27/04/2026
A violência que os homem vivem
Sobre grande sofrimento, dor e pressão emocional vejo muitos homens no mundo e em Moçambique, em particular. Oiço discursos bonitos sobre o combate à violência baseada no género (VBG) que me parecem só estarem focados nas mulheres, colocando-as sempre como as vítimas desta violencia. Porém vejo diariamente em consultório mais homens que mulheres a sofrerem um tipo específico de violência - o abuso psicológico - na maioria das vezes por mulheres quer sejam parceiras, quer sejam mães, tias e avós destes homens. Em Moçambique isto vêm de um conjunto de crenças limitantes e negativas passadas às mulheres desde a infância e reforçadas nos kulayas e outros eventos tradicionais de que "marido não é amigo", "marido não é tua família", "o teu diploma é o teu melhor marido" e "homem é criança".
Diante destas crenças a violência inicia dentro das famílias e é aqui reforçada. Hoje vemos homens, por exemplo, a serem comunicados por suas mulheres sobre o nome que se vai dar ao seu próprio filho. Ele não é envolvido na tomada de decisão sobre algo que diz respeito à sua própria família. Em psicologia isto é considerado abuso emocional/psicológico. É também um acto de traição no âmbito dos relacionamentos romântico-conjugais. Outro exemplo comum são as mães, tias e avós que aconselham as suas filhas, netas e sobrinhas a apenas se relacionarem com homens com dinheiro, posses, bens materiais indicando esta ser a sua "fonte de felicidade". Continuamos a manifestar abuso psicológico de mulheres para mulheres, com impacto também psicológico sobre homens. Isto é tão profundo, que na semana passada recebo um telefonema de um homem, nosso cliente, com vontade de se suicidar por ser a terceira vez que é enganado por uma mulher, que se envolveu com outro homem. A primeira vez que veio a uma consulta de casal com a sua parceira na altura e mãe do seu filho, escutou uma conversa da sogra a aconselhar à sua filha que deixasse este homem para ficar com outro que tem mais dinheiro, propriedades e bens materiais.
Enfim, os exemplos são imensos. Tenho defendido que violência é violência. Todas as formas física, psicológica, sexual. E nos últimos 10 anos tenho visto mais homens a serem violentados do que mulheres. Os homens aprendem desde criança que não podem expressar as suas emoções e pedir ajuda pois serão vistos como fracos. Hoje como adultos eles têm emoções reprimidas, bloqueiam as suas frustrações, escondem os seus medos e mascaram com posturas de forte, cuidadores, "resolvedores" de problemas, refugiando-se/anestesiado-se com o álcool, dr**as, s**o, jogos de azar, trabalho e por aí fora. A verdadeira força e coragem é pedir ajuda, permitir-se sentir seja o que for, incluindo dor pois ela só é liberta quando a pessoa se permite sentir. Hoje ir ao psicólogo é o maior acto de força e coragem e de cuidado por si mesmo.
E atenção às mulheres que organizam os Kulayas permitam-se convidar profissionais preparados para falar sobre temas sensíveis.
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