Dra. Fabiane Arnéz Pediatra

Dra. Fabiane Arnéz Pediatra Pediatra | Neurodesenvolvimento
CRM RS 23908 | RQE 15870
❤️ Acolhimento e escuta para cada família
Autismo & TDAH
📍Capão da Canoa

Calor intenso não é só desconforto.Para muitas crianças com autismo, pode ser um fator real de desregulação.E aqui entra...
16/03/2026

Calor intenso não é só desconforto.
Para muitas crianças com autismo, pode ser um fator real de desregulação.
E aqui entra um ponto pouco valorizado, mas essencial: hidratação adequada impacta diretamente o funcionamento cerebral.

O cérebro é composto por cerca de 75% de água.
Pequenas variações no estado de hidratação já são suficientes para alterar atenção, memória, regulação emocional e processamento sensorial.

Em crianças, especialmente nas neurodivergentes, o risco é maior porque:
– podem não perceber ou comunicar sede
– têm seletividade alimentar e recusam líquidos
– apresentam alterações sensoriais que dificultam o consumo de água
– podem desregular mais facilmente com mudanças térmicas

Estudos mostram que desidratação leve (1–2%) já está associada a pior desempenho cognitivo, maior irritabilidade e redução da capacidade de autorregulação.

No autismo, isso pode se manifestar como:
– aumento de estereotipias
– irritabilidade
– crises de choro ou explosões
– queda na atenção e na interação

Como proteger seu filho nos dias quentes:
- Ofereça água de forma frequente, mesmo sem solicitação
- Use estratégias visuais (garrafas coloridas, rotina, lembretes)
- Inclua alimentos ricos em água (frutas como melancia, laranja, melão)
- Evite exposição prolongada ao sol e ambientes muito quentes
- Observe sinais precoces: cansaço, irritação, pele quente, redução de atenção

Hidratar não é apenas cuidar do corpo.
É proteger o cérebro em desenvolvimento.
Nos dias quentes, isso faz toda a diferença.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Referências:
-Benton D. Hydration and cognition in children. Nutr Rev, 2011.
-Popkin BM et al. Water, hydration, and health. Nutr Rev, 2010.
-Masento NA et al. Effects of hydration status on cognitive performance. Br J Nutr, 2014.

A epilepsia é uma das condições neurológicas crônicas mais comuns no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais...
13/03/2026

A epilepsia é uma das condições neurológicas crônicas mais comuns no mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia, e aproximadamente 30 a 40% dos casos têm início na infância.

Na neuropediatria, um ponto é essencial:
crises não controladas podem impactar diretamente o neurodesenvolvimento, interferindo em atenção, memória, linguagem e aprendizagem.

Além disso:
📌 Cerca de 70% das pessoas com epilepsia podem ficar livres de crises com tratamento adequado.
📌 O diagnóstico precoce reduz risco de prejuízo cognitivo.
📌 O estigma social ainda é uma das maiores barreiras ao cuidado adequado.

E é importante lembrar: crise epiléptica não é apenas convulsão.
Pode se manifestar como pausas breves de desconexão, automatismos, quedas súbitas ou alterações comportamentais transitórias.

Epilepsia tem tratamento.
Preconceito não.
Informação qualificada protege o cérebro.
E protege a dignidade.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Referências:
-World Health Organization. Epilepsy Fact Sheet, 2023.
-ILAE (International League Against Epilepsy). Epilepsy in childhood and neurodevelopmental outcomes, 2022–2024.
-Thurman DJ et al. Standards for epidemiologic studies and surveillance of epilepsy. Epilepsia, 2011 (atualizações ILAE 2022).
-Aaberg KM et al. Incidence and prevalence of childhood epilepsy. Pediatrics, 2017

O desenvolvimento motor não acontece sozinho.Ele está profundamente conectado à linguagem, à cognição, à interação socia...
11/03/2026

O desenvolvimento motor não acontece sozinho.
Ele está profundamente conectado à linguagem, à cognição, à interação social e à autonomia.

Estudos sobre intervenção precoce, como o trabalho clássico de Kasari e colaboradores, mostram que estratégias baseadas no brincar, especialmente aquelas que estimulam atenção compartilhada e brincadeira simbólica, promovem ganhos não apenas na comunicação, mas também na organização do movimento e no planejamento motor.

Isso nos ensina algo essencial:
Não é esperado no desenvolvimento quando a criança:
– evita explorar o ambiente ou movimentos novos
– demonstra pouca iniciativa para brincar
– tem dificuldade persistente de imitar gestos simples
– apresenta rigidez corporal ou movimentos muito repetitivos
– tem atraso importante para rolar, sentar, engatinhar, correr ou pular
– parece “desorganizada” corporalmente com frequência

O cérebro aprende através do movimento.
E o movimento organiza o cérebro.
Quando o brincar é estruturado de forma intencional, ele estimula redes neurais ligadas ao planejamento motor, à coordenação, à integração sensorial e à comunicação.

Por isso eu sempre reforço:
brincar não é passatempo.
Brincar é ferramenta terapêutica.
Brincar é desenvolvimento em ação.
Se você percebe sinais persistentes de atraso ou desorganização motora, procurar avaliação especializada faz diferença no tempo certo.

Com amor e carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Nenhuma criança nasce sabendo se acalmar sozinha.Ela aprende.E aprende com quem regula junto.A ciência do desenvolviment...
06/03/2026

Nenhuma criança nasce sabendo se acalmar sozinha.
Ela aprende.
E aprende com quem regula junto.

A ciência do desenvolvimento mostra que a corregulação parental é um dos fatores mais importantes para a construção dos circuitos cerebrais responsáveis por controle emocional.

Estudos em neurociência afetiva demonstram que interações responsivas e previsíveis fortalecem conexões entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico — áreas ligadas ao autocontrole e à modulação das emoções (Gee et al., 2014; Davis et al., 2017).

Quando a criança está desregulada, o cérebro dela está em modo de ameaça.
Não é birra. É ativação fisiológica.

O que ajuda, na prática?
✔ Abaixe o seu próprio tom de voz
O sistema nervoso da criança responde ao seu ritmo. Voz firme e calma reduz ativação autonômica.
✔ Nomeie a emoção
“Eu vejo que você ficou frustrado.”
Dar nome ao que sente ativa áreas pré-frontais e ajuda na organização emocional.
✔ Ofereça proximidade física reguladora
Toque firme, abraço contido ou simplesmente sentar ao lado pode reduzir cortisol e frequência cardíaca.
✔ Respiração guiada simples
“Vamos inspirar contando até 3 e soltar devagar.”
Respiração lenta ativa o sistema parassimpático.
✔ Espere o cérebro voltar ao eixo antes de ensinar
Correção durante pico emocional não ensina — só aumenta descarga.

Pesquisas recentes reforçam que crianças que vivenciam interações reguladoras consistentes apresentam melhor autorregulação ao longo do desenvolvimento e menor risco de ansiedade futura.
Regulação emocional não se impõe.
Se constrói na relação.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Referências:
-Gee DG et al. Maternal buffering of amygdala–prefrontal circuitry. PNAS, 2014.
-Davis EP et al. Unpredictable maternal signals and cognitive development. PNAS, 2017.
-Morris AS et al. The role of parents in children’s emotion regulation. Dev Psychol, 2017.

Amanhã é o Dia Mundial da Audição.E eu quero trazer um tema pouco falado, mas fundamental no neurodesenvolvimento infant...
02/03/2026

Amanhã é o Dia Mundial da Audição.
E eu quero trazer um tema pouco falado, mas fundamental no neurodesenvolvimento infantil.

A audição não é apenas sobre escutar sons.
Ela é base para o desenvolvimento da linguagem, da fala, da aprendizagem e da interação social.

Os primeiros anos de vida são um período crítico de plasticidade cerebral.
Quando há perda auditiva não identificada precocemente, o cérebro pode reorganizar áreas que deveriam ser destinadas à linguagem, impactando memória verbal, vocabulário e desempenho escolar.

Dados da Organização Mundial da Saúde estimam que mais de 34 milhões de crianças no mundo vivem com perda auditiva incapacitante.
E muitas vezes os sinais são sutis.

Sinais de alerta incluem:
– atraso na fala
– não responder quando chamado
– aumentar muito o volume da TV
– dificuldade de compreensão
– parecer “distraído” com frequência

Perda auditiva não diagnosticada pode ser confundida com atraso de linguagem, desatenção e até suspeita de transtornos do neurodesenvolvimento.

Triagem auditiva neonatal salva trajetórias.
Investigação precoce protege o cérebro.

Audição é desenvolvimento.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Um novo estudo clínico avaliou a eficácia da centanafadine no tratamento de adolescentes com TDAH.O estudo foi randomiza...
27/02/2026

Um novo estudo clínico avaliou a eficácia da centanafadine no tratamento de adolescentes com TDAH.

O estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — considerado padrão-ouro em pesquisa clínica.

Participaram 459 adolescentes. Após 6 semanas:
– A dose de 328,8 mg apresentou redução significativa dos sintomas totais na escala ADHD-RS-5 quando comparada ao placebo (p = 0.0006).
– O efeito foi observado já na primeira semana e mantido ao longo do estudo.
– O tamanho de efeito (Cohen’s d = –0.40) indica impacto moderado.
– A dose menor (164,4 mg) não atingiu significância estatística ao final das 6 semanas.

O que isso significa na prática?
Significa que há sinal de eficácia na dose maior, com melhora especialmente nos sintomas de desatenção.

Mas é um estudo de curto prazo (6 semanas), com população específica (adolescentes) e ainda precisamos de dados de longo prazo sobre segurança, manutenção de efeito e comparação com medicamentos já estabelecidos.

Na medicina, um estudo promissor não significa mudança imediata de conduta.
Significa que a ciência está avançando e que novas opções podem surgir no futuro.
Tratamento para TDAH deve sempre considerar:
✔ diagnóstico criterioso
✔ avaliação funcional
✔ histórico clínico completo
✔ acompanhamento contínuo

Decisão terapêutica não é baseada em novidade.
É baseada em evidência consistente.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Fevereiro é o mês de conscientização sobre as Doenças Raras.Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem mais de 7.00...
25/02/2026

Fevereiro é o mês de conscientização sobre as Doenças Raras.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem mais de 7.000 doenças raras descritas, afetando cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 13 milhões de pessoas convivam com alguma condição rara.

O que muitas famílias não sabem é que cerca de 70% das doenças raras têm início na infância — e uma grande parte delas apresenta manifestações neurológicas.

🧠 Atraso no desenvolvimento, epilepsia de difícil controle, regressão de habilidades, alterações motoras, dificuldades cognitivas ou comportamentais podem ser sinais de condições genéticas ou metabólicas pouco frequentes, mas relevantes.

Na área do neurodesenvolvimento, o olhar atento faz diferença.

Diagnóstico precoce pode significar:
✔ acesso a terapias específicas
✔ prevenção de complicações
✔ melhor qualidade de vida
✔ aconselhamento genético adequado para a família

Falar sobre doenças raras é falar sobre diagnóstico responsável, investigação criteriosa e cuidado especializado.

Raro não significa invisível.
E quanto mais cedo identificamos, mais cedo podemos cuidar.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Quando falamos em TDAH, quase sempre lembramos de três palavras:desatenção, hiperatividade e impulsividade.Mas existe um...
23/02/2026

Quando falamos em TDAH, quase sempre lembramos de três palavras:
desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Mas existe um sintoma que quase ninguém explica:
a dificuldade de regulação emocional.

Muitas crianças com TDAH:
– choram intensamente após uma crítica
– sentem rejeição de forma desproporcional
– desistem depois de um erro
– interpretam frustrações como “ninguém gosta de mim”

Isso não é birra.
Não é má educação.
É neurobiologia.

O TDAH envolve alterações nos circuitos cerebrais ligados ao controle inibitório e à modulação emocional.
A emoção chega intensa e o freio demora a atuar.

A literatura mostra que:
– cerca de 30–50% das crianças com TDAH desenvolvem transtornos de ansiedade
– aproximadamente 20–40% apresentam episódios depressivos ao longo do desenvolvimento
– o risco de uso de substâncias é 2 a 3 vezes maior quando o TDAH não é tratado

A desregulação emocional é reconhecida como dimensão clínica relevante no TDAH, embora ainda seja pouco discutida fora do meio especializado.

TDAH não tratado aumenta vulnerabilidade emocional.

Tratamento adequado, acompanhamento médico, suporte psicoterápico e intervenções escolares reduz riscos e melhora desfechos ao longo da vida.

Explosão emocional não é falta de caráter.

É um cérebro que precisa de regulação e cuidado.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Referências:
-Shaw P et al. Emotion dysregulation in ADHD. Biol Psychiatry, 2014.
-Meinzer MC et al. ADHD and risk for depression. Clin Psychol Rev, 2016.
-Lee SS et al. ADHD and substance use risk. Clin Psychol Rev, 2011.

O afogamento infantil é uma emergência silenciosa — e, na maioria das vezes, evitável.No Brasil, ele está entre as princ...
20/02/2026

O afogamento infantil é uma emergência silenciosa — e, na maioria das vezes, evitável.

No Brasil, ele está entre as principais causas de morte acidental em crianças de 1 a 4 anos. E diferente do que muitos imaginam, não acontece apenas em piscinas grandes ou praias.
A maior parte dos casos ocorre dentro de casa, em situações aparentemente simples e rápidas.

O ponto mais importante é entender que proximidade não é supervisão.
Supervisão eficaz significa atenção exclusiva, contínua e sem distrações.

Não é exagero.
É prevenção baseada em dados.

Se essa informação chegou até você, transforme em atitude.
Segurança infantil começa com decisão consciente.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Pense no cérebro do bebê como uma cidade em construção.Para que as ruas se conectem, os sinais precisam ser claros, repe...
18/02/2026

Pense no cérebro do bebê como uma cidade em construção.
Para que as ruas se conectem, os sinais precisam ser claros, repetidos e confiáveis.

É exatamente isso que a ciência mostra sobre a previsibilidade das interações entre mãe e bebê.

Quando voz, toque, olhar e gestos seguem um padrão organizado e consistente, o cérebro infantil encontra um ambiente estável para formar as redes de neurônios que sustentam memória, atenção e aprendizagem.

Um exemplo simples e poderoso é a rotina do sono:
luz mais baixa, música suave, colo, beijo de boa-noite.

Repetidos noite após noite, esses sinais permitem que o bebê antecipe o que vem a seguir.

E antecipar é uma habilidade cognitiva fundamental.

Um estudo clássico publicado na PNAS mostrou que a imprevisibilidade dos sinais sensoriais maternos — quando voz, toque e gestos variam de forma aleatória — esteve associada a piores resultados em te**es de memória e funções cognitivas.

Esse efeito permaneceu mesmo após controlar fatores como nível socioeconômico, depressão materna e sensibilidade global da mãe.

Os achados vão além do curto prazo:
– sinais maternos pouco previsíveis no primeiro ano de vida associaram-se a menor desempenho cognitivo aos 2 anos
– e a pior memória dependente do hipocampo aos 6,5 anos

Ou seja, a regularidade do cuidado não é detalhe.

Ela molda circuitos cerebrais e deixa marcas duradouras no aprender.
Previsibilidade não é rigidez.

É uma repetição amorosa.

É o bebê sentir que o mundo faz sentido — e, assim, conseguir aprender nele.

Com carinho,
Dra. Fabiane Arnéz

Referência:
Davis EP et al. Exposure to unpredictable maternal sensory signals influences cognitive development across species. PNAS, 2017;114(39):10390–10395.

Endereço

Capão Da Canoa, RS

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