Dra Luíza Alves Corazza - Neurologia Clínica

Dra Luíza Alves Corazza - Neurologia Clínica Neurologista Clínica. Será um prazer atendê-lo (a)!

Quando o pescoço puxa sozinho, não é apenas tensão ou má postura. Na distonia cervical, músculos do pescoço se contraem ...
21/08/2026

Quando o pescoço puxa sozinho, não é apenas tensão ou má postura. Na distonia cervical, músculos do pescoço se contraem de forma involuntária e podem fazer a cabeça virar, inclinar ou se deslocar sem que a pessoa queira.

Dor, desconforto e constrangimento podem acompanhar essa experiência. Muitas pessoas tentam corrigir o movimento à força ou esperam que ele desapareça, mas o sintoma merece avaliação neurológica.

Perceber quando começou, em quais situações piora e como interfere na rotina ajuda na investigação. Não é falta de alongamento, disciplina ou resistência. Ser levado a sério também faz parte do cuidado.

20/08/2026

O exame neurológico começa antes do consultório.

O que você traz na consulta importa tanto quanto o que é avaliado nela. A história clínica, quando o sintoma começou, se piora ao longo do dia, se tem gatilhos, é tão diagnóstica quanto qualquer exame de imagem.

O problema é que sintomas neurológicos são difíceis de narrar. A memória sob pressão falha. A vergonha filtra. A ansiedade embaralha.

Anotar antes de sair de casa não é frescura. É garantir que o tempo que você esperou pra ter essa consulta seja aproveitado do jeito certo.

Precisar de silêncio e tempo sozinho depois de socializar não signif**a falta de carinho. Para alguns adultos autistas, ...
19/08/2026

Precisar de silêncio e tempo sozinho depois de socializar não signif**a falta de carinho. Para alguns adultos autistas, conversar, interpretar sinais sociais e acompanhar o ritmo do grupo exige uma energia que nem sempre aparece para
quem está olhando de fora.

O descanso depois de um encontro pode ser a forma de reduzir estímulos, recuperar o equilíbrio e voltar a si. Respeitar esse intervalo não afasta vínculos. Ao contrário, ajuda a construir relações mais seguras, nas quais a pessoa não precisa ultrapassar seus limites para demonstrar afeto.

Nem toda pausa é rejeição. Às vezes, é apenas cuidado.



18/08/2026

Famílias que não sabem o que está acontecendo não podem ajudar.

Às vezes reforçam sem querer as narrativas que mais machucam: "você sempre foi exagerado", "é só questão de disciplina", "todo mundo se cansa". Não por malícia. Por falta de informação.

Contar é difícil. Mas o silêncio tem um custo. Esse custo costuma ser pago em isolamento, em consultas prejudicadas pela ausência de contexto, em adesão ao tratamento comprometida por falta de rede de apoio.

Você não precisa ter a conversa perfeita. Precisa ter a conversa.

No Parkinson, algumas pessoas podem percebermovimentos involuntários excessivos depois deum período de tratamento. Eles ...
17/08/2026

No Parkinson, algumas pessoas podem perceber
movimentos involuntários excessivos depois de
um período de tratamento. Eles podem aparecer
como balanços, torções ou gestos que não
obedecem ao comando e são chamados de
discinesias.

Isso não signif**a, automaticamente, que o
tratamento deu errado. Pode indicar que o
momento da doença, a rotina e a resposta do
organismo precisam ser revistos em conjunto. O
mais importante é observar o impacto desses
movimentos na alimentação, na fala, no sono, no
conforto e na segurança.

Anotar horários, duração e relação com os
medicamentos ajuda muito na consulta. Não
ajuste a medicação por conta própria. Cada
mudança precisa considerar a história inteira.



Essa frase parece simples. Mas ela carrega algo que muita gente nunca ouviu.A força de vontade não existe no vácuo. Ela ...
14/08/2026

Essa frase parece simples. Mas ela carrega algo que muita gente nunca ouviu.

A força de vontade não existe no vácuo. Ela depende de circuitos neurobiológicos funcionando: dopamina disponível nos lugares certos, conexões entre córtex pré-frontal e sistema límbico equilibradas, sistemas de recompensa respondendo ao estímulo adequado.

Quando esses circuitos estão comprometidos, a instrução "é só se esforçar mais" não tem onde aterrissar. Não é falta de tentativa. O esforço existe. O recurso biológico pra sustentar esse esforço é que não está disponível.

E o que acontece quando alguém passa anos tentando fazer funcionar um sistema que não tem o que precisa? Vergonha. A vergonha de saber o que deveria ser feito e não conseguir fazer. Essa vergonha acumulada tem peso clínico.

Parkinson, TDAH, depressão. Condições diferentes, mecanismos diferentes, mas com o mesmo resultado na vida de quem convive: a culpa recaindo sobre quem menos pode por isso.

Não é fraqueza. É neurologia. E neurologia tem tratamento.

13/08/2026

A acessibilidade que pessoas autistas precisam raramente aparece no debate público.

Não é sobre rampas. É sobre ambientes que não disparam sobrecarga sensorial antes mesmo de chegar ao balcão de atendimento. É sobre comunicação que não exige leitura de subentendidos. É sobre filas que não cobram, por horas, um nível de regulação que algumas pessoas simplesmente não têm como sustentar.

Quando uma lei municipal começa a endereçar isso, está reconhecendo que inclusão tem infraestrutura. E que infraestrutura muda quem consegue participar da cidade e quem f**a em casa por esgotamento antes de tentar.

Legislação é começo. Não é solução. Mas sem ela, a solução nem tem endereço.

Tropeçar, perder o equilíbrio, ter dificuldade pra andar no escuro. Esses sintomas são normalizados com mais frequência ...
12/08/2026

Tropeçar, perder o equilíbrio, ter dificuldade pra andar no escuro. Esses sintomas são normalizados com mais frequência do que deveriam. Envelhecimento, cansaço, falta de atenção.

Mas coordenação que piora tem causa. E a causa, na maioria das vezes, é tratável quando encontrada cedo.

Deficiência de B12 corrigida devolve sensibilidade. AVC tratado tem reabilitação. Doenças degenerativas têm manejo.

A investigação começa com o exame clínico e a disposição de não normalizar o que não precisa ser normal.

11/08/2026

Dois pacientes com o mesmo diagnóstico, a mesma medicação, a mesma dose. Resultados completamente diferentes.

Isso não é falha do tratamento. É neurobiologia. Cada cérebro tem uma composição de receptores, uma história clínica, uma carga de comorbidades que faz o ajuste terapêutico ser único pra cada pessoa. O que funciona em semanas pra um pode levar meses pra outro. E os dois estão certos.

O problema começa quando alguém com Parkinson compara seu tempo de ON com o de outro paciente. Ou quando alguém com TDAH compara a dose que precisa com a de um conhecido. Ou quando alguém com autismo mede seu progresso pela velocidade de outra pessoa.

Tratamento neurológico não é corrida. É calibração. E calibração exige paciência com o processo, não comparação com o vizinho.

Tremor que aparece por anos e nunca foi investigado gera um acúmulo silencioso de constrangimento, de adaptações, de coi...
10/08/2026

Tremor que aparece por anos e nunca foi investigado gera um acúmulo silencioso de constrangimento, de adaptações, de coisas que a pessoa para de fazer pra não precisar explicar.

Seja Parkinson ou Tremor Essencial, os dois têm diagnóstico. Os dois têm tratamento. E os dois merecem avaliação antes de qualquer conclusão tirada sozinho.

Não existe jeito de diferenciar os dois olhando só pro sintoma. O exame neurológico clínico é o que separa um do outro.

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