28/02/2024
Dia desses vendo um vídeo que os pais davam um vestido de mulher maravilha para o filho, fui ler os comentários e uma coisa me chamou muita atenção nas pessoas que defendiam a atitude dos pais.
Elas diziam que o importante era que a criança fosse feliz.
Passei então a pensar sobre isso. Se perguntarmos na porta da maternidade, o que as mães mais desejam é que os filhos sejam felizes.
Eu também já desejei. Não desejo mais.
Hoje, eu desejo que meus filhos SEJAM GENTE! No sentido mais amplo da palavra.
Que saibam o privilégio das coisas que possuem, que conheçam a importância de cada um a sua volta, que saibam que muitas crianças vão dormir sem comer e que muitas pessoas não sabem onde irão dormir essa noite.
Isso não é crueldade, isso é realidade.
Criamos a bolha da felicidade a qualquer custo, onde todo mundo pode tudo, mas ninguém deve nada.
Desejar que sejam apenas felizes é uma irresponsabilidade, uma loucura.
Afinal, São os dias cinzentos que valorizam as cores de uma boa risada. É a gentileza desinteressada que mostra quem você é. São as derrotas que preparam o gostinho da vitória. É a superação de desafios que te faz olhar no espelho e pensar: valeu cada gota do meu suor.
É por isso que eu não quero que eles sejam APENAS FELIZES. Eu quero que sejam completos. Que experimentem as derrotas, que comemorem todas as vitórias (grandes ou pequenas). Que transbordem respeito.
Que entendam, no final de tudo, somos todos iguais. Do porteiro ao rei, da faxineira ao Neymar.
Eu espero deixar nesse mundo 3 pessoas melhores, capazes de causar felicidade aos que estão ao redor.
E não apenas, 3 pessoas felizes, reivindicando direitos que nem possuem.
Eu desejo que meus filhos sejam GENTE em meio a uma multidão de egoísmo. Que sejam responsáveis por suas atitudes. Que cumpram seus deveres. Que entendam que fazer o difícil é necessário.
A felicidade não é um destino, é um caminho.
Se você se distrai, esquece os motivos pelos quais é feliz.
E você, está criando gente ou só crianças felizes?
Vale a reflexão, porque a vontade da mãe é colocar num potinho e deixar ali, sem ralados, sem choros, sem frustrações. Mas, será que é isso que devemos fazer?