14/08/2026
Talvez uma das coisas mais difíceis da infância seja não ter repertório para entender o que está acontecendo.
Então a criança cria explicações.
Se não consigo me enturmar, o problema deve ser comigo.
Se penso demais antes de falar, devo ser insegura.
Se me sinto diferente, deve ter alguma coisa errada em mim.
E o problema é que algumas dessas conclusões sobrevivem à infância.
Anos depois, você pode continuar tentando ser mais interessante, mais fácil de gostar, mais segura, mais agradável, mais “normal”…
sem perceber que ainda está tentando corrigir aquela criança.
Na terapia, muitas vezes, o trabalho não começa mudando quem você é.
Começa entendendo quando você aprendeu que precisava ser diferente para estar tudo bem com você.
E talvez essa seja uma pergunta importante: quantas coisas você ainda tenta consertar em si porque um dia acreditou que eram defeitos?