11/02/2026
Regulação Emocional na Infância: Por que o Corpo da Mãe é o Primeiro Campo Terapêutico da Criança
Por Graziele Arend
Quando uma criança apresenta comportamentos agressivos, irritabilidade ou explosões emocionais, não estamos diante apenas de “birra” ou desobediência. Estamos diante de um sistema nervoso em sobrecarga, tentando comunicar algo que ainda não consegue ser simbolizado em palavras.
Técnicas como o EFT (Emotional Freedom Techniques) têm mostrado resultados promissores na redução do estresse emocional infantil, auxiliando a criança a liberar tensão corporal, reconhecer emoções e recuperar a sensação de segurança. O toque rítmico, associado à nomeação emocional, atua como um regulador psicofisiológico, facilitando a autorregulação.
No entanto, a evidência neuropsicológica é clara: a criança não se regula sozinha — ela se regula em relação. Quando a mãe participa do exercício, o corpo infantil percebe que não está atravessando a emoção em isolamento. Surge, então, o que a neurociência chama de co-regulação, um campo relacional que organiza o sistema nervoso imaturo.
Pesquisas em neurociência afetiva demonstram que o estado fisiológico do cuidador influencia diretamente o da criança. Quando a mãe está mais regulada, as crises tendem a ser mais curtas, a técnica tem maior eficácia e o vínculo se fortalece. O corpo materno funciona como ambiente emocional externo, modulando o desenvolvimento do cérebro infantil.
Por isso, programas que incluem a regulação emocional materna potencializam intervenções infantis. Ao regular o próprio sistema nervoso, a mãe restaura o campo relacional, libera memórias implícitas de sobrevivência e cria uma maternidade mais segura e consciente.
Não se trata de fazer mais, mas de fazer em estado de segurança corporal. E isso transforma profundamente a experiência materna e o desenvolvimento emocional da criança.
Referências internacionais
Siegel, D. J. (2012). The Developing Mind. Guilford Press.
Porges, S. W. (2011). The Polyvagal Theory. W. W. Norton & Company.
Shore, A. (2001). The Effects of Early Relational Trauma on Right Brain Development.