Psicóloga e Pedagoga Joyce Donadel

Psicóloga e Pedagoga Joyce Donadel Psicóloga clínica de orientação histórico-cultural, professora de educação infantil.

Hoje, assisti pela terceira vez ao vídeo da história de uma mãe que recebe, ainda na gestação, a notícia de uma má-forma...
15/05/2026

Hoje, assisti pela terceira vez ao vídeo da história de uma mãe que recebe, ainda na gestação, a notícia de uma má-formação letal de sua filha. Entre algumas possibilidades sugeridas pelos médicos, ela escolhe seguir com a gestação. A bebê morre no parto.

A mãe demonstra uma lucidez inacreditável diante de uma situação que nos deixa completamente sem chão.

Nos comentários, algumas pessoas a chamavam de “mãezinha”: “Que força a dessa mãezinha!”.
Meu primeira reação foi um pensamento ofensivo, rs. A segunda foi encontrar a razão pela qual me ofendo tanto com a alcunha de “mãezinha”.

A gente é tão humana, tão natural, tão animal durante a gestação e o parto… E, nos primeiros momentos de fragilidade — o puerpério — vem o “mãezinha”. Na primeira oportunidade de nos lembrarem que estamos frágeis, o fazem.

Justamente naquele momento em que, na verdade, deveríamos ser reconhecidas pelo nosso nome e pela nossa história — inclusive pela recém-história de gestar, parir, nutrir.

Agora, dando vazão ao meu primeiro pensamento ofensivo: mãezinha é o ca***ho. Eu sou mulher. Sou mãe. Sou eu!

Nesse Dia das Mães, minhas felicitações vão, de forma especial, às mães atípicas, por quem tenho profunda admiração.A ma...
10/05/2026

Nesse Dia das Mães, minhas felicitações vão, de forma especial, às mães atípicas, por quem tenho profunda admiração.

A maternidade atípica é atravessada por um trabalho intenso, constante e, muitas vezes, invisível aos olhos do mundo. Desejo que essas mães sejam menos julgadas e muito mais acolhidas, respeitadas e valorizadas.

Mulheres que, tantas vezes, sozinhas, abrem mão de si mesmas, de seus planos e de suas carreiras para cuidar do outro. Que lutam diariamente pela dignidade, pelo desenvolvimento e pela qualidade de vida de seus filhos. Que aprendem a compreender sinais, silêncios e necessidades que quase ninguém percebe.

Meu abraço mais apertado a cada amiga que vive a maternidade atípica e a cada mãe das minhas crianças atípicas.
Eu admiro profundamente vocês!

Hoje pela manhã, enquanto eu me organizava para o trabalho e preparava as crianças para a escola, Amália pediu para colo...
16/04/2026

Hoje pela manhã, enquanto eu me organizava para o trabalho e preparava as crianças para a escola, Amália pediu para colocar a calça no irmão. Avisei que seria um desafio — ela, decidida, respondeu com a coragem típica de quem acredita que dá conta e insistiu em tentar. Eu deixei. Fui para a sala terminar outras coisas.

De lá, eu a ouvia: “Para! F**a parado!”, “Chega! Mas que menino chato!”. Ele não para. Se contorce, vira, prende nossos braços com as pernas, luta para escapar — como qualquer bebê nessa fase do desenvolvimento. Amália não sabe disso. E nem precisa saber. Ela é uma criança de quatro anos que quer ajudar, brincar, repetir o que vê, como faz com suas bonecas.

Enquanto eu assistia (e escutava) à cena, pensava em quantos profissionais da educação infantil compreendem os bebês tanto quanto uma criança de quatro anos. Esperam deles o que não podem oferecer: disciplina, silêncio, docilidade corporal. Diante disso, frustram-se, irritam-se — movidos por uma questão essencialmente adulta: o desconhecimento sobre o próprio objeto de trabalho, a primeiríssima infância.

É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo: incomoda-se com aquilo que, no fundo, é parte de si. Se todo trabalhador precisa conhecer profundamente aquilo com que trabalha, por que seria diferente com quem trabalha com bebês? Que valor atribuímos a eles — e ao nosso próprio fazer — quando deixamos de aprender sobre aquilo que é, justamente, o centro do nosso trabalho?

Resumo dos últimos dias com meus bebês pequenos e grandes.
14/04/2026

Resumo dos últimos dias com meus bebês pequenos e grandes.

O fixar de olhos de um bebê não tem filtros. O olhar vem direto para a alma. Profundo. Penetra. Não disfarça, não desvia...
30/03/2026

O fixar de olhos de um bebê não tem filtros. O olhar vem direto para a alma. Profundo. Penetra. Não disfarça, não desvia. É simplesmente verdadeiro.

Por muito tempo, tive medo de ser a direção desse olhar. Quanta responsabilidade há em ser olhada assim. Quantas Joyces já pude enxergar no olhar de um bebê... Nem sempre estive pronta para me ver na responsabilidade que esse olhar carrega.

Confiança. Entrega. Gratidão. Dependência. Tudo isso habita esse olhar. E, por isso, vem também o medo — puro e profundo... e o amor. Não vem devagar, não vem em conta-gotas. Vem como uma bacia despejada de uma vez só no olhar...

A nós, objetos desse olhar (às vezes, até vítimas — quando não sabemos como lidar), cabe dar um jeito de sustentar tudo isso sem deixar cair.
Que seres fascinantes são os bebês!

(Essa foto é do acervo do Canva. Por segurança, vocês não podem ver o olhar que vi hoje, tão potente quanto este, na hora de dormir).

Ando inquieta com a confusão que ainda se faz entre acolhimento e permissividade na escola.Não é raro ver escolas com pr...
17/03/2026

Ando inquieta com a confusão que ainda se faz entre acolhimento e permissividade na escola.
Não é raro ver escolas com práticas autoritárias — muitas vezes também excludentes — defendendo-se com frases como: “Aqui tem regras!”. E sim, é fundamental que existam regras. Escolas acolhedoras também têm.

A diferença está em outra camada: de onde vêm essas regras? Para quem elas são pensadas? Como são construídas? O que as fundamenta? Há quanto tempo não são revistas? São regras que garantem direitos às crianças ou apenas as controlam e punem?

Escolas acolhedoras são, sim, sérias. E justamente por isso constroem seus combinados a partir dos direitos das crianças, respeitando suas necessidades, seus tempos e seus contextos.
Eu sigo regras. Mas também as questiono quando deixam de fazer sentido, quando já não se sustentam em evidências ou quando ferem o direito de uma criança. Romper com normas ultrapassadas, nesses casos, não é descuido — é compromisso.
Gosto de ver crianças felizes. E crianças felizes se movimentam, exploram, se expressam. Em uma escola acolhedora, a criança não faz simplesmente “o que quer”; ela faz o que é possível dentro de um ambiente que considera sua história, sua cultura, seu desenvolvimento e o contexto em que está inserida.

Crianças não precisam — e não devem — se adaptar à hostilidade disfarçada de regra. Não devem engolir normas impostas sem diálogo.
Acolher não é permitir tudo. Acolher é garantir dignidade, escuta e direitos.

Foto de uma escola acolhedora da turma de uma professora acolhedora (a ) de crianças felizes.

A mãe de bebê que habita em mim saúda a mãe de bebê que habita em você.Eu também choro ao ouvir meu filho chorar na esco...
06/03/2026

A mãe de bebê que habita em mim saúda a mãe de bebê que habita em você.

Eu também choro ao ouvir meu filho chorar na escola (e olha que conheço e confio muito nas professoras dele).

Também sinto culpa por deixá-lo sob os cuidados de outras pessoas tão pequenininho.

Também me questiono se preciso mesmo disso (um questionamento que escuto tantas mães fazerem nesse período de “adaptação”.).

Também fico triste ao vê-lo com medo de sair do meu colo para ir para o colo de pessoas da família (algo que, antes da escola, não acontecia).

Faço o exercício, às vezes dolorido, de lembrar de tudo isso quando vejo uma mãe angustiada na porta da escola.

Não é fácil. Eu sei.

E quando encontro essas mães, enquanto estou na minha função de professora, transmito esse “namastê materno”.
E também o sinto.

É curioso como podemos nos conectar.
Como podemos ter culturas familiares tão diversas e, ainda assim, nos encontrarmos nesse lugar comum: o sentimento materno — e tudo o que vem com ele.

Atualizando minha cara aqui. Não é assim que vocês vão me ver trabalhando não, tá? Raramente tenho tempo de passar maqui...
20/01/2026

Atualizando minha cara aqui. Não é assim que vocês vão me ver trabalhando não, tá? Raramente tenho tempo de passar maquiagem, no dia a dia, principalmente no período da manhã. 😁

A última de 2025.
04/01/2026

A última de 2025.

O ateliê é um ambiente pensado para que o bebê explore materiais, sensações e gestos e construa, assim, conhecimento por...
20/11/2025

O ateliê é um ambiente pensado para que o bebê explore materiais, sensações e gestos e construa, assim, conhecimento por meio da experiência.
É um lugar onde fazer importa mais que o resultado.

Por que oferecer ateliê para bebês?
Porque os bebês aprendem com o corpo todo.
Eles tocam, cheiram, batem, espalham, experimentam.
O ateliê respeita essa forma de conhecer o mundo e amplia as possibilidades de expressão.
É cultivo de sensibilidade desde o começo da vida. ✨

Para a primeira vez dos bebês nessa proposta, escolhemos um tema que lhes é familiar: as formigas (ou “tomigas”). E organizamos materiais e espaço de forma a contemplar seu modo atual de pesquisar, a partir do que nós, professoras, temos observado até aqui.

Para turmas numerosas, sugiro calma, parceria e planejamento. Sempre que possível, dividir o grupo em dois e contar com dois adultos presentes ajuda para que os bebês possam realmente usufruir do espaço e do momento, sem pressa ou sobrecarga.

Neste dia, por exemplo, levamos apenas metade da turma primeiro. Além de pensarmos no bem-estar dos bebês, também precisamos considerar as demandas cotidianas: alimentação, trocas, brincadeira livre e a organização do ambiente para as demais turmas.

Os bebês que não foram nesta primeira ida irão na próxima segunda-feira (por conta do feriado; caso contrário, iriam no dia seguinte).

Endereço

Piracicaba, SP

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