05/08/2026
Lily* tem 6 anos, fez um desfralde da fralda de xixi leve e tranquilo aos 3 anos de idade. Mas não consegue deixar a fralda na hora do c@cô.
A mãe se descobriu grávida pela 3ª vez (Lily*), 20 anos após a 2ª gestação e 24 anos após a 1ª. Entrou em desespero, negação, alimentou por muitos meses pensamentos intrusivos pesados.
Expliquei a mãe que uma gestação vivida sob intenso sofrimento materno, com pensamentos de rejeição ou desespero, pode ser considerada um elemento relevante na história de Lily*.
Evito falar sobre o histórico da criança e queixas na frente deles. Parto do princípio que uma informação pode tanto curar quanto adoecer. Mas para nossa surpresa, Lily* me fala: “Se eu deixar a fralda, vou deixar de ser bebê”. Bingo! Ela nos conta exatamente a causa primária do sintoma.
A fralda pode estar cumprindo uma função emocional importante para ela. Mais do que uma dificuldade de evacuar, parece haver um medo de crescer e perder um lugar de segurança e pertencimento.
Considerando a história gestacional e o sofrimento intenso da mãe impressos nas memórias da vida fetal de Lily*, é possível levantar a hipótese de que ela possa ter desenvolvido uma necessidade intensa de manter o vínculo e a sensação de proteção. Permanecer “bebê” pode representar para ela, uma forma simbólica de garantir que continuará sendo cuidada e amada.
Realizamos a 1ª sessão de Micro encontrando memórias importantes da vida fetal, nascimento e primeiros meses de vida, que estavam sendo expressas através desse comportamento de apego.
Mas em outros casos parecidos já encontrei:
mudanças familiares, chegada de irmãos, escola, medos e possíveis episódios de evacuação dolorosa. Esses elementos se somam e ajudam a manter o comportamento.
Reforcei à mãe a importância de um ressignif**ar desse início da vida através do Sleep Talk.
Não com o objetivo de “corrigir” a criança, mas de oferecer uma nova experiência de segurança emocional.
Talvez Lily* estivesse se perguntando, com a linguagem silenciosa da alma:
“Se eu crescer, você continuará me amando do mesmo jeito”?
Crescer exige coragem.
É despedir-se de uma versão de si para confiar que o amor permanecerá.
Continua…