04/05/2026
Usar do corpo como centro, a dança como rezo, e a gargalhada como uma grande limpeza e proteção!
Shakira avisou: Copacabana vai virar altar.
Quem tem experiência corporal nos ritos, sabe que os desafios estão lá, as dores, os traumas, as inseguranças estão sendo transmutados, na FESTA!
Achei simbólico, ao saber do problema do pai na hora do show. Ela teve a coragem de:
1°: PEDIR UM TEMPO PRA ELA! (Mesmo com todas as consequências negativas)
2° Depois do TEMPO, se reerguer e seguir o show.
E não tem como pisar em Copa e não conectar que esse chão foi feito de camadas de exploração indígena e do povo afro, de ancestralidade silenciada.
Não tem mais como negar nosso sangue latino, que o Brasileiro ainda tenta diminuir.
O Rio de "janeiro", que tem a alma de Kota Kahuana, de língua indigena Aimará, da Bolívia, q remete a vista do Lago Titicaca, berço da civilização inca.
O brasileiro ainda tem essa mania de bater continência para o EUA. E ainda não entendeu a força da própria carne, e a dança, o corpo e as músicas da Shakira provoca isso em nós.
Vi gente fazendo comparações infames com o show da Gaga - mais uma forma de separar e enfraquecer as mulheres - a comparação.
A potência de Shakira é diferente, não menos e nem mais. Mas com ela não é sobre a "performance", ela sobe ali de estatura corporal [pequena], sem saltos gigantes, sem figurinos gigantes, sem cenários, sem bailarinos (a não ser os que mereceram) e mostra que a potência real não precisa de excessos.
A história dela me toca, pela força q vem da vulnerabilidade de não esconder oq passou, de expor as feridas e fazer alquimia.
A misoginia exige que a mulher brilhe para eles, q ela seja potência apenas de utilidade, para nutrir a família, o homem, o sistema. Enquanto a gente serve, seremos "rainhas".
Mas se a gente corta a fonte energética de suprimento pra misoginia, facilmente viramos Bruxas, traidoras, interesseiras e LOKAS.
A misoginia é o medo da mulher que descobre que não precisa ser útil!
Shakira em Copa foi um grito para as mulheres, que temos q ter autonomia financeira e emocional para enfrentar a perversidade da misoginia.
Foi bruxaria a beira mar !