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24/08/2026

Chorar se torna linguagem quando as palavras nos escapam.

24/08/2026

O silêncio em sessão muitas vezes é interrompido pelo choro e na clínica psicanalítica, as lágrimas nunca são um sinal de fraqueza ou um excesso a ser estancado. Quando o analisando chora, algo da ordem do indizível finalmente atravessa a linguagem. É o corpo dizendo aquilo que a palavra, por exaustão ou dor, ainda não alcançou.

Muitas vezes, a tendência social é correr para o co***lo, oferecer o lencinho rápido, apressar o alívio, silenciar o sofrimento. Mas com o analista é diferente, ele sustenta o espaço. O choro no setting analítico é acolhido não para ser curado, mas para ser escutado.

Afinal, o que chora em nós? É a infância que sobrevive? É o luto de uma ilusão que desaba? É a verdade que, de tão nua, transborda pelos olhos?
Chorar na análise é corajoso, é o momento em que as defesas caem e o sujeito se permite tropeçar na própria humanidade. Nas lágrimas, desata-se um nó e o que era peso aos poucos vira passagem.

Aqui tem espaço para quem desejar escutar a si mesmo em análise ✍🏼"Quem sou eu é uma pergunta que só encontra resposta n...
14/08/2026

Aqui tem espaço para quem desejar escutar a si mesmo em análise ✍🏼

"Quem sou eu é uma pergunta que só encontra resposta no risco de viver." Clarice Lispector

Sabe... Quando a gente decide fazer análise, o tempo parece que ganha outra camada, passado, presente e futuro se medem ...
14/08/2026

Sabe... Quando a gente decide fazer análise, o tempo parece que ganha outra camada, passado, presente e futuro se medem não pelo calendário, mas no nível em que cada um deles te afeta.

É isso… aqui medimos os afetos a fim de encontrar neles um caminho, um fiozinho que seja que me leve até você e me conte, pra além do que você sabe, aquilo que ainda não sabe sobre si.

Se você vier conversar comigo, a primeira certeza que eu te dou é que não vou te julgar nadinha. Nenhuma palavra é pequena demais, nenhum tropeço é burrice e o que se repete na sua vida, na verdade, é um sintoma pedindo passagem, implorando para ser escutado com cuidado.

Nesse percurso você vai perceber que os silêncios nunca são vazios. Eles são o lugar onde o pensamento descansa e você respira antes de conseguir dar nome para aquilo que dói.

E não precisa se cobrar uma performance, não precisa agradar a analista, não precisa saber o que dizer, aqui não existe assunto bobo, tudo de você importa.

Também não vou te entregar respostas prontas ou fórmulas mágicas de felicidade. Vejo que a intenção da psicanálise não é te encaixar em moldes, mas te devolver ao seu próprio ritmo.

Cada elaboração tem o seu tempo, tá tudo bem falar muitas vezes da mesma coisa até que isso deixe de ser necessário. A nossa maior inimiga aqui é a pressa.

Este é um espaço que se faz seu para que você encontre a sua própria voz, aquela que às vezes f**a abafada pelo barulho do mundo. Um lugar onde você pode desabafar sem medo, expressar sua raiva, suas culpas, olhar de frente para os seus lutos, costurar os seus desamparos e, finalmente, se haver com os seus próprios desejos e também aprender a escutar o que a sua angústia quer te contar.

É um alívio né? Não ter que carregar o mundo inteiro nas costas sozinho. Afinal, uma dor quando compartilhada, torna-se uma dor pela metade e uma alegria dividida se faz em dobro.

Se você quiser conversar, tirar dúvidas ou desejar marcar uma sessão comigo é só clicar no link da bio e me mandar uma mensagem.

Existe uma solidão que não nasce da ausência de pessoas. É a solidão de quem encontrou dentro de si algo que ainda não c...
12/08/2026

Existe uma solidão que não nasce da ausência de pessoas. É a solidão de quem encontrou dentro de si algo que ainda não consegue traduzir.

Talvez por isso Hilda Hilst tenha colocado lado a lado os doidos, os tristes e os poetas, pois os três, cada um à sua maneira, parecem tocar aquilo que foge ao discurso comum.

O doido, porque nem sempre habita a realidade como os outros esperam. O triste, porque há perdas que nenhuma palavra consegue inteiramente reparar e o poeta, porque transforma em palavra justamente aquilo que não sabia dizer.

Penso que a análise talvez comece nesse lugar, quando já não tentamos apressadamente preencher o vazio, mas podemos permanecer diante dele tempo suficiente para escutar o que ele diz.

Você já parou para pensar que solidão pode não signif**ar apenas ausência de pessoas? Mas sim que, mesmo em meio a tanta gente nos sentimos sozinhos porque há em cada pessoa algo que jamais poderá ser inteiramente dito a outra?

Pois então, observo que é justamente aí, nesse pedacinho que não se deixa traduzir, que começa o trabalho de escuta para a análise e para o poeta o de escrita.

10/08/2026

"Elinor tinha sentimentos fortes, mas sabia governá-los: um conhecimento que sua mãe ainda precisava aprender, e que sua irmã estava decidida a jamais aceitar." Jane Austen (Razão e Sensibilidade)

"Partilhar a mãe amada com outra criança, principalmente quando se trata de outra menina como ela, é, muitas vezes, uma provação." Malvine Zalcberg (De menina a mulher)

Pega sua xícara de café, puxa uma cadeira e vem conversar comigo. Quando Jane Austen nos apresenta as irmãs Dashwood, ela nos coloca, muitas vezes, diante do espelho da nossa própria história. De um lado, a urgência de quem precisa sentir tudo e transbordar e do outro a força silenciosa de quem engole o choro e veste a armadura da razão para dar conta da vida.

E é aí que a luz psicanálise podemos olhar os bastidores disso. Como Malvine nos convida a pensar, o amor de mãe quase nunca se distribui em linhas retas. Ele esbarra nas fendas e nos limites da própria mãe. Muitas vezes, o afeto materno se inclina mais para a filha em quem a mãe enxerga sua própria fragilidade, elegendo-a como protegida.

Para a irmã que f**a no lugar da forte e racional, sobra o silêncio. Ela recalca a própria dor para não dar trabalho, carregando o peso de quem cresceu achando que precisava ser perfeita para ser vista, ou se perguntando por que o olhar da mãe repousava mais do outro lado.

Nenhuma de nós atravessa esse lugar da infância ilesa. Mas entender que essa dinâmica nunca mediu o nosso valor, e sim a forma como o amor conseguiu (ou não) circular ali, é o que nos liberta.

Um pouco de escrita livre e despretensiosa para variar um pouco por aqui:Escrevo como quem deságua na madrugada. Escrevo...
06/08/2026

Um pouco de escrita livre e despretensiosa para variar um pouco por aqui:

Escrevo como quem deságua na madrugada. Escrevo porque não tenho outra escolha senão deixar fluir as palavras que me engolem o sono.

Se hoje sei que sou água, também sei que passei anos tentando ser terra para encontrar solidez. Como não conseguia, transformei-me em gelo. Que pena...

Achei que precisava endurecer para preencher aquele espaço tão vasto e vazio. Mas como a água, tão permeável, poderia sustentar alguma forma?

Além de psicanalista, como artesã que sou, foi na cerâmica que encontrei outra resposta. O barro só encontra forma porque aceita a água que carrega.

No fundo, eu nunca precisei deixar de ser água.

A água não precisa endurecer para existir. Ela encontra caminhos. Às vezes escorre pelas beiradas, às vezes se empoça, às vezes transborda. E, de vez em quando, molha algumas certezas de papel. Não por mal, apenas porque certos papéis nunca foram feitos para atravessar a chuva.

Estico as mãos e tento segura-la. Ela escorre entre meus dedos, lembrando-me da ilusão de querer preencher o que, talvez, nunca tenha sido feito para ser preenchido.

Então contemplo, por um instante, minhas mãos vazias e em vez de lutar contra a corrente, permito que essas mesmas águas me conduzam.

Porque elas não vieram para preencher as minhas faltas. Vieram para me levar a lugares onde eu jamais chegaria se continuasse tentando represá-las.

O cansaço mental muitas vezes não vem da rotina, mas do peso de viver sob exigências que sufocam a sua originalidade. Co...
05/08/2026

O cansaço mental muitas vezes não vem da rotina, mas do peso de viver sob exigências que sufocam a sua originalidade.

Como nos lembra Winnicott, precisamos de um ambiente que acolha quem somos de verdade para que possamos encontrar sentido em nosso dia a dia.

Se você quer construir esse espaço de respiro com escuta profissional, os atendimentos online estão com vagas abertas. Me mande uma mensagem para conversarmos.

28/07/2026

Frase de Ana Martins Marques, do livro "Não pise no meu vazio" de Ana Sue.

É normal se separar com essa pergunta em algum momento da análise, mas o analista não vai te oferecer conselhos e respos...
25/07/2026

É normal se separar com essa pergunta em algum momento da análise, mas o analista não vai te oferecer conselhos e respostas prontas, mas estará com você durante o seu processo de elaboração da sua própria história unindo o que você sabe sobre si, o que não sabe e principalmente como sente tudo isso ✨

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