12/06/2026
Essa é uma pergunta muito importante. Muitas mães vivem um esgotamento tão profundo que não sabem nem como explicar.
Por mais que o burnout materno não seja um diagnóstico psiquiátrico formal, é uma forma de nomear uma experiência que aparece muito na vida de muitas mães emocionalmente exaustas, sobrecarregadas e sentindo que não conseguem mais sustentar tantas demandas.
E isso pode acontecer em muitas fases da maternidade.
A gente costuma ver bastante no começo, principalmente na primeira infância, quando tudo é novo, mas também já vi esse esgotamento em mães com mais de um filho, em mães de adolescentes, em mães de filhos adultos, em mulheres que vivem problemas familiares difíceis, em mães solo, em mães sem rede de apoio e em mulheres que carregam uma divisão muito desigual do cuidado dentro de casa.
Ao mesmo tempo, existe também uma dimensão interna que precisa ser olhada com carinho. Quantas vezes a mãe se cobra demais? Quantas vezes ela sente que deveria dar conta de tudo, estar bem, ser paciente, amar cada momento, não reclamar, não falhar?
Eu mesma já me percebi extremamente exausta em alguns momentos da minha maternidade. E, quando olhei melhor, entendi que não eram os cuidados com a Olívia que estavam me esgotando. Era a minha cabeça, cheia de cobranças, tentando chegar num ideal de mãe que ninguém consegue sustentar o tempo inteiro.
A romantização da maternidade pela sociedade também colabora muito para esse adoecimento quando se espera que a mãe seja sempre feliz, disponível, amorosa, forte e inteira. Mas como uma mulher vai ser o alicerce de todos se ela não tem onde se apoiar?
Se você está sofrendo na maternidade, procure ajuda. Dar nome ao que você sente pode ser o começo de um cuidado mais honesto, mais possível e mais compassivo com você mesma.
Dra. Juliana Yumi
Psiquiatra
CRM 170137|RQE 81875