08/02/2026
Psicanálise não é para “doido”
Ben Franz - Psicanalista
Quando uma pessoa se dá conta de que o seu comportamento, qualquer que seja, "não agrada", seja a ela mesma ou a outras pessoas, é chegada a hora de considerar a conveniência de fazer psicoterapia.
Desde a nossa concepção, ainda no ventre materno, "captamos" estímulos e sensações originários do meio ambiente e os armazenamos em nossa memória inconsciente. À medida que envelhecemos, podem ocorrer "choques" entre as percepções que temos da realidade consciente em que vivemos e as informações armazenadas em nosso inconsciente. Desses choques, podem resultar distúrbios psíquicos, como, por exemplo, neuroses, medos, compulsões, obsessões, ansiedade, depressão, anomalias se***is e problemas de relacionamento ou de personalidade.
Há quem não saiba que existem três conceitos distintos: a Psiquiatria, a Psicologia e a Psicanálise. Essas pessoas pensam que são um mesmo assunto e têm a falsa noção de que "Psicoterapia é para doido", o que realmente não é, até porque um verdadeiro “doido” não é curável pela Psicoterapia. Pessoas que apresentem patologias psíquicas, das mais simples às incuráveis, são tratadas com medicamentos que só podem ser receitados por um médico, normalmente um médico psiquiatra. Então, as patologias psíquicas não são o campo de trabalho do Psicólogo Clínico ou do Psicanalista, mas, sim, do Psiquiatra, o que não quer dizer que uma pessoa que apresente uma patologia curável não possa ser atendida simultaneamente por um Psiquiatra e por um Psicoterapeuta. A diferença da Psicologia Clínica em relação à Psicanálise é que a Psicanálise leva em conta a história de vida do psicanalisado e busca a origem de comportamentos no seu inconsciente.
A vida dita "moderna", em que padrões de materialidade se sobrepõem cada vez mais, e mais rapidamente, a conceitos de espiritualidade na escala de valores sociais, impõe-nos constantemente novos padrões de comportamento. Muitas vezes, esses novos padrões se chocam com os nossos valores internos, e passamos, então, a enfrentar "crises de identidade". É nessa hora também que devemos procurar ajuda psicanalítica.
A maravilha da Psicanálise consiste no fato de que, quando o psicanalisado adquire consciência do porquê de seu comportamento, consegue alterá-lo e assim "curar-se" dos distúrbios comportamentais que o incomodam. Existem pessoas que fazem terapia a vida inteira e outras que se sentem bem após períodos variáveis de “terapia breve”, de alguns meses ou anos.
Existe uma modalidade de terapia chamada “Coaching” Psicanalítico, em que o cliente é a organização em que o beneficiário da terapia atua ou trabalha. Leva-se em conta o ambiente profissional dessa pessoa e a terapia visa, nesse caso, à modificação comportamental do indivíduo para o seu benefício e o da organização, em termos da qualidade das relações de trabalho com superiores, colegas ou subordinados, e a produtividade e eficiência da contribuição dessa pessoa ao objetivo social da respectiva organização.
O “Coaching” Psicanalítico é pouco conhecido e exige que o terapeuta conheça o funcionamento do mundo corporativo das empresas e das organizações em geral, mormente que compreenda a estrutura hierarquizada de poder e comando que o caracteriza, porque é essa realidade que demarcará o espaço terapêutico em que atuará.
Benno (Ben) Franz Kialka
Psicanalista credenciado pelo SINPESP, sob nº 822.
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