04/08/2026
A história da jornalista Renata Capucci chamou atenção porque mostrou uma realidade que nós, neurologistas, vemos com frequência: o Parkinson nem sempre começa da forma que as pessoas imaginam.
Existe uma ideia muito difundida de que a doença sempre se manifesta com tremores intensos. Na prática, isso está longe de ser verdade.
Muitos pacientes procuram atendimento por sintomas aparentemente desconectados, como uma lentidão para caminhar, dificuldade para abotoar uma camisa, alterações na escrita ou uma rigidez que atribuem ao cansaço ou ao envelhecimento.
Além disso, sabemos hoje que o Parkinson não é apenas uma doença dos movimentos. Alterações do sono, perda do olfato, constipação intestinal, ansiedade e depressão podem surgir anos antes dos sintomas motores, refletindo o processo neurodegenerativo em diferentes regiões do sistema nervoso.
Outro ponto importante é que receber o diagnóstico não significa perder autonomia. Nas últimas décadas, houve avanços importantes no tratamento, incluindo medicamentos, programas de reabilitação, atividade física estruturada e, para casos selecionados, terapias avançadas como estimulação cerebral profunda e infusão contínua de medicamentos.
Como neurologista, sempre reforço que o diagnóstico precoce permite planejar o tratamento, preservando funcionalidade e qualidade de vida por muito mais tempo.
Se você ou alguém próximo percebeu mudanças persistentes nos movimentos, no sono ou em outros sintomas neurológicos, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer a causa e indicar o tratamento mais adequado.
Dra. Ester London | Neurologista
CRM PR 13233
RQE 6253 | Neurologista
RQE 19118 | Neurofisiologista
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