30/10/2020
John Clark (Richard Gere), um homem de meia-idade, bem-sucedido profissionalmente, se vê preso ao vazio de seu casamento e principalmente de sua rotina, casa/trabalho, trabalho/casa. Seu emprego lhe oferece tudo que qualquer profissional anseia, mas ele está num momento da vida que os questionamentos precisam ser respondidos e a buscar pela felicidade começa a querer respostas.
John, queria algo mais da vida, queria descobrir o sentido para sua existência depois do casamento, depois dos filhos, depois de uma carreira bem-sucedida. O topo lhe parecia solitário e seus questionamentos sobre a jornada feita até ali, não o deixava sossegado, então ele foi atrás do que faltava.
Para muitos, poderia ser só uma crise de meia idade, mas pela percepção que o personagem passa, é algo a mais, é uma busca pelo prazer de se sentir realizado, não pelos títulos, não pelas coisas que fez pelos outros, mas por aquilo que plantou dentro de si.
E foi justamente esse querer se descobrir que o levou a fazer algo diferente, então foi depois de olhar pela janela do trem tantas e tantas vezes uma bela dançarina de nome Paulina, interpretada nada mais nada menos que (Jennifer Lopez), que mesmo entre sua timidez de um homem maduro, diante de uma bela mulher, fez com que ele quebrasse o ciclo do qual estava acostumado e se interessasse pelo prazer da dança como resposta para seus anseios.
John, acreditada inicialmente que seu interesse era por Paulina e mesmo de forma tímida foi se entregando ao que realmente queria, algo que lhe mostrasse o quanto é bom estar vivo. Esse é o foco central que quero trazer para vocês. Quantas coisas dentro da nossa realidade nos intriga e mesmo assim seguimos nossos dias cansados, sem se preocupar com o que estamos fazendo de nossas vidas.
Coisas pequenas e insignificantes ocupando por vezes, nós mesmos, a família e os amigos, momentos que dinheiro nenhum pode comprar, instantes que logo, logo serão fotografias empoeiradas junto a saudade, pressas a um quadro empoeirado de uma sala vazia, pois já não se houve os gritos das crianças.
Foi isso que o John quis trazer ao sair de seu mundo apático e triste e ir atrás de alguma coisa que lhe trouxesse de volta a alegria pela vida, pela esposa e os amigos. Ele precisava fazer algo por ele e para ele, John passou a vida toda se preocupando com os outros, com a carreira e se esqueceu de si, e quis recuperar a vida e seu sentido. Do seu modo, ele reaprendeu amar não só a família que tinha, os amigos que tinha, ele aprendeu sobre amar a si mesmo.
Ele entendeu que nunca é tarde para descobrir a nossa alegria, seja na dança, em algum esporte, escrever um livro ou qualquer outra coisa que você queira fazer. Que a gente consiga aprender com o passado, mas não nos 45 minutos do segundo tempo. É preciso apreciar a vida pelo que ela é. Seja cada um a beleza de sua própria vida, sem encher o outro de cobranças absurdas e expectativas impossíveis.
Precisamos de mais ‘’Johns’’ por aí, descobrindo a vida em seu melhor momento.
Filme (Dança Comigo)