13/08/2026
“Eu sempre dei conta. Não entendo por que agora tudo parece tão difícil.”
Tenho escutado essa frase, ou versões muito parecidas dela, de muitas mulheres entre os 40 e 50 anos que chegam ao consultório relatando cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração, sono ruim, ansiedade e uma sensação de que já não possuem a mesma capacidade para sustentar as demandas de antes.
E essa discussão também me atravessa pessoalmente, porque eu estou vivendo essa fase.
A perimenopausa não acontece apenas nos ovários. O cérebro também responde às mudanças neuroendócrinas dessa transição, e pesquisas da neurocientista Lisa Mosconi vêm mostrando alterações em aspectos relacionados à estrutura, conectividade e metabolismo energético cerebral, acompanhadas também por processos de adaptação.
Mas isso não significa que “são apenas os hormônios”.
A mulher atravessa essa transição dentro de uma vida que continua acontecendo: trabalho, filhos, relacionamentos, responsabilidades, preocupações, noites mal dormidas e, muitas vezes, anos funcionando sob alta exigência.
Quando o sono começa a ficar mais vulnerável, sintomas físicos aparecem e o organismo atravessa mudanças enquanto a mulher continua tentando sustentar exatamente o mesmo ritmo, o custo desse funcionamento pode aumentar.
E existe um risco: interpretar essa experiência como perda de competência.
Então ela se cobra mais justamente quando talvez precise compreender melhor o que está acontecendo.
Nem todo cansaço depois dos 40 é perimenopausa e fadiga persistente precisa ser adequadamente investigada. Mas também não deveríamos continuar olhando para mulheres nessa fase sem considerar a transição menopausal como parte do raciocínio.
Talvez algumas mulheres não estejam simplesmente “aguentando menos”.
Talvez estejam tentando sustentar muito, por muito tempo, enquanto corpo, cérebro, sono, contexto hormonal e demandas da vida atravessam mudanças simultaneamente.
Antes de se cobrar para voltar a funcionar como antes, talvez seja importante compreender o que mudou.
Você percebeu alguma mudança na sua energia, no sono ou na capacidade de lidar com as demandas depois dos 40?