28/07/2026
A dificuldade em dizer não surge muitas vezes do receio de desagradar o outro e, consequentemente, de que imagem será transmitida a esse outro se eu o desagradar.
Na tentativa de sustentar essa imagem idealizada — a do filho perfeito, da parceira compreensiva, do profissional incansável — cedemos com um sim quando, lá no fundo, preferiríamos recusar.
Tememos que o nosso não leve o outro a retirar o afeto, nos rejeitar ou nos abandonar. Assim, consideramos mais fácil atender ao que esperam de nós do que enfrentar a angústia de sustentar o nosso próprio desejo.
Mas um sim dito pelo medo de desagradar é um não doloroso imposto a si mesmo. Uma atitude que cobra seu preço, afetando o sujeito de diferentes maneiras: ansiedade, ressentimento e sintomas que insistem em aparecer.
Aprender a dizer não é aprender a demarcar limites. É aceitar que não podemos satisfazer a todos e que a aprovação do outro não pode custar o nosso próprio apagamento. É reconhecer que, por mais “sins” que digamos, ainda assim vamos desagradar em algum momento. Isso está posto, faz parte das relações humanas.
Assumir os próprios limites é o primeiro passo para sair do lugar de subserviência e se posicionar como um sujeito responsável pelo seu próprio desejo.
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