10/05/2026
Esse ano o maio chega diferente. É o primeiro sem ela.
Escrevo como psicóloga, mas hoje a voz que fala mais alto é a de filha. Daquelas que olham pro segundo domingo do mês e sentem o peito apertar antes mesmo do dia amanhecer.
Se você também perdeu a sua, talvez reconheça isso: o calendário virou campo minado.
Quero te dizer, de filha pra filha, de coração pra coração:
Você não precisa estar inteira no domingo. Não precisa sorrir pra foto, não precisa responder mensagem, não precisa traduzir em palavras o que ainda não tem nome.
Pode chorar no café da manhã e rir no meio da tarde lembrando de uma mania dela. Pode visitar o túmulo ou fugir da cidade. Pode cozinhar o prato que era dela ou se enrolar na cama o dia inteiro. Luto não tem manual, tem ritmo próprio, e o seu é sagrado.
E se você, como eu, também é mãe, saiba que carregar os dois lugares no mesmo dia cansa de um jeito que pouca gente entende. Ser celebrada enquanto se faz falta de quem celebrava.
Receber o desenho do filho, o café na cama com a mão tremendo, porque a mão que segurava a sua não está mais ali. Esse peso tem nome bonito: é amor que continua existindo, sem ter mais onde pousar.
A saudade não é castigo. É a forma que o amor encontrou de seguir morando em você.
Que nesse domingo você se permita sentir tudo, sem pressa, sem culpa, sem precisar dar conta. E que a memória dela continue sendo colo, mesmo quando o colo virou ausência.