03/03/2022
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O Rolfista é como um oleiro. Um ceramista que molda o barro e não pode ir além de onde o barro está disposto a se deixar ser moldado. Entre o barro e o oleiro, há um diálogo. O oleiro sabe que precisa ouvir. Cada barro tem sua especificidade. Uns tem mais sais minerais, outros, mais água, outros mais matéria orgânica. Cada barro tem sua coloração, temperatura e tudo isso deve ser levado em conta pelo ceramista. A fáscia sendo plástica, se deixa ser moldada. O rolfista então com seu toque vai direcionando, sugerindo, dando forma ao tecido que assim como o barro, responde sem perder suas características essenciais. Da pele aos ossos, o rolfista toca com respeito e empatia. De todos os lados o oleiro molda com paciência e alegria. O oleiro deixa suas digitais no vaso ao mesmo tempo em que suas mãos são banhadas pela composição do barro. Da mesma maneira, o rolfista entrega sua intenção ao cliente e recebe calor, perfume e textura. Há um momento no qual ceramista e cerâmica dançam juntos, quase como se fossem um só todo. Depois se separam. Mas ambos estão transformados.
Encontro. Contato. Transformação. Separação.
Ofício de rolfista é ofício de oleiro. É ofício de saber reconhecer o tempo e modo adequado para cada momento do processo. É ofício de respeito ao desejo do outro. É ofício de ouvir muito e falar pouco. Ofício de silêncio interno, mãos entregues e coração aberto.
Texto por Silvia Razuk, Rolfista