18/05/2021
Hoje comemoramos o dia da Luta Antimanicomial no Brasil. Há 34 anos acontecia em Bauru o congresso do movimento de trabalhadores de saúde mental. Eles estavam insatisfeitos com a total ausência de cuidados praticada nos manicômios. Havia não apenas negligência, mas segregação e tortura. Estávamos em um momento de abertura política pós-ditadura e ali foi instituído o lema do movimento "por uma sociedade sem manicômios".
Todos os anos vamos a rua comemorar essa data e exercer a prerrogativa de que cuidado se faz em liberdade e no território.
O trabalho com a saúde mental me transmitiu, como diz Guimarães Rosa, que "todo abismo é navegável a barquinhos de papel". Atravessamos a vida em barquinhos de papel e são os nossos laços com o social que nos sustentam, mesmo que frágeis.
Não estar na rua no 18 de maio é muito difícil, assim como é difícil não poder mais ir ao museu com os pacientes, não poder circular pela cidade.
Mas o dia de hoje não é importante só para mim, que trabalho na saúde mental, ele é um dia de debate fundamental para todos. Afinal, se já estivemos em momento de abertura, que momento político é esse que vivemos agora? Vemos as políticas de morte despontarem no micro e no macro: 437 mil mortes, chacina do Jacarezinho, o retorno da fome.
É preciso lembrar que os muros do manicômio são concretos e simbólicos. Eles segregam a loucura, eles silenciam a diferença, seja de raça, gênero, orientação sexual.
Diante desse cenário tão doloroso, o lema da luta vem mais uma vez nos enlaçar com toda sua força:
Por uma sociedade sem manicômios!