17/04/2026
Nem tudo o que aparece na imagem do sujeito diz, de fato, da estrutura.
Na perspectiva psicanalítica lacaniana, os fenômenos imaginários podem capturar o olhar clínico com facilidade: identificações, rivalidades, formas de se apresentar, traços de comportamento e modos de relação que impressionam, mas que nem sempre revelam o que de fato está em jogo na constituição psíquica.
O perigo está em tomar o visível como verdade diagnóstica. Quando o diagnóstico se apoia apenas no que aparece no plano imaginário, corre-se o risco de precipitação, rotulação e leitura superficial do sofrimento psíquico.
Na clínica, é preciso ir além da aparência, escutar o sujeito e sustentar o tempo necessário para que algo de sua posição possa emergir.
Diagnosticar não é encaixar sinais em categorias apressadas — é operar com rigor, escuta e ética.