25/04/2024
CONDICIONAMENTO CLÁSSICO E A VEZ QUE VOCÊ PASSOU A ODIAR SUA MÚSICA FAVORITA
No final do século XIX, o fisiologista russo Ivan Pavlov estava estudando o sistema digestivo de cachorros e acabou descobrindo o que seria um dos princípios básicos da Análise do Comportamento. Pavlov havia instalado em seus cães, por meio de cirurgia, um recipiente que media a salivação dos animais e, resumindo a história, o que ele descobriu foi que qualquer estímulo a princípio neutro (em relação à salivação) que fosse pareado (apresentado junto ou logo antes) com a comida dos cachorros (estímulo que eliciava a salivação) passava a eliciar, sozinho, a salivação. Vários te**es foram feitos para sistematizar o que ficou conhecido depois como condicionamento respondente (porque o comportamento condicionado é respondente, reflexo), condicionamento pavloviano e condicionamento clássico. Quando Pavlov pareava, um tanto de vezes, a apresentação da comida com uma luz vermelha, a luz vermelha, sem a comida, passava a fazer o cachorro salivar, e a luz laranja, por semelhança, também. O mesmo em relação ao som de um sino, e por aí vai. No começo do século XX, John Watson estabeleceu que as emoções humanas eram comportamentos respondentes e poderiam ser condicionadas por condicionamento clássico, o que ele demonstrou num experimento controverso, e mais tarde o entendimento behaviorista do condicionamento clássico foi usado para desenvolver tratamentos ef**azes para fobia e ansiedade.
Agora, em que momentos da nossa vida esse processo acontece? O tempo todo. Você já colocou sua música favorita como despertador da manhã? O que aconteceu depois? Eu aposto um rato jogador de basquete que você parou de gostar da música como gostava antes, talvez até tenha passado a ter aversão por ela. Isso aconteceu porque o despertador eliciava emoções como raiva, tristeza, desgosto e, por pareamento, a música passou a eliciar emoções semelhantes. Se você não gosta de uma pessoa de cara, mesmo sem conhecer ela direito, ela talvez tenha características semelhantes as de alguém que consistentemente te fez sentir mal, e o mesmo para o oposto, quando você gosta de alguém de cara. Até mesmo a representação persistente de uma determinada etnia em programas de televisão apenas em situações negativas, sejam vexatórias (estilo Casos de Família) ou violentas (como os programas pinga sangue) pode te condicionar a sentir coisas frente a pessoas dessa etnia, se o seu contato com essas pessoas for principalmente através dessas representações.