Dra. Bruna Assunção - Saúde Mental

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14/04/2026

O receio em relação ao uso de medicação psiquiátrica costuma ser legítimo.

Ele envolve dúvidas sobre dependência, efeitos colaterais e, principalmente, sobre possíveis mudanças na própria identidade.

Na prática clínica, o que se observa é outro movimento.

A pessoa começa com sintomas pontuais: ansiedade mais frequente, dificuldade para dormir, queda de concentração, irritabilidade.
Por receio de medicar, opta por postergar o tratamento.

Com o tempo, o sistema nervoso permanece em estado de hiperativação.
A regulação emocional se torna mais instável, o sono perde qualidade e o funcionamento cognitivo passa a oscilar.

O que era episódico tende a se cronif**ar.

Nesse processo, a rotina vai sendo adaptada ao sintoma:
redução de atividades, evitação de situações, aumento da autocobrança e sensação constante de estar no limite.

Quando bem indicada, a medicação não tem como objetivo modif**ar quem você é.
Ela atua na modulação desses circuitos, reduzindo o excesso de ativação e permitindo uma recuperação mais consistente do funcionamento.

O ponto central não é apenas o uso ou não do medicamento,
mas o quanto o medo tem interferido na forma como você lida com o próprio quadro.

Se isso faz sentido, vale olhar para esse processo com mais critério. E me acompanhar mais por aqui. 💛🌻

Tomar ou não um antidepressivo raramente é uma decisão simples.Na maioria das vezes, ela vem carregada de medo.Medo de p...
09/04/2026

Tomar ou não um antidepressivo raramente é uma decisão simples.
Na maioria das vezes, ela vem carregada de medo.

Medo de perder o controle.
Medo de depender para sempre.
Medo de não se reconhecer mais.

Só que, no meio disso tudo, tem uma pergunta que quase ninguém faz: quanto você já mudou tentando lidar com tudo isso sozinho?

Porque a ansiedade constante, o falta de vontade em fazer coisas que antes eram prazerosas, a insônia ou vontade de permanecer o dia todo na cama e em casos mais graves, a falta de vontade de viver…
também vão moldando quem você é no dia a dia. De forma silenciosa, mas não menos dolorosa.

O tratamento, quando bem indicado, não vem para criar uma nova versão sua. Ele vem para buscar de volta, quem você sempre foi. Ele ajuda a reduzir o excesso que está distorcendo sua forma de sentir, pensar e reagir.

E isso muda muita coisa. Quanto mais você posterga, mais o sintoma se fortalece.

Se cuidar agora… muda o caminho! 💛

Tem gente que aprende a explicar a própria dor em poucos segundos.Não porque conseguiu entender melhor o que sente, mas ...
23/03/2026

Tem gente que aprende a explicar a própria dor em poucos segundos.
Não porque conseguiu entender melhor o que sente, mas porque percebeu que não haveria espaço para ir além.

Com o tempo, isso vai moldando a forma como muitas pessoas chegam até o consultório: mais objetivas, mais contidas, quase pedindo desculpa por ocupar tempo.

Só que saúde mental não se constrói assim.

Existe uma história por trás do sintoma.
Existe contexto por trás do diagnóstico.
Existe uma vida que precisa ser considerada antes de qualquer conduta.

É a partir dessa escuta que o cuidado começa a fazer sentido.
E é isso que sustenta qualquer tratamento que realmente funcione no longo prazo.

Se essa forma de olhar te atravessa de alguma maneira, f**a por aqui. 💛

04/12/2025

A história do Gerson não é sobre uma jaula.
É sobre tudo o que faltou antes dela.

Um menino que cresceu sem mãe porque ela também precisava de cuidado.
Um adolescente que pedia ajuda de jeitos que ninguém soube decifrar.
Um jovem que carregava delírios que, no fundo, eram tentativas de existir.

E ainda assim, quando ele morreu, parte da internet comemorou.
Como se sofrimento fosse escolha.
Como se abandono fosse culpa individual.
Como se a dor de alguém que nunca teve apoio pudesse ser usada como entretenimento moral.

A verdade é dura:
o Brasil ainda olha para a doença mental com curiosidade, medo e ironia, quase nunca com responsabilidade.

O caso do Gerson revela o que preferimos não admitir:
que estamos educados a punir o comportamento, não a entender o contexto.
Que exigimos autocontrole de quem mal teve estrutura básica.
Que chamamos de tragédia o que, na verdade, é uma sequência de avisos ignorados.

Não é sobre a leoa.
É sobre a solidão de alguém que nunca teve uma rede capaz de segurá-lo.
E sobre como a sociedade inteira, aos poucos, foi dizendo para ele, e para tantos outros, que não havia lugar possível.

Se existe algo que esse caso escancara, é que cuidar não é uma técnica. É um compromisso.
Ver antes do colapso.
Apoiar antes do risco.
Ouvir antes do escândalo.

Talvez esse seja o nosso maior desafio como sociedade: recuperar a capacidade de se comover e transformar empatia em presença, não em julgamento.

Na Black Friday, não é só o “desconto” que influencia sua decisão.O que realmente atua são circuitos cerebrais ligados à...
26/11/2025

Na Black Friday, não é só o “desconto” que influencia sua decisão.
O que realmente atua são circuitos cerebrais ligados à impulsividade, recompensa e avaliação de risco.

Quando o ambiente estimula dopamina em excesso, com contagem regressiva, notif**ações e sensação de escassez, o córtex pré-frontal (responsável pelo controle executivo) perde eficiência momentaneamente.
É nesse espaço que surgem decisões rápidas, inconsequentes, pouco avaliadas e, muitas vezes, acompanhadas de arrependimento.

Na psiquiatria, a repetição desses comportamentos impulsivos podem estar relacionados a diagnósticos que necessitam de atenção como: TDAH, transtornos ansiosos, transtorno por uso de substância, transtorno bipolar em fase maníaca ou hipomaníaca, etc…

👉 O comportamento é real. A neurobiologia por trás dele também.

Se a impulsividade está afetando sua rotina, suas finanças ou seu bem-estar emocional, investigar esses padrões é um passo fundamental para entender e tratar o que está por trás.

📩 Me envie “AVALIAR” no direct para conversarmos com base científ**a e acolhimento profissional.

17/10/2025

Tratamento não é castigo, é cuidado.
É o espaço onde você volta a se reconhecer aos poucos, com o tempo e o apoio certos.

Alguns tratamentos têm começo, meio e alta.
Outros se tornam parte da vida, como cuidar do sono, da alimentação ou da pressão arterial.
E está tudo bem. O que importa é que o cuidado traga estabilidade, autonomia e bem-estar.

A medicação, quando indicada, ajuda o corpo a se reorganizar. Ela reduz sintomas, reequilibra neurotransmissores e devolve energia pra que a terapia e as mudanças de rotina façam sentido.
Com acompanhamento médico, dose e tempo são ajustados conforme a resposta do organismo.

A terapia fortalece recursos internos e ensina o corpo a sair do modo de alerta constante. Estudos mostram que abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia de Regulação Emocional ajudam a remodelar padrões cerebrais ligados à ansiedade e à depressão (Beck, 2011; Gross, 2015).

E a rotina sustenta o processo: sono adequado, alimentação equilibrada, movimento regular e rede de apoio reduzem recaídas e aumentam a resposta ao tratamento (WHO, 2019).

Cuidar da mente não é se prender a um diagnóstico, é aprender a viver bem com o que se tem hoje, com o suporte certo e o tempo que cada corpo precisa.

📚 Referências:

Beck, J. S. (2011). Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond.

Gross, J. J. (2015). Emotion Regulation: Conceptual and Empirical Foundations.

World Health Organization (2019). Mental health: Strengthening our response.

A família é o primeiro território onde aprendemos o que é cuidado, afeto, silêncio e até ausência.Essas experiências dei...
25/09/2025

A família é o primeiro território onde aprendemos o que é cuidado, afeto, silêncio e até ausência.

Essas experiências deixam marcas que muitas vezes atravessam a vida adulta de forma sutil: no jeito de se relacionar, na forma de lidar com conflitos, na expectativa que colocamos em nós mesmos.

Mas nada disso é definitivo.
O que vivemos na infância pode influenciar, mas não precisa determinar.
O adulto que você se tornou tem a possibilidade de olhar para essas marcas e decidir como seguir: repetir padrões ou criar caminhos diferentes.

Esse processo exige coragem.
Não é sobre negar o passado, mas sobre aprender a se posicionar diante dele.
É reconhecer que, mesmo com as marcas que f**aram, existe espaço para ressignif**ar e escolher o que continua e o que não faz mais sentido carregar.

Cuidar da mente é dar novos signif**ados à história, e não permitir que ela seja prisão para o presente.

Você escuta uma frase. Depois outra.Alguém diz com convicção. Outro repete como se soubesse e aquilo fosse lei.E, quando...
17/07/2025

Você escuta uma frase. Depois outra.
Alguém diz com convicção. Outro repete como se soubesse e aquilo fosse lei.
E, quando percebe, você já sente medo de algo que nem viveu.

É assim que muitos mitos se espalham: com a força da repetição de algo não necessariamente real.

“Remédio psiquiátrico vicia.”
“Meu amigo começou e nunca mais parou.”
“Você começa e precisa aumentar cada vez mais as doses.”
“Esses remédios mudam sua cabeça.”
… e com isso, as vezes você já tenha até dito, pensado, concordado ou então, deixado de buscar ajuda.

Mas a verdade, quando é bem explicada, costuma ter um efeito curioso: ela não impõe. Ela convida.

E esse post foi feito com esse cuidado: te convidar a entender… sem fórmulas prontas, sem julgamento.
Para então lhe fazer decidir com consciência, e não com medo.

Dra. Bruna Assunção | Saúde Mental

Tem músicas que parecem terem sido escritas para momentos que a gente ainda nem entendeu.E quando tocam… algo dentro da ...
24/06/2025

Tem músicas que parecem terem sido escritas para momentos que a gente ainda nem entendeu.
E quando tocam… algo dentro da gente responde.

Outro dia, ouvindo uma música do Frank Sinatra, percebi o quanto a vida tem dessas ironias silenciosas. Oscilações que ninguém vê.
Cansaços que nem o corpo explica.
Sensações que não são explicadas pela ciência.

Às vezes, o que a gente chama de “vida adulta” é só um malabarismo emocional bem treinado em que muitas vezes custa a nossa saúde mental…
E essa, cada vez mais, deixada pra depois… e mais cedo ou mais tarde, nos exige de alguma forma ouví-la, acolhê-la, cuidá-la!

Se esse post chegou até você, talvez não seja por acaso. Talvez seja o momento de respirar fundo e se escutar com mais gentileza.

Dra. Bruna Assunção | Saúde Mental

Atendimento presencial ou online | Link na bio 💛

🌟✨ O que está por trás da glória ✨🌟Quando vemos atletas como Lorrane Oliveira, Simone Biles e Jade Barbosa brilhando nos...
06/08/2024

🌟✨ O que está por trás da glória ✨🌟

Quando vemos atletas como Lorrane Oliveira, Simone Biles e Jade Barbosa brilhando nos palcos mundiais, muitas vezes esquecemos das batalhas internas que eles enfrentam. Por trás das medalhas e dos aplausos, há histórias de superação, resiliência e coragem.

Lorrane enfrentou a perda de uma irmã, Simone lida com a pressão e a ansiedade, Jade superou abusos e lesões graves, e Rebeca encontrou na terapia a força para se conhecer e vencer seus medos.

Essas histórias nos lembram que, assim como eles, todos nós temos nossas lutas internas. E, assim como eles, também precisamos de apoio e ajuda para superá-las. Seja através de amigos, familiares, profissionais ou qualquer rede de suporte, nunca estamos sozinhos.

Vamos nos lembrar de ser gentis conosco e com os outros. A verdadeira força está em reconhecer nossas vulnerabilidades e buscar ajuda quando precisamos. 💪❤️

Estamos mais conectados do quenunca, mas essa conexão pode ter um preço.Vou compartilhar a história da Bia… que porcoinc...
17/07/2024

Estamos mais conectados do que
nunca, mas essa conexão pode ter um preço.

Vou compartilhar a história da Bia… que por
coincidência, muitos de nós podemos reconhecer como
sendo também a história das nossas próprias vidas.

Descubra como as redes sociais afetaram a saúde
mental dela e aprenda algumas estratégias para usar
essas plataformas de maneira mais saudável e
positiva. 🌟

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