupar o lugar da realidade e transforma possibilidades em certezas.

Talvez a pergunta não seja:

“O outro realmente quis me machucar?”

Talvez seja:

“O que, na minha história, faz essa possibilidade parecer tão verdadeira?”

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

29/07/2026

Controlar nem sempre é uma tentativa de dominar o mundo. Às vezes, é uma tentativa de manter a própria autoestima estável. E quando o nosso valor depende de que tudo permaneça previsível, qualquer imprevisto pode parecer uma ameaça muito maior do que realmente é.

Talvez a pergunta não seja: “Por que eu preciso controlar tanto?” Talvez seja: “O que em mim parece desmoronar quando eu perco o controle?”

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

Na psicanálise, o sintoma não é apenas aquilo que faz sofrer: ele também pode cumprir uma função psíquica. A ansiedade p...
24/07/2026

Na psicanálise, o sintoma não é apenas aquilo que faz sofrer: ele também pode cumprir uma função psíquica. A ansiedade pode evitar uma decisão, o esgotamento pode autorizar uma pausa e o “não conseguir” pode proteger do risco de tentar. Isso não significa escolher o sofrimento, mas compreender que algo pode machucar e, ao mesmo tempo, proteger de um conflito ainda mais difícil de sustentar.

Por isso, a pergunta não é: “o que você ganha sofrendo?”, mas “o que o seu psiquismo ainda não aprendeu a sustentar sem precisar desse sintoma?” Quando essa função encontra outras formas de elaboração, o sintoma já não precisa ocupar o mesmo lugar.

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

22/07/2026

O sofrimento pode deixar de ser uma experiência e se tornar uma identidade. Quando experiências de abandono, rejeição, humilhação ou desamparo não encontram elaboração suficiente, a dor pode deixar de ocupar apenas um lugar na história e começar a organizar a forma como o sujeito se percebe, se relaciona e interpreta o mundo. Ele já não pensa apenas “isso aconteceu comigo”; silenciosamente, passa a viver como se “isso dissesse quem eu sou”. É por isso que certos padrões se repetem: não porque alguém queira sofrer, mas porque o psiquismo tende a retornar ao que lhe é familiar, mesmo quando dói. Elaborar não significa apagar o passado, mas integrá-lo sem continuar submetido a ele como destino.

A pessoa que mais te abandona costuma morar dentro de você.Depois de viver experiências de abandono, rejeição ou desampa...
25/06/2026

A pessoa que mais te abandona costuma morar dentro de você.

Depois de viver experiências de abandono, rejeição ou desamparo, o psiquismo pode aprender a repetir internamente aquilo que um dia veio de fora. O outro já não precisa estar presente para produzir a ferida: ela passa a ser reativada pela forma como o sujeito se trata, se silencia, se invalida e desiste de si.

O abandono deixa de ser apenas um acontecimento relacional e passa a funcionar como uma posição interna.
A repetição não acontece porque alguém gosta de sofrer. Ela acontece porque o psiquismo tende a retornar ao que conhece, mesmo quando aquilo machuca. Por isso, elaborar o abandono não é apenas falar de quem foi embora. É também reconhecer onde você aprendeu a ir embora de si.

O abandono não é só aquele que o outro faz com você. É aquele que, sem perceber, você aprendeu a fazer consigo mesmo.

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

O trauma não permanece apenas porque aconteceu. Ele permanece porque passa a organizar a forma como o sujeito percebe a ...
24/06/2026

O trauma não permanece apenas porque aconteceu. Ele permanece porque passa a organizar a forma como o sujeito percebe a si mesmo, os outros e o mundo.

O evento termina no tempo. A experiência psíquica nem sempre. Muitas vezes, a dor deixa de ser uma lembrança e se transforma em identidade. A pessoa já não pensa apenas “eu vivi algo difícil”. Ela passa a sentir, ainda que inconscientemente, “eu sou aquilo que me aconteceu”.

É por isso que algumas feridas continuam produzindo efeitos anos depois do acontecimento. Não porque o passado esteja acontecendo novamente, mas porque a organização psíquica construída para sobreviver a ele continua ativa no presente.

O trabalho terapêutico não consiste em apagar a história. Consiste em impedir que ela continue ocupando o lugar da identidade. O trauma pode fazer parte da sua história sem continuar definindo quem você é.

Aqui, a sua dor se transforma em sabedoria e a sua ausência encontra presença.

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79090160

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