17/09/2025
Autoestima e autocompaixão são caminhos bem diferentes para lidar com nosso valor pessoal. A autoestima, tão valorizada em nossa cultura, funciona como um julgamento:
sou bom ou não?
Capaz ou não?
Bonita ou não?
Para sustentá-la, precisamos de aprovação constante, como se nossa dignidade dependesse sempre do sucesso.
O problema é que manter uma autoestima elevada costuma exigir que nos sintamos “acima da média” o que é logicamente impossível.
Assim, entramos em um ciclo de comparações sociais, quase sempre contra padrões inalcançáveis, sobretudo de beleza, e nos sentimos insuficientes.
Quando o valor próprio se apoia apenas no sucesso, cada falha se torna um terremoto emocional.
A autoestima está presente na vitória, mas nos abandona nos tropeços.
Isso gera frustração e transforma a vida numa montanha-russa desgastante, marcada pela sensação de nunca ser bom o bastante.
A autocompaixão oferece um caminho mais saudável. Em vez de julgar a si mesmo, trata-se de cultivar uma relação gentil com a própria experiência.
Ela se baseia em três pilares: bondade consigo, humanidade compartilhada e atenção plena.
Ser bondoso consigo ativa o sistema de cuidado do corpo, liberando oxitocina e trazendo calma.
Reconhecer a humanidade compartilhada dissolve o isolamento da vergonha: falhar e sofrer não são desvios, mas parte da vida. E a atenção plena nos ensina a acolher a experiência sem negar nem exagerar a dor, permitindo responder com cuidado em vez de reagir com autocrítica.
Pesquisas mostram que a autocompaixão está ligada a menos depressão e ansiedade, além de maior resiliência e satisfação.
Diferente da autoestima, não depende de sucesso, nem de comparações. É um recurso estável, acessível justamente nos momentos de falha.
Quando a autocrítica surgir, experimente o “intervalo de autocompaixão” que são:
1.Reconheça o sofrimento.
2.Lembre-se de que ele é parte da vida.
3.Ofereça bondade a si mesmo.
O bem-estar duradouro não está em ser o melhor, mas em ser humano.
Psicóloga Elaine Rosa