06/05/2026
Hoje, 6 de maio, celebramos o Dia do Psicanalista. A data remete ao nascimento de Sigmund Freud, em 1856, aquele que inaugurou uma das maiores rupturas na compreensão do sofrimento humano ao afirmar que existe sentido até mesmo naquilo que o sujeito desconhece em si.
Ser psicanalista no século XXI talvez seja, antes de tudo, sustentar uma posição ética em um tempo marcado pela pressa, pela performance e pelas promessas imediatas. Vivemos uma época em que se vende alívio instantâneo para dores profundas, respostas prontas para conflitos complexos e soluções rápidas para aquilo que, muitas vezes, exige tempo, elaboração e escuta.
A psicanálise caminha na contramão dessa lógica.
Ser psicanalista não é oferecer fórmulas mágicas, não é prometer felicidade constante, não é induzir dependência emocional, não é ocupar o lugar de guru, conselheiro absoluto ou alguém que “resolve” a vida do outro. Também não é transformar o sofrimento humano em produto, espetáculo ou marketing.
Ser psicanalista é escutar o que existe para além do sintoma aparente. É reconhecer que cada sujeito possui uma história singular, marcada por perdas, desejos, conflitos, traumas, fantasias e silêncios que não podem ser tratados de maneira simplista.
A ética psicanalítica exige responsabilidade. Exige estudo contínuo, supervisão, análise pessoal, cuidado com a palavra e, principalmente, respeito pela complexidade humana. Exige saber que nem toda dor desaparece rapidamente e que elaborar uma ferida psíquica é diferente de apenas silenciar sintomas.
Em tempos de respostas rápidas, a psicanálise continua apostando na escuta. Em tempos de excesso de certezas, a psicanálise ainda sustenta perguntas. E talvez seja justamente isso que mantém sua importância tão viva no século XXI.
Feliz Dia do Psicanalista a todos que escolheram a difícil e necessária tarefa de escutar o humano para além das aparências.