Psicanálise Freudiana

Psicanálise Freudiana Adam Phillips escreve: “O repertório pode ser mais útil do que uma convicção”. Na arte da escuta sensível, o repertório é mais útil do que uma convicção.

Capazes de aguçar a sensibilidade que já temos, mas que muitas vezes se rendem a obtusas convicções

20/10/2024

"Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares [...] A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento [...] Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância..."
- Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

A quem possa interessar: As obras de Freud caíram em domínio público em 01 de Janeiro de 2010. Ou seja, a partir deste m...
20/10/2024

A quem possa interessar:

As obras de Freud caíram em domínio público em 01 de Janeiro de 2010. Ou seja, a partir deste momento a propriedade intelectual e cessada, podendo ser livremente utilizada. Abaixo está disponibilizada para download a Obra Completa (23 volumes) e também a obra dividida em volumes.

12/10/2024

12/10/2024

Indicação do Livro: Capitalismo como religião.
Walter Benjamin, intérprete do capitalismo como religião

12/10/2024

Aprisionamentos Psíquicos nas Estruturas Religiosas

A gravidade de todas as neuroses e psicoses quem determina é a instância do superego (Freud, 1925). Dentro da clínica psicanalítica temos diversos relatos de experiências de adultos que trazem suas experiências de quando criança, com teor de cargas se***is. O adulto traz esses conteúdos envolto de constrangimento, acreditando que algo condenável esteve com ele constantemente e que sabe que a vida inteira foi punida por ter pensamentos com teor se***is, e pelos envolvimentos de brincadeiras também se***is. Acreditando que não estavam seguros nem nos seus quartos escuros onde descargas de pulsões libidinais, estivessem prestes a explodir no autoerotismo, acreditando que o olho do onipotente estivesse ali o observando, julgando e avaliando uma forma de castigar, punição que na mente do neurótico religioso, em constantes repetições na vida, atribuindo suas mazelas ao contexto das suas experiencias do desenvolvimento sexual ainda criança.

Dentro dessa castração nasce os diversos crimes se***is acobertado de uma moralidade representada tão bem dentro das igrejas. A moralidade consiste exatamente no indivíduo ser flagrado pela sua consciência e pelos outros, transgredindo em ações e atitudes, fazendo o que ele julga ser pecaminoso e indecente. Esse moralista torna-se um perigo não somente para si mesmo quanto para aqueles que estão sob a sua disciplina. Como um pai tentando impor uma moralidade e educando uma criança (Erikson, 1950). Nesse mesmo contexto vemos inúmeros casos desses moralistas, líderes religiosos escravizando crianças e mantendo-as reféns se***is. A religião sempre está mantida em casos onde há violência e vário tipos de atrocidades, percebemos que dentro de uma demanda na qual não se avalia com realidade e sim dentro de delírios, tornam-se sempre presas vulneráveis.

Quanto mais o indivíduo mantém distância do seu passado, sem reconhecer sua estrutura psíquica mais estará atrelado as circunstâncias que levará ao desespero e ao caminho das igrejas e similares. Quando não temos o reconhecimento de quem fomos deixando o passado distante da realidade de demanda construída, estaremos distantes de um futuro preciso. Sem falar das angústias, não se reconhece a base da qual foi construída. Manter distância de religiosos, consequentemente de igrejas e afins é o que torna a vida real. Com revisita ao nosso passado, nos aproximamos da nossa autenticidade, é o que exerce a prática psicanalítica freudiana: devolver o indivíduo para o próprio indivíduo, e não, ajustá-lo para devolver a sociedade. Sendo assim nossa carga pulsional, o mesmo que a Melanie Klein cita que “trazemos à luz uma quantidade correspondente de impulsos agressivos e reprimidos e podemos observar a conexão causal entre os temores da criança e suas tendências agressivas,” estará ao nosso alcance, conhecer os conteúdos que recalcamos nos permite reconhecer nossas transições de pulsão de vida e de morte, na realidade do nosso eu autêntico.

Quando se fala em análise, é possível que esses impulsos sejam reconhecidos e com isso chegamos perto das nossas transições, reconhecendo do quanto absurda a vida é, entretanto, um adulto autêntico estará mais saudável nas instituições já existentes na sociedade, principalmente nessas instituições religiões, que têm como objetivos: repressões e compensações, brotando o medo, a insegurança e a castração. Um adulto que se auto reconhece saberá fazer suas escolhas dentro dos seus próprios valores e sentimentos, e, consequentemente, a demanda será bem mais fácil de conduzir, ao menos reconhecendo uma realidade, podemos tentar ser senhores, na nossa própria casa (Freud, 1917).

04/10/2024

Por uma psicanálise da esperança

Defendo a tese de uma psicanálise da esperança. O medo é inimigo da vida, pois a paralisa. Paralisada, não deixa a fluir. A esperança sempre nos lança e nos joga para a vida! Não nos aliena e nem nos aprisiona. Ações impulsionadas pelo medo não são ações aptas para o futuro. As ações precisam de um horizonte de sentido, precisam ser narráveis. A esperança é eloquente. Ela narra. O medo, por outro lado, é incapaz de falar, incapaz de narrar.
A esperança também precisa ser diferenciada do “pensamento positivo” e da “psicologia positiva”. Em rejeição à psicologia do sofrimento, a psicologia positiva tenta se ocupar exclusivamente com o bem-estar e a felicidade. Pensamentos negativos devem ser imediatamente substituídos por pensamentos positivos; portanto, o objetivo da psicologia positiva é aumentar a felicidade. Aspectos negativos da vida são completamente desconsiderados e o mundo é representado como um grande armazém, onde obtemos tudo o que pedimos.
O pessimismo não difere fundamentalmente do otimismo. É sua contraparte espelhada, como já disse. Para o pessimista, o tempo também é fechado. Ele está encerrado no “tempo como prisão”. O pessimista rejeita tudo categoricamente, sem aspirar à renovação, sem permitir-se mundos possíveis. Ele é tão obstinado quanto o otimista, e tanto o otimista como o pessimista são cegos para possibilidades. Eles não conhecem nenhum evento que daria uma virada surpreendente ao curso das coisas. Eles não têm a fantasia do novo, a paixão pelo jamais sido.
A esperança, por outro lado, ergue indicadores e sinalizadores de caminhos. Somente na esperança estamos a caminho. "Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar"; não poderia haver descrição mais acertada da esperança, elaborada pelo poeta espanhol Antônio Machado. A esperança nos dá sentido e orientação. Por isso dizemos que tal pessoal é desorientada; querendo dizer que essa pessoa perdeu seu eixo orientador, ou seja: Sua esperança ativa.

Nietzsche explicita essa relação dialética entre esperança e desesperança da seguinte forma: A esperança é o arco-íris sobre o riacho íngreme da vida, engolida cem vezes pela espuma e sempre se recompondo de novo, e saltando por cima dele com bela e delicada audácia, onde ele brame de modo mais furioso e perigoso. Ela tem uma bela e delicada audácia. Quem espera age com audácia e não se deixa abalar pelo caráter escarpado e duro da vida.
Ao contrário do otimismo, que não carece de nada, que não está a caminho, a esperança representa um movimento de busca. É uma tentativa de ganhar apoio e direção. Nisso, ela também avança para o desconhecido, o não trilhado, o aberto, o que ainda-não-é, ultrapassando o sido, indo além do já existente. Ela se dirige ao não nascido e põe-se a caminho do novo, do completamente diferente, do nunca sido.
Assim, o otimista está acorrentado à sua alegria, assim como o condenado das galés ao seu remo – uma perspectiva bastante desoladora.
Ao contrário do pensamento positivo, a esperança não vira as costas para as negatividades da vida. Ela permanece ciente delas. Além disso, ela não isola as pessoas, mas as conecta e reconcilia. O sujeito da esperança é um nós.
Nietzsche compreende a esperança como um decidido sim à vida, digamos sim a vida com realismo. Com infinitas possibilidades. Isso é profundamente terapêutico e curativo.

(Reflexões do livro: O espírito da esperança: Contra a sociedade do medo - Byung-Chul Han), editora vozes.

24/09/2024

Nunca mais deixarei que alguém me fira ou bagunce minha vida.
Essa é uma promessa que faço a mim mesmo e a vou cumprir.
Tem algum problema se trate e depois venham conversar comigo.

Cotidianeidade e o Tempo Vivenciar a felicidade passa  pela tecetura do tempo. Nesse sentido, o tédio tem papel importan...
08/09/2024

Cotidianeidade e o Tempo

Vivenciar a felicidade passa pela tecetura do tempo. Nesse sentido, o tédio tem papel importante. Se pensarmos na literatura, em geral, o tédio não é exatamente um inferno. Até a ciência passou a levar o tédio mais a sério nas últimas décadas. Pesquisas recentes tratam o tédio como elemento positivo a fim de estimular a criatividade. O problema é a relação que se estabelece com o tédio. O tédio motiva as pessoas a abordar atividades novas e gratificantes. Em outras palavras, uma mente ociosa estará apta a ser criativa e não deixar que o sistema capitalista; o dê tudo pronto. Precisamos desse retorno do permanecer nas coisas e encontrar no cotidiano não a mentira da felicidade. Mas a realização humana, que não tem nada a ver com essa tal felicidade vendida e que nos obriga a sermos felizes a todo custo. Para Byung-Chul Han, a palavra felicidade (Glück) provém da palavra oco (Lücke). No médio alto alemão ainda se diz gelücke (felicidade-fortuna). Nesse sentido, uma sociedade que já não admitisse qualquer negatividade do oco ou da lacuna seria uma sociedade sem felicidade. O amor sem a lacuna do ver é pornografia; sem o oco ou lacuna no saber, o pensamento decai em cálculo e no faz perder o sentido da vida. (HAN, 2017, p. 17).

Byung-Chul Han e a hipercomunicação (Diálogos da Comunicação)) (Portuguese Edition) (p. 104). Paulus Editora. Edição do Kindle.

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