Clara Dawn

Clara Dawn Escritora e psicanalista
Fundadora do Dentre eles, o excepcional romance "O Cortador de Hóstias", obra que tem como tema principal a pedofilia.

Clara é escritora, pesquisadora, palestrante, psicanalista, neuropsicopedagoga especialista em drogadição na infância e adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio. É fundadora do Portal Raízes (portalraizes.com). É presidente do IPAM - Instituto de Pesquisas Arthur Miranda. É autora de 7 livros publicados.

Estou fotossensível demais para ser ClaraQue ironia dawn! minha vida, cria de amanheceres,bruxuleia amiúde nas grimpas d...
23/05/2026

Estou fotossensível demais para ser Clara

Que ironia dawn!
minha vida, cria de amanheceres,

bruxuleia amiúde nas grimpas do crepúsculo!

Essa aí na fotografia,
não sou eu.
Ou talvez ainda não seja manhã de sol aqui.

Amanhecerá no meu quarto escuro?
Amanhã, será?

Clara Dawn
Escritora e psicanalista
Fundadora do e do


Eu fiz essa foto no meu quarto escuro, por causa da fotossensibilidade causada pela Doença de Sjögren.

Eu estava usando uma roupa neutra e havia apenas luz difusa no ambiente. Depois,com ajuda da acessibidade tecnologia, usei inteligência artificial para criar as roupas azuis, o céu aberto e a paisagem iluminada.

Esta sou eu, seguindo em frente. Não porque atrás vem gente, mas porque fui eu quem escolheu o caminho e com quem quero ...
24/04/2026

Esta sou eu, seguindo em frente. Não porque atrás vem gente, mas porque fui eu quem escolheu o caminho e com quem quero percorrê-lo.
claradawn

doençaautoimune

: Mulher adulta posa em pé em um ambiente interno com paredes claras, semelhante a uma galeria de arte. Ela tem cabelos curtos grisalhos, usa óculos escuros e brincos geométricos. Veste uma blusa sem mangas em padrão xadrez preto e branco e calça preta de cintura alta, com sapatos pretos. Está com uma bengala branca apoiada no chão, segurando-a com uma das mãos, enquanto a outra está no bolso, em uma postura firme e confiante, com as pernas afastadas. Ao fundo, há quadros com fotografias urbanas de ruas e prédios. A luz entra lateralmente, criando sombras marcadas no chão e na parede.

19/04/2026

 Antes de sabê-la, um vazio me esperaUm gosto de deserto me invadia a bocaQual taça de barro a jorrar só quimeraDesmemór...
10/04/2026



Antes de sabê-la, um vazio me espera

Um gosto de deserto me invadia a boca

Qual taça de barro a jorrar só quimera

Desmemória duma vida alegre e louca

Meu corpo é o princípio, a casa e o sudário

Que em mim preparava, com sol e com breu

O palco de todo um vital calendário

O berço daquela que a cura não concebeu… Ainda
claradawn

06/04/2026

Quando, em 2024, eu recebi o diagnóstico de , eu não imaginava que dois anos depois, eu teria perdido 85% da minha visão de forma definitiva e que a doença ainda seguiria ativa, avançando silenciosamente.

O que começou como um desconforto difuso revelou-se uma condição sistêmica, que invade o meu corpo e a minha mente. Não é apenas a secura extrema dos olhos, da boca, do nariz.. É a névoa mental que embaralha a cognição; a pele que arde no frio e pinica no calor; o ânimo que oscila entre dias melhores e piores; o estresse que se intensifica com as dores e as dores que se intensificam com o estresse; o cotidiano que se fragmenta em pequenas impossibilidades.

A vida que eu conhecia foi aos poucos revirada. Atividades que antes eram naturais e prazerosas para mim, como fazer pesquisas e escrever para o meu amado ou ministrar palestras no tornaram-se impraticáveis. A claridade fere, o foco falha, o corpo impõe limites que não negociam de jeito algum.

Existe um luto em curso. Não apenas pelo que foi perdido no corpo, mas pela identidade que se desfaz junto com as capacidades. E, ao mesmo tempo, existe um movimento inevitável: o de buscar outras formas de existir dentro do que permanece possível.

Hoje, minha travessia é essa. Ressignificar a própria existência sem a referência do enxergar físico, sem a autonomia de antes, sem a costumeira polivalência das atividades que me definiam. Agora estou barganhando a coabitação do meu espírito vivaz nesse corpo em transformação, sem garantias, mas com a lucidez de quem não deseja que esta seja uma narrativa de superação. Mas apenas o registro honesto de quem se recusa a apagar a própria história.

Clara Dawn


PASSEI PRA REGAR MINHAS PLANTINHAS COM UM POUCO DESSE AFÃ DE TERNURA QUE RESISTE EM MIM.  TÔ SUMIDA, EU SEI. 🤭 MAS EU ES...
27/03/2026

PASSEI PRA REGAR MINHAS PLANTINHAS COM UM POUCO DESSE AFÃ DE TERNURA QUE RESISTE EM MIM.
TÔ SUMIDA, EU SEI. 🤭
MAS EU ESTOU NUMA FASE MUITO COMPLEXA COM A DOENÇA DE SJÖGREN ATIVA.
ALGUMAS PESSOAS ME PEDEM PARA FALAR SOBRE ESSA DOENÇA TERRÍVEL QUE VAI MUITO ALÉM DE ‘BOCA SECA E OLHOS SECOS’.
MAS PELA PRIMEIRA VEZ EM MINHA VIDA, NÃO ESTOU COM VONTADE DE ‘MILITAR’ SOBRE COISA ALGUMA.
PORQUE TALVEZ - MAS SÓ TAlVEZ - O FATO DE NÃO CONSEGUIR CHORAR; NÃO CONSEGUIR LER E ESCREVER SEM SOFRIMENTO; NÃO CONSEGUIR IDENTIFICAR OS ROSTOS DAS PESSOAS, E TAMPOUCO O MEU; NÃO CONSEGUIR SAIR NA CLARIDADE SEM ÓCULOS ESCUROS; NÃO CONSEGUIR FICAR 1 MINUTO SOB O SOL SEM SENTIR UMA DOR DE CABEÇA LANCINANTE; NÃO SOBREVIVER MEIA HORA SEM BEBER ÁGUA E SEM HIDRATAR OS OLHOS COM LÁGRIMA ARTIFICIAL; NÃO CONSEGUIR FAZER COISAS ROTINEIRAS QUE ANTES ERAM SIMPLES E AGORA ME CAUSAM PROFUNDA EXAUSTÃO; NÃO CONSEGUIR ME EXPLICAR QUANDO A NÉVOA MENTAL SURGE DO NADA E EU ESTOU NO MEIO DE UMA CONVERSA… FAZ COM EU MERGULHE FUNDO DEMAIS NESSA LISTA CHEIA DE ‘NÃOS’.
ESSA SOU EU AGORA.
MINHA VIDA,
CRIA DE AMANHECERES.
QUE IRONIA -
CLARA DAWN - BRUXULEIA NAS GRIMPAS DO CREPÚSCULO.

EU SEMPRE ACREDITEI QUE O EXERCÍCIO DA CONTEMPLAÇÃO É A MANEIRA MAIS GRATA DE EXISTIR. AFIRMANDO ASSIM A QUASE FANÁTICA ...
14/09/2025

EU SEMPRE ACREDITEI QUE O EXERCÍCIO DA CONTEMPLAÇÃO É A MANEIRA MAIS GRATA DE EXISTIR. AFIRMANDO ASSIM A QUASE FANÁTICA E — CLARO — TOLA CRENÇA DE QUE, SEM CONTEMPLAÇÃO, A VIDA NÃO TEM SENTIDO ALGUM: PORQUE, PARA CONTEMPLAR, É PRECISO — ABRE ASPAS — ENXERGAR.

MAS, SEM VISÃO, O NOME E O SIGNIFICADO DAS COISAS PAIRAM NUM NICHO INVISÍVEL DA PERCEPÇÃO DO TEMPO E DO ESPAÇO. UMA CASA, PARA QUEM NÃO ENXERGA, É APENAS UMA AGLOMERAÇÃO DE DISTÂNCIAS: A CAMADA DE PAREDE QUE VOCÊ NÃO VÊ, O MÓVEL CUJA FUNÇÃO É SÓ UMA MEMÓRIA HÁPTICA: UMA CHALEIRA, UM CABIDEIRO, UMA CAMA, UMA COZINHA... SÓ PRECISAM SER FUNCIONAIS. TUDO MAIS É EXASPERAÇÃO DOS SENTIDOS.

PERDER A VISÃO DEPOIS DE LONGOS ANOS É COMO DESENTENDER A LIGAÇÃO ENTRE O PROJETO E A CONTEMPLAÇÃO. O JARDIM DE GÉRBERAS QUE VOCÊ COMEÇARA A PLANTAR; A SALA QUE PINTARIA DA COR AREIA-DO-DESERTO; O ROSTO SORRIDENTE DA BALCONISTA DO MERCADINHO E A JASSANÃ PESCANDO LAMBARIS ÀS MARGENS DA LAGOA... TUDO — ESTRANHAMENTE — PERDE A PRESSA E O SENTIDO TAL QUAL EXISTIA. FORMA-SE UM ESPAÇO DESCONHECIDO ENTRE O MAIS SIMPLES ANSEIO E COMO REALIZÁ-LO: OS GESTOS PERDEM A RAZÃO DE SER, A CASA DEIXA DE TER UMA CARA E O QUARTO DESALMA.

HÁ UM TRABALHO EXIGENTE DE REAPRENDIZADO AGORA: TREINAR A MÃO; A MEMÓRIA MUSCULAR; A INTENÇÃO DO PASSO; O CRIVO DA ACESSIBILIDADE TECNOLÓGICA E URBANA; A BOCA GRANDE DO CAPACITISMO; A EXPERIÊNCIA DA INVISIBILIDADE DE EXISTIR E DO LUGAR DE FALA; A PERCEPÇÃO DE QUE UMA COISA VALE PORQUE ME SERVE, E NÃO APENAS PORQUE É ATRAENTE...

ENTRETANTO, EU MENTIRIA SE DISSESSE QUE EXISTIR — TALVEZ — TENHA PERDIDO GRANDE PARTE DE SEU ENCANTO. RESOLVO ENTÃO — MAS NÃO SEM ESFORÇO — ME AGARRAR À CAPACIDADE SOBREVIVENTE E INQUESTIONÁVEL QUE TEMOS DE SEGUIR ADIANTE MESMO DEPOIS DE QUASE EXTINTOS.

NÃO QUERO COM ISSO FAZER UM DISCURSO DE AUTOCONSOLO. PORQUE É LAMENTÁVEL, DOLORIDO E TRISTE PERDER A VISÃO. É TER QUE EXPLICAR A MIM MESMA, TODAS AS MANHÃS, O QUE ANTES ERA IMEDIATO: JÁ É DIA. É TER QUE DIALOGAR COM OS OBJETOS: “ISTO É MEU SOFÁ”; “AQUI É A PORTA DA COZINHA”. É TER QUE ATRAVESSAR O FECHAMENTO E O NASCIMENTO DE DOIS CICLOS DISTINTOS.

E, ENQUANTO ISSO, EU CONTINUO A TRABALHAR A MINHA VISÃO INTERIOR: APRENDER A DISTINGUIR O TOM DO VENTRE, A INTENSIDADE DO SILÊNCIO, A GRAVIDADE DO TOQUE. PORQUE, NO FUNDO, A CONTEMPLAÇÃO NÃO MORRE; MUDA DE HÁBITO. E, QUEM SABE, NUM OUTRO AGOSTO, EU VOLTE A ENCONTRAR UMA RAZÃO PARA PINTAR UMA PAREDE — NÃO PARA QUE OUTROS VEJAM, MAS PARA QUE EU POSSA SENTIR QUE AINDA POSSO DECIDIR O QUE É MEU.



EXCERTOS DE: A ESTÉTICA DO INVISÍVEL: CRÔNICA DE UMA CEGUEIRA ANUNCIANDA - POR CLARA DAWN - LEIA NA ÍNTEGRA:https://www.claradawn.com/a-estetica-do-invisivel-cronica-de-uma-cegueira-anuncianda-por-clara-dawn/

Se a Doença de Sjögren Pudesse Ser Vista - Poema de Clara DawnSe a doença de Sjögren tivesse um rosto,seria o de uma mul...
14/05/2025

Se a Doença de Sjögren Pudesse Ser Vista - Poema de Clara Dawn

Se a doença de Sjögren tivesse um rosto,
seria o de uma mulher feita de deserto,
com nuvens no pensamento
e trincas na pele do silêncio.

Se a língua árida falasse,
diria sede em cada fissura,
os labirintos de sal entre os frouxos dentes,
são nuances de um corpo que não se cura mais.

Olhos vermelhos e ardentes,
banhados apenas por uma indescritível sensação de areia,
os vazios que queimam ao vento,
são piscadas que imploram clemência.

Ouvidos e narinas ressecados,
ecos que chegam a lugar nenhum,
cheiros fugindo do mundo,
transitando silenciosamente por papilas feridas e sem paladar.

No pescoço, nós do tempo,
linfonodos que ninguém desata,
mensagens rudes d'uma infantaria
que se rebelou contra a própria existência.

Pulmões que arquejam num canal estreito,
coração em batida cansada,
um pâncreas que já não dança,
sobre suspiros e alfenins.

As juntas e a pele inteira, em brasas latente,
mapa rubro da dor que migra,
ossos curvados no lamento
de uma alma que não se esquiva da luta.

No ventre, um eco doído
se espalha como brasas, mas o deserto não incendeia.
Terra infértil de ternura,
onde a pelve não se achega.

E no topo, uma nuvem esquecida pelo vento.
Um nevoeiro estranho... estranho:
vela límbica de uma mente à deriva.

Mas mesmo assim sigo,
chuleando minhas fendas,
porque onde o corpo rasga,
a luta cirze.

Clara Dawn (.claradawn)
Se a Doença de Sjögren Pudesse Ser Vista - Poema de Clara Dawn)

A menina que um dia eu fui, hoje veio conversar comigo. Disse-me palavras maduras demais e se eu não soubesse que ela se...
15/03/2025

A menina que um dia eu fui, hoje veio conversar comigo. Disse-me palavras maduras demais e se eu não soubesse que ela sempre foi à frente do seu tempo isso até me surpreenderia. Ela se sentou ao meu lado: estava descalça, cabelos longos e despenteados com aquele repartido irregular. Usava o seu vestido azul com estampa de bolinhas e trazia na mão direita um caco de telha. Depois de me perguntar - sem direito à resposta - se eu sabia o que ela pensava de mim, caminhou um pouco adiante e desenhou no chão um círculo e nele escreveu a palavra “terra” e seguiu desenhando, colados um ao outros: um quadrado; dois quadrados e assim sucessivamente até desenhar outro círculo onde escreveu a palavra “céu”. Do ponto em que ela estava, atirou o caco de telha e gritou: “ jogue o caquinho no primeiro quadro e venha, mulher! Porque o único jeito de alcançar o céu é passando por todos esses degraus.

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www.claradawn.com

Quem não sabe o que é felicidade, certamente nunca dançou para um cachorro 🐕🥰
01/03/2025

Quem não sabe o que é felicidade, certamente nunca dançou para um cachorro 🐕🥰

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