Psicóloga Lucília Ribeiro

Psicóloga Lucília Ribeiro Psicóloga, pós graduada em Análise do Comportamento Aplicada pelo CBI of Miami, cursando atualmente a especialização em Neuropsicologia.

Atua com atendimentos 100% online pela perspectiva da ACT.

24/07/2026

Uma das maiores frustrações de quem sofre é tentar fazer um pensamento desaparecer.

“Eu não sou suficiente.”

“Vou ser rejeitado.”

“Sempre estrago tudo.”

Quanto mais a pessoa tenta provar para si mesma que esses pensamentos estão errados, mais tempo acaba passando discutindo com a própria mente.

Na ACT, seguimos outro caminho.

Em vez de perguntar:

“Como faço para nunca mais pensar isso?”

Perguntamos:

“O que acontece quando eu acredito que esse pensamento precisa decidir a minha vida?”

Essa mudança parece pequena, mas transforma completamente o processo terapêutico.

Porque pensamentos são produtos da nossa história de aprendizagem. Eles surgem automaticamente, muitas vezes sem que a gente escolha.

O que pode ser desenvolvido é a capacidade de percebê-los sem tratá-los como ordens, diagnósticos ou verdades absolutas.

Isso não signif**a se conformar.

Nem fingir que eles não existem.

Signif**a criar espaço para escolher como agir, mesmo quando eles aparecem.

Do ponto de vista da neurociência, isso faz sentido: o cérebro muda por repetição. Cada vez que você responde de uma forma diferente a uma velha história, fortalece um novo caminho.

A história antiga pode continuar existindo.

Mas ela deixa de ocupar o centro da sua vida.

E talvez essa seja uma das transformações mais importantes que a terapia pode oferecer: não apagar o passado, mas devolver a você a liberdade de não ser definido por ele.

22/07/2026

Existe um motivo pelo qual algumas histórias sobre você parecem tão difíceis de abandonar.

Não é porque elas sejam verdadeiras.

É porque elas foram repetidas muitas vezes.

O cérebro aprende por repetição.

Quanto mais um caminho é percorrido, mais automático ele se torna. Esse princípio explica desde aprender a dirigir até desenvolver uma habilidade profissional.

Mas ele também se aplica às histórias que contamos sobre nós mesmos.

Se, durante anos, você interpretou diferentes situações como uma confirmação de que “não é suficiente”, “sempre será rejeitado” ou “precisa ser perfeito”, seu cérebro passa a usar essas conclusões como atalhos.

E o curioso é que, depois de um tempo, ele para de perguntar:

“Isso ainda faz sentido?”

Ele apenas reconhece o padrão e responde da mesma forma.

É por isso que algumas pessoas continuam se sentindo incapazes mesmo depois de tantas conquistas.

Ou continuam esperando rejeição mesmo estando cercadas por relações saudáveis.

Não porque o presente confirme essa história.

Mas porque o cérebro ainda está usando um mapa desenhado no passado.

A boa notícia é que aprender não é um processo que termina na infância.

O cérebro continua mudando ao longo da vida.

E, na terapia, muitas vezes o trabalho não é convencer você de que essa história é falsa.

É ajudá-lo a perceber que ela é apenas uma das formas que sua mente encontrou para explicar experiências antigas e que existem outras maneiras de olhar para si mesmo, mais compatíveis com quem você é hoje.

20/07/2026

Nem sempre a dor permanece.

Às vezes, o que permanece é a forma como aprendemos a nos proteger dela.

Você evita conversar sobre certos assuntos, se sente excessivamente afetado por pequenas críticas ou conclui rapidamente que “é assim que eu sou”. É fácil acreditar que isso faz parte da sua personalidade.

Mas, muitas vezes, esses padrões são estratégias que o cérebro desenvolveu para antecipar sofrimento.

Quando uma experiência foi muito dolorosa, o cérebro passa a procurar situações parecidas para evitar que ela aconteça novamente. O problema é que ele não diferencia perfeitamente o passado do presente. Basta algo lembrar aquela experiência para o sistema de ameaça disparar antes mesmo que você tenha tempo de avaliar se realmente existe perigo.

É por isso que, às vezes, uma crítica parece devastadora.

Um silêncio parece rejeição.

Um erro parece uma prova de incapacidade.

Não porque essas situações definem quem você é, mas porque ativam uma história antiga que o cérebro aprendeu a reconhecer como ameaça.

Na terapia, o objetivo não é eliminar esse sistema de proteção.

É ajudar você a perceber quando ele está respondendo ao passado, e não ao presente.

Porque existe uma diferença importante entre quem você é e a forma como seu cérebro aprendeu a protegê-lo.

E essa diferença pode mudar completamente a maneira como você vive.

18/07/2026

Uma das coisas mais difíceis na terapia é que as pessoas raramente chegam dizendo:

“Eu acredito em uma história sobre mim.”

Elas chegam dizendo:

“Eu sou assim.”

E existe uma diferença enorme entre essas duas frases.

Quando uma experiência dolorosa se repete ou tem um impacto muito intenso, nosso cérebro tenta dar sentido ao que aconteceu. Muitas vezes, esse sentido assume a forma de uma conclusão sobre quem somos:

“Eu não sou suficiente.”

“Eu sou difícil de amar.”

“Eu sempre estrago tudo.”

O problema é que o cérebro fortalece aquilo que é repetido.

Cada vez que uma nova situação ativa essa mesma conclusão, ela f**a um pouco mais automática. Com o tempo, deixamos de perceber que aquilo começou como uma interpretação e passamos a tratá-la como um fato.

É por isso que essas histórias parecem tão verdadeiras.

Não porque descrevem quem você é.

Mas porque foram praticadas inúmeras vezes.

A boa notícia é que o cérebro continua aprendendo ao longo da vida.

Isso signif**a que novas formas de se relacionar com essas histórias também podem ser construídas.

E, aos poucos, aquilo que antes parecia uma identidade pode voltar a ser apenas uma história que a sua mente aprendeu a contar.

13/07/2026

A dor passa porque memórias específ**as tendem a perder força com o tempo. Mas a conclusão tirada dessa dor pode f**ar, porque é revisitada e reforçada muitas vezes, virando um padrão mais resistente do que a lembrança original. Nos próximos dias eu vou destrinchar como isso acontece e como a psicoterapia pode te ajudar nesse processo.

10/07/2026

Existe uma diferença importante entre ter um pensamento e acreditar que esse pensamento é quem você é.

Ninguém nasce olhando para si mesmo com desprezo.

A forma como falamos conosco é construída ao longo da vida, principalmente nas relações em que aprendemos o que signif**ava errar, decepcionar ou não corresponder às expectativas.

Quando uma criança cresce ouvindo críticas constantes, comparações ou percebendo que precisa ser perfeita para ser aceita, ela não aprende apenas um comportamento. Ela aprende uma forma de se enxergar.

Com o tempo, a autocrítica deixa de soar como uma opinião e passa a parecer uma verdade.

É por isso que simplesmente tentar “pensar positivo” costuma falhar.

Porque o problema não está na existência dos pensamentos, mas na relação que construímos com eles.

Na ACT, um dos objetivos da terapia não é fazer sua mente parar de produzir autocríticas. É ajudá-lo a perceber que elas são produtos da sua história de aprendizagem, e não definições da sua identidade.

Aquilo que foi aprendido também pode ser reaprendido.

Mas esse processo começa quando você deixa de perguntar:

“Como faço essa voz desaparecer?”

E passa a perguntar:

“Preciso continuar vivendo como se ela sempre estivesse certa?”

09/07/2026

Muitas pessoas chegam à terapia dizendo:

“Eu sei que estou exagerando, mas meu corpo reage como se fosse o fim do mundo.”

Na maioria das vezes, isso não acontece por falta de racionalidade.

Acontece porque o cérebro foi moldado para proteger você.

Ao longo da nossa evolução, ser rejeitado pelo grupo podia representar um risco real para a sobrevivência. Por isso, experiências como crítica, exclusão e vergonha ativam sistemas cerebrais relacionados à ameaça.

O problema começa quando essa reação continua acontecendo mesmo em situações que já não representam um perigo real.

Um comentário vira uma prova de incapacidade.

Um erro vira um sinal de fracasso.

Uma rejeição vira uma definição de quem você é.

A terapia não busca eliminar essas reações automáticas.

Ela ajuda a construir uma relação diferente com elas, para que seu sistema nervoso deixe de organizar sua vida em torno da evitação e volte a abrir espaço para escolhas guiadas pelos seus valores.

Nem toda sensação de ameaça signif**a que você está em perigo.

08/07/2026

Nossa mente produz milhares de pensamentos todos os dias.

Ela faz previsões.

Cria hipóteses.

Imagina cenários.

Conta histórias.

Isso não é um defeito.

É uma característica do funcionamento humano.

O sofrimento costuma aumentar quando deixamos de perceber que pensamentos são eventos mentais e começamos a tratá-los como verdades absolutas.

“Vou fracassar.”

“Ninguém gosta de mim.”

“Não sou suficiente.”

Quanto mais acreditamos automaticamente nessas histórias, menor f**a o espaço para agir de acordo com aquilo que realmente importa.

Na ACT, chamamos esse processo de fusão cognitiva: quando f**amos tão misturados aos nossos pensamentos que perdemos a capacidade de observá-los com alguma distância.

O objetivo da terapia não é esvaziar a mente.

É ampliar a liberdade para que seus pensamentos deixem de determinar, sozinhos, as escolhas que você faz.

Porque pensar é inevitável.

Mas obedecer a tudo o que a mente diz não é.

🩷🧠

24/06/2026

Eu aposto que você não falaria desse jeito com seus amigos! Então que tal começar a se tratar com a mesma gentileza que você oferece aos outros? 🤔💭

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