08/06/2021
Voltar ou não voltar à situação traumática da pessoa em análise?
Na leitura da obra "Ab-reação, análise dos sonhos e transferência" de Carl Gustav Jung o que encontramos é um pensamento provocativo do autor: o mais importante não é voltar ao trauma, mas proporcionar um modo de vida possível no presente.
Nós procuramos pelas origens porque acreditamos que na gênese das coisas encontraremos uma resolução. Mas nem sempre chegar à raíz de algo traz mudanças.
É importante aqui frisar o trecho "nem sempre". Jung nos expõe então que é importante conhecer o mais profundo possível a história de vida da pessoa em análise, todavia estimular a repetição dramática do momento traumático, isto é, provocar a ab-reação, não é o único caminho nem o mais importante.
Muitos são os casos em que o funcionamento doentio, que fragmenta o ser por dentro, antecede o trauma, portanto focar em "unir as partes" do ser é mais benéfico do que reviver momentos de pura tensão e sofrimento.
Ajudar o ser a integrar todas as suas vivências ao invés de negá-las traz para este maior concórdia consigo mesmo.
Isso nos deixa uma importante lição: uma análise bem sucedida é aquela que traz condições do ser viver o aqui-agora e sentir-se livre da dominação do passado, nutrindo esperança do sentir-se mais inteiro e realizado.
Por
Na imagem, arte de Jakub Kujawa