30/07/2026
Se tem uma coisa que quem já ficou um tempo em análise percebe é que mudar não é simples ato de vontade.
Mesmo buscando simplificações e sentidos, com a finalidade de reduzir a multidão que somos e de atribuir alguma previsibilidade à ficção que criamos para existir, somos feitos de complexidades.
E é nelas que esbarramos quando, mesmo desejando outra vida, patinamos em repetições.
Por que você quer mudar? Que benefícios essa mudança lhe traria? O que não suporta em si, você realmente não suporta, ou essa ideia surgiu a partir da vergonha e da coerção social? E, neste caso, há realmente desejo de mudar ou apenas de ser aceito como se é, sem tanta cobrança?
Essas perguntas importam porque é fácil confundir o desejo por mudança com a adaptação à lógica produtivista quando cada traço do sujeito precisa ser transformado em um projeto de melhoria.
Mudar o mindset, alcançar todo o seu potencial e tornar-se sua melhor versão seguindo apenas alguns passos. Essas são ideias que vendem bem. O que não é tão vendável assim, nos adverte o psicanalista Adam Phillips, é que mudar é perder. E não é fácil se despedir de um velho conhecido.
✍️ Ana Cristina Maia