09/08/2020
🙋🏼♀️ Nesses anos de atuação na clínica infantil, raramente recebi a ligação de um pai para agendar o processo terapêutico para seu filho. Em geral, isso é feito pela mãe. Quando eu sinalizo a importância do papel do pai e mãe, frequentemente eu ouço: “acho difícil ele ir, porque estará no trabalho”.
📖 Entenda um pouco porque isso acontece (historicamente)...
📝 Até as décadas de 1960/70, os estudos sobre o desenvolvimento da criança praticamente excluíam o pai e enfatizavam a díade mãe x criança. Apontavam a mãe como responsável pelas atividades domésticas, cuidado das crianças e por suprir as necessidades emocionais dos filhos, enquanto pai era o provedor da família, servindo de modelo de realização profissional.
📝Porém, em consequência de inúmeras transformações socioculturais, econômicas e ideológicas, as mulheres começam a se inserir no mercado de trabalho e ser provedores, e então cria-se também a expectativa de que o pai assumisse também muitas tarefas anteriormente pertencentes à esfera feminina.
📝 Contudo, mesmo com alguns avanços na participação do pai no contexto familiar, aquele modelo de organização familiar da década de 1950 permanece até hoje.
📝 Lewis e Dessen (1999) afirmam que a crença de que os homens são incapazes de cuidar dos filhos acaba, em muitos casos, por excluí-los das tarefas de cuidar. Sua participação é mais ativa em ocasiões “especiais” (ex: adoecimento), embora seja muito comum ainda a mãe no papel principal e pai com uma função de coadjuvante.
‼️ É importante salientar, porém, que o pai não pode ser visto apenas como um coadjuvante no cuidado e apoio à mãe, pelo contrário, precisa assumir a função de pai na relação com os filhos, oferecendo amor, estabelecendo regras e limites, ajudando na construção da autoestima e autoconfiança, oferecendo “ombro” nas horas difíceis, vibrando nas pequenas conquistas diárias...
💟 Pai, assim como a mãe, deve assumir seu papel de partícipe ativo do desenvolvimento, porque influencia e é influenciado em sua interação direta com a criança. Ambos precisam assumir o protagonismo na vida dos seus filhos.
Continuação nos comentários...