21/06/2022
💔 Me afetou profundamente o caso que veio à tona esta semana, da menina catarinense que está sendo forçada pelo Estado a ter um filho apesar de ser ela mesma uma criança e de ter sido estuprada.
Porque me afeta muito ver um ser humano privado de sua posição de sujeito da própria vida 🔒, mais ainda quando esse sujeito é uma criança.
Fui uma criança viada. Adolescente também. Minha orientação sexual 🌈 sempre foi nítida. E o controle que sempre se tentou exercer sobre a minha sexualidade, também. A criança LGBT+ e as crianças lidas como meninas pela sociedade, todas conhecemos muito bem, cada caso com suas peculiaridades, o que é passar desde pressão psicológica e verbal até agressões físicas perpetradas por quem não nos reconhece como sujeitos.
Crescemos e seguimos sendo vistos/as como objetos: de desejo, de satisfação das mais diversas pulsões alheias. Objetos ❌ não sujeitos, não seres humanos. Mulheres e pessoas LGBT+ adultas podem lutar para fazer suas vozes serem ouvidas, mas quem vai tirar a mordaça e as correntes dessa menina?
Essa criança, que teve seu ab**to deliberadamente impedido para forçar o desenvolvimento do feto - segundo consta na documentação levantada pelo - forçosamente acabará tendo que parir. 👉 Em 2022, o Estado brasileiro, na figura de funcionárias/os do sistema judicial e de assistência social de Santa Catarina, está forçando uma criança de 11 anos a parir outra criança, para sustentar a visão de uma juíza que procura disfarçar suas pulsões perversas como uma deturpada fé cristã.
Toda essa 💩 é justificada por um mundo intangível: Deus e um feto se impõem sobre a realidade palpável de uma criança cujos traumas apenas se empilham um sobre o outro. Inconformado, incrédulo, indignado, assisto a mais uma tragédia brasileira.