12/09/2026
Quando a babá deixa a família de forma repentina, muitos pais se perguntam: meu filho vai sofrer? Vai esquecer? Como vai ser com a próxima?
O vínculo é real. Crianças pequenas criam apego a cuidadores além dos pais, principalmente quando o cuidado acontece em casa e por muito tempo. Mas os pais continuam sendo a base mais importante.
A reação depende da idade. Bebês costumam mudar o sono e o apetite. Entre 1 e 3 anos, são comuns choro, procura pela babá, regressões e rejeição à nova cuidadora. A partir dos 3 anos, aparecem perguntas e, às vezes, a ideia de que a culpa foi deles.
O que costuma ajudar:
Explicar com verdade e poucas palavras. Por exemplo: "A [nome] não vai mais trabalhar aqui em casa. Não foi por nada que você fez. Tudo bem sentir saudade. Papai e mamãe continuam aqui."
Evitar "ela viajou" ou "ela volta logo", que criam uma espera sem fim. Não falar mal da ex-babá na frente da criança.
Manter as rotinas e estar mais presente nos primeiros dias.
Apresentar a nova babá aos poucos: primeiro brincando junto, depois assumindo cuidados com os pais por perto e, só então, separações curtas e crescentes. Adapte esse ritmo à sua criança.
Despedir-se sempre. Sair escondido aumenta a insegurança.
Choro no começo não significa que deu errado. A reorganização leva tempo: em um estudo sobre entrada na creche, o cortisol das crianças já havia voltado a níveis baixos na reavaliação de 3 meses.
Procure avaliação se os sintomas não melhoram com as semanas, se há perda de habilidades já adquiridas, isolamento persistente ou algo que preocupe. Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que já têm mais dificuldade com mudanças, merecem atenção especial.
Conteúdo educativo, não substitui avaliação individual. Referências no comentário fixado.
Dr. Felipe Folha · Neurologista Infantil · CRM-SP 178195 · RQE 81101-1