02/08/2026
Por algum motivo, pinturas me explicam mais sobre mim mesmo e sobre os outros do que palavras.
Coisa de quem é contemplativo.
Esta é “O Caminhante sobre o Mar de Névoa”, de Caspar David Friedrich. Há algo nessa obra que me acompanha há muito tempo, porque ela fala do tema que mais inspira minha missão pessoal: as travessias da vida.
Estamos sempre sendo atravessados por elas.
Uma perda. Um luto. Uma mudança de cidade. Uma promoção no trabalho. Uma transição de carreira. O nascimento de um filho. O fim de um relacionamento. Um diagnóstico inesperado. Ou até aquelas mudanças silenciosas, que acontecem por dentro e ninguém percebe.
As travessias não perguntam se estamos prontos. Elas simplesmente chegam.
E talvez seja por isso que elas despertem tanta ansiedade. Queremos enxergar o caminho inteiro antes de dar o próximo passo. Queremos garantias de que tudo dará certo. Mas a vida raramente funciona assim.
Olho para essa pintura e tenho a impressão de que o personagem não contempla apenas a paisagem. Ele contempla a própria incerteza.
Alguém se identifica, além de mim?