11/09/2026
Hoje, dia 11/09, participei da mesa “O pioneirismo de Lou Andreas-Salomé e Margarete Hilferding”, dentro do evento As Mulheres na Psicanálise, um espaço dedicado a resgatar pioneiras que a história oficial da psicanálise insistiu em apagar.
Minha fala, intitulada “Mulheres que ampliaram a escuta: pioneirismo psicanalítico diante das situações de ruptura”, partiu de um fio: a ruptura. Lou rompeu com a ideia de que existe um lugar fixo de onde se produz conhecimento. Margarete rompeu, sozinha diante de vinte homens em 1911, com o mito do amor materno como instinto pronto. Duas mulheres que ampliaram a escuta da psicanálise bem no ponto em que algo não cabia no que já estava dado como certo.
Escolhi conduzir minha fala emprestando uma imagem do coletivo BordAzul, bordadeiras do Riacho Doce (Maceió). Toda vez que uma ruptura se fazia presente, na vida da Lou, na da Margarete, ou no meu próprio trabalho com o desastre socioambiental provocado pela mineração da Braskem, eu marcava um “ponto de bordado”, como quem dá um ponto novo no tecido, sinalizando onde a linha estava passando. Alguns pontos vinham com nó, marcando as amarrações mais importantes, até fechar o desenho inteiro no final, assim como elas fazem com a memória do bairro delas, promovendo reparação em saúde mental: não pra esconder a ruptura embaixo da linha, mas pra dar forma visível a ela.
Finalizei minha reflexão lendo “Sereia”, poema lindo da Ninna Bernardes, do próprio livro do coletivo - “Navegantes Negras”.
Que sigamos bordando o que a história insistiu em desfiar, ponto a ponto, nó a nó, até que cada ruptura vire desenho, e cada mulher apagada, memória viva. 💐