20/03/2026
𝐂𝐨𝐧𝐟𝐞𝐫ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐫𝐞𝐧𝐬𝐚 – 𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚çã𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐫𝐞𝐬𝐮𝐥𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐥𝐢𝐦𝐢𝐧𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐬𝐭𝐢𝐠𝐚çã𝐨 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐞𝐧𝐭𝐞𝐫𝐢𝐭𝐞𝐬 𝐧𝐚𝐬 𝐢𝐥𝐡𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐚𝐥 𝐞 𝐝𝐚 𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚.
O Ministério da Saúde de Cabo Verde, no âmbito das suas competências e em cumprimento do dever de informação pública, vem prestar os seguintes esclarecimentos sobre a situação epidemiológica relacionada com casos de gastroenterites nas ilhas do Sal e da Boavista.
Foi constituída uma equipa nacional multidisciplinar, composta por técnicos do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), da Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), da Direção Nacional da Saúde (DNS), da Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE) e da Organização Mundial da Saúde em Cabo Verde (OMS) para a realização de uma investigação técnico-científica da situação nas ilhas do Sal e da Boavista.
O país dispõe de capacidade técnica e científica para a investigação desse tipo de situação, contando com recursos humanos qualificados e meios laboratoriais adequados. Além disso, Cabo Verde mantém, através do serviço de vigilância, uma comunicação permanente com os serviços de vigilância epidemiológica da Europa no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional (RSI).
𝐀 𝐚𝐧á𝐥𝐢𝐬𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐝𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐬𝐢𝐬𝐭𝐞𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐯𝐢𝐠𝐢𝐥â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐩𝐚í𝐬 𝐧ã𝐨 𝐝𝐞𝐭𝐞𝐭𝐨𝐮 𝐚𝐥𝐭𝐞𝐫𝐚çõ𝐞𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐚𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐞𝐧𝐭𝐞𝐫𝐢𝐭𝐞𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐬𝐞 𝐩𝐞𝐫í𝐨𝐝𝐨 𝐧𝐚𝐬 𝐫𝐞𝐟𝐞𝐫𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐢𝐥𝐡𝐚𝐬. 𝐂𝐨𝐧𝐬𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧ã𝐨 𝐡á 𝐞𝐯𝐢𝐝ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐬𝐮𝐫𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐞𝐧𝐭𝐞𝐫𝐢𝐭𝐞𝐬 𝐧𝐚𝐬 𝐢𝐥𝐡𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐚𝐥 𝐞 𝐝𝐚 𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚, 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐧𝐝𝐨-𝐬𝐞 𝐮𝐦 𝐧ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐞𝐬𝐩𝐨𝐫á𝐝𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐚𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐞𝐫í𝐨𝐝𝐨.
No entanto, tendo em conta as informações recebidas no âmbito das atividades do RSI (Regulamento Sanitário Internacional) de que foram detetados alguns casos de gastroenterites em turistas europeus que recentemente estiveram nas ilhas do Sal e da Boavista, foi despoletado o reforço da investigação.
A investigação consistiu na coleta e análise de amostras de água de consumo humano, de alimentos frescos, de superfícies de manipulação, manipuladores, água de rega e amostras clínicas, totalizando 156 amostras.
Os resultados desta investigação apontam para a presença de Shigella spp. na cadeia de suprimento de alguns frescos nos hotéis. Na investigação realizada apurou-se que a água de consumo humano não apresenta contaminação. No entanto, com relação as amostras de água utilizada para a rega de produtos frescos foram detetadas a presença da bactéria.
A investigação identificou a espécie Shigella sonnei nas amostras. Essa espécie de bactéria tem maior predomínio na região Europeia, levantando a hipótese de uma introdução dessa espécie em Cabo Verde. As análises do genoma completo, que estão sendo realizadas neste momento nos laboratórios nacionais, ajudarão a elucidar essa hipótese.
𝐎𝐬 𝐫𝐞𝐬𝐮𝐥𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐥𝐢𝐦𝐢𝐧𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐢𝐧𝐝𝐢𝐜𝐚𝐦 𝐜𝐥𝐚𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐧ã𝐨 𝐡á 𝐮𝐦 𝐬𝐮𝐫𝐭𝐨 𝐚𝐭𝐮𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐒𝐡𝐢𝐠𝐞𝐥𝐥𝐚, 𝐚𝐩𝐞𝐬𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐬𝐞 𝐭𝐞𝐫 𝐝𝐞𝐭𝐞𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐚𝐬𝐨𝐬 𝐢𝐬𝐨𝐥𝐚𝐝𝐨𝐬, 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐚𝐦𝐢𝐧𝐚çã𝐨 𝐞𝐦 𝐚𝐦𝐨𝐬𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 á𝐠𝐮𝐚 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐠𝐚 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬 𝐟𝐫𝐞𝐬𝐜𝐨𝐬. 𝐓𝐫𝐚𝐧𝐪𝐮𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚-𝐬𝐞 𝐚 𝐩𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨, 𝐬𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐬𝐚𝐬 𝐬𝐢𝐭𝐮𝐚çõ𝐞𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐢𝐝𝐞𝐫𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐚𝐝𝐫𝐨 𝐝𝐚 𝐯𝐢𝐠𝐢𝐥â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐞𝐩𝐢𝐝𝐞𝐦𝐢𝐨𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐫𝐞𝐟𝐨𝐫ç𝐚-𝐬𝐞 𝐚 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐬𝐞 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐢𝐚𝐧ç𝐚 𝐧𝐚𝐬 𝐚𝐮𝐭𝐨𝐫𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐬𝐚𝐧𝐢𝐭á𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐢𝐬.
As autoridades sanitárias já emitiram um conjunto de recomendações e medidas a serem seguidas pelos operadores nomeadamente:
👉Reforço dos processos de desinfeção dos produtos frescos na cadeia de produção, importação e distribuição;
👉Reforço da vigilância laboratorial da qualidade dos produtos frescos nas ilhas implicadas, de forma a garantir a qualidade microbiológica destes e assegurar a segurança sanitária dos alimentos;
👉Reforço da vigilância epidemiológica específica para gastroenterites.
👉Reforço da fiscalização junto dos operadores económicos envolvidos na cadeia de produção, armazenamento e distribuição de alimentos.
O Ministério da Saúde reitera o seu compromisso com a transparência e a proteção da saúde pública, mantendo-se atento à evolução da situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança sanitária da população e dos visitantes.