28/08/2026
Tem gente que dorme oito horas, faz tudo certo, e mesmo assim acorda exausta.
Nem sempre é falta de sono.
Às vezes é o corpo inteiro pedindo um tipo de descanso que a cama não dá conta de entregar.
Foi disso que esse livro me lembrou. A Lela Brandão parte de uma ideia simples e desmonta uma crença que quase todo mundo carrega: a de que descansar é dormir, e ponto. Ela mostra que existem várias formas de descanso, e que a gente costuma focar de uma só, ignorando todas as outras.
Tem o descanso do corpo em movimento, que ela demorou anos pra entender porque exercício, pra ela, só existia como punição pra emagrecer. Até alguém dizer que aquilo podia ser sobre ter mais energia. E veio a frase que sublinhei: que delícia se libertar da culpa de priorizar o próprio corpo.
Culpa. Essa palavra aparece tanto quando vocês me escrevem por aqui.
Tem também o descanso da mente, e sobre ele ela escreve algo que ficou comigo. Aquela vontade avassaladora de não fazer absolutamente nada num sábado de manhã não é preguiça. É a mente pedindo espaço. Quando a gente vive soterrada por uma agenda que transborda, o desejo vai ficando sufocado até a gente nem perceber que ele ainda está ali.
E é aí que o piloto automático entra. A gente para de sentir o que o corpo pede porque parou de habitar o corpo. Descansar, de verdade, é voltar pra dentro. É lembrar que a gente não é máquina, é gente.
F**a aqui então a dica do 📖 Vertigem, da Lela Brandão. Uma leitura bem atual com que que costumo falar aqui sobre descanso, mas que ao mesmo tempo me fez repensar alguns deles.
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Dr. Alisson Barreto
Médico Psiquiatra
CRM 7218 RQE 6533
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