11/06/2026
Há 13 anos sou médica. Há 11 anos sou pediatra. Há 8 anos sou gastropediatra.
Ao longo dessa caminhada, acompanhei e orientei centenas de famílias que enfrentaram o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
Vi mães exaustas, preocupadas, inseguras. Vi a dificuldade de ler rótulos, de adaptar a alimentação, de lidar com as restrições sociais e com o medo constante de uma falha na dieta. Sempre procurei acolher, orientar e oferecer suporte para que elas conseguissem seguir amamentando seus bebês com segurança.
A alergia ao leite de vaca também esteve presente na minha família. Já acompanhei de perto minha sobrinha, filhos de primas e amigas que passaram por essa jornada.
Mas, há um mês e meio, me tornei mãe.
E há pouco mais de duas semanas iniciei uma dieta de restrição ao leite de vaca por suspeita de APLV no meu filho.
Vi meu bebê com distensão abdominal, muitos gases, cólicas, refluxo e episódios de choro que pareciam não ter fim.
E, pela primeira vez, vivi do outro lado.
Hoje entendo ainda melhor o que a mãe dos meus pacientes sentem quando precisam mudar completamente sua alimentação para aliviar o sofrimento de seus filhos.
Entendo a preocupação diante de cada sintoma. Entendo a culpa quando acontece uma falha na dieta. Entendo o cansaço de pesquisar ingredientes, fazer substituições e explicar para todos ao redor por que você não pode comer determinados alimentos.
Continuo sendo médica. Continuo sendo pediatra. Continuo sendo gastropediatra.
Mas agora também sou a mãe que lê rótulos com atenção, que revisa cada refeição e que comemora cada pequena melhora do seu bebê.
A medicina me ensinou muito sobre a APLV. A maternidade me ensinou aquilo que nenhum livro consegue ensinar: o que uma mãe sente ao ver seu filho sofrer.
❤️ Para todas as mães que estão passando por essa jornada: vocês não estão sozinhas.
❤️ Algumas das lições mais importantes da minha carreira vieram dos meus pacientes. E uma das mais profundas está vindo agora, do meu próprio filho
ani