11/08/2026
O erótico começa onde terminam as certezas sobre nós mesmos. Estamos acostumados a pensar o desejo como algo que podemos compreender, administrar e, quando necessário, controlar.
Aprendemos a transformar o corpo em projeto, prazer em mercadoria e sexualidade em espiritualidade técnica.
Mas e se existirem experiências que não querem nos tornar melhores, conscientes ou equilibrados? E se algumas experiências simplesmente nos colocarem em risco? É nesse território que encontramos Georges Bataille.
Durante 8 encontros, vamos nos dedicar à leitura de O Erotismo, acompanhando uma pergunta que atravessa toda a obra: por que o erotismo pode colocar o próprio ser em questão?
Para Bataille, não somos apenas corpos que desejam outros corpos, mas seres descontínuos, separados e encerrados nos limites de nossa existência, mas atravessados pelo desejo de ultrapassar essa separação.
O erotismo aparece nessa tensão entre aquilo que nos mantém como indivíduos e o que, por um instante, pode nos fazer perder essa segurança.
Por isso, falar de erotismo será tb do interdito e transgressão, de continuidade e descontinuidade, desejo e angústia, de corpo, paixão, sagrado e morte.
Muito do q nos atrai pode tb inquietar almas q não se deixam domesticar. O/As indóceis sempre ameaçam a/os buscadores de estabilidade.
A partir de Bataille, colocaremos essas questões em interlocução com o yoga/meditação e a psicanálise. Não para encontrar equivalências fáceis, espiritualizar o erotismo ou transformar Bataille em mais uma ferramenta de autoconhecimento, mas deixar que esses campos se interroguem mutuamente pra nos desorganizar.
Numa cultura líquida que quer transformar toda experiência em benefício, cura, desempenho ou evolução pessoal, Bataille nos conduz para aquilo que excede a utilidade e não se deixa domesticar tão facilmente pela teologia da prosperidade.
Não será uma jornada de transformação. Será uma aventura de pensamento.
Adentrar ao erótico é aceitar, por algum tempo, não saber exatamente quem somos qdo aquilo que desejamos começa a colocar em questão a maneira como nos reconhecemos.
Todas as quartas ao vivo (16h), mas f**a gravado.
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