20/08/2026
Hoje foi daqueles dias em que a gente sai da aula olhando para a clínica com outros olhos.
Tive uma aula especial sobre procedimentos para alívio rápido da dor, no meu curso de especialização em DTM e Dor Orofacial, e uma ideia ficou muito clara: quando falamos de ATM, nem sempre o que aparece no exame explica, sozinho, a dor que a pessoa sente.
Falamos sobre ressonância e tomografia, deslocamento do disco, bloqueios articulares, artrocentese, artroscopia e até reconstrução da ATM com próteses. Mas, entre tanta tecnologia, uma mensagem simples merece ser compartilhada:
Não tratamos uma imagem. Tratamos uma pessoa.
Um disco deslocado não significa automaticamente cirurgia. Uma alteração na ressonância precisa conversar com os sintomas, com a função da mandíbula e com a história daquele paciente.
E mesmo quando existe indicação para um procedimento, como a artrocentese ou a artroscopia, o tratamento não termina ali.
Hábitos, sobrecarga, padrões de movimento, estresse, fisioterapia e acompanhamento continuam fazendo parte do cuidado. Porque podemos aliviar a consequência, mas, se os fatores que mantêm o problema continuarem presentes, a dor pode voltar.
Talvez essa seja uma das partes mais interessantes da DTM: a ATM é pequena, mas o raciocínio para cuidar dela precisa enxergar o paciente por inteiro.
Seguimos estudando. Quanto mais aprendo sobre dor orofacial, mais percebo que um bom tratamento começa muito antes de qualquer procedimento.