25/06/2026
Se você nasceu nos anos 2000, provavelmente nunca viu um comercial de cigarro na televisão. Mas houve uma época em que isso era tão comum quanto assistir a um jogo de futebol.
O cigarro aparecia na Fórmula 1, nos intervalos comerciais, nos filmes, nas novelas e nos grandes eventos esportivos. O álcool também construiu sua imagem da mesma forma: festas, amigos, praia, música, vitória, celebração.
Essas campanhas vendiam pertencimento. Vendiam status. Vendiam sucesso. Vendiam uma identidade.
Hoje, basta assistir a uma partida de futebol para perceber um roteiro muito semelhante.
As apostas estão nas camisas dos clubes, nas placas do estádio, nos intervalos da transmissão, nas odds exibidas durante o jogo, nos influenciadores, nos comentaristas e nas redes sociais.
A mensagem é repetida de diferentes formas, mas sempre com a mesma lógica: apostar faz parte da experiência de assistir futebol. Isso não acontece por acaso!
A publicidade funciona porque a repetição muda nossa percepção do que é normal. Quanto mais vemos um comportamento associado a momentos positivos, mais ele parece aceitável, comum e desejável.
Empresas que lucram com produtos potencialmente nocivos investem pesado para associá-los a emoções positivas, esporte, lazer e pertencimento.
A história mostra que, muitas vezes, a sociedade só questiona essas estratégias quando seus efeitos já estão amplamente disseminados.
Isto posto, pergunto, quanto de exposição estamos dispostos a considerar normal antes de discutir seus impactos?