15/05/2026
Hoje, assisti pela terceira vez ao vídeo da história de uma mãe que recebe, ainda na gestação, a notícia de uma má-formação letal de sua filha. Entre algumas possibilidades sugeridas pelos médicos, ela escolhe seguir com a gestação. A bebê morre no parto.
A mãe demonstra uma lucidez inacreditável diante de uma situação que nos deixa completamente sem chão.
Nos comentários, algumas pessoas a chamavam de “mãezinha”: “Que força a dessa mãezinha!”.
Meu primeira reação foi um pensamento ofensivo, rs. A segunda foi encontrar a razão pela qual me ofendo tanto com a alcunha de “mãezinha”.
A gente é tão humana, tão natural, tão animal durante a gestação e o parto… E, nos primeiros momentos de fragilidade — o puerpério — vem o “mãezinha”. Na primeira oportunidade de nos lembrarem que estamos frágeis, o fazem.
Justamente naquele momento em que, na verdade, deveríamos ser reconhecidas pelo nosso nome e pela nossa história — inclusive pela recém-história de gestar, parir, nutrir.
Agora, dando vazão ao meu primeiro pensamento ofensivo: mãezinha é o ca***ho. Eu sou mulher. Sou mãe. Sou eu!