18/08/2026
Os Esquecidos de Domingo não é apenas um livro sobre quem é esquecido, é um livro sobre o que signif**a lembrar alguém.
Um livro sobre memória, velhice, abandono, escuta, amor, tempo e a necessidade humana de sermos vistos.
Um livro com muitas histórias dentro de uma só história: histórias de amor, de perda, de segredos, de encontros e desencontros, com reviravoltas que nos levam por caminhos que não esperávamos. E isso torna o livro muito envolvente e cativante.
Num lar de idosos, Valérie Perrin fala-nos daqueles que vão sendo esquecidos. Das visitas que deixam de acontecer, das famílias sem tempo, das vidas que continuam a existir mesmo quando já quase ninguém parece ter disponibilidade para as escutar.
E talvez seja aí que o livro mais me tocou: na importância de parar para ouvir.
Ouvir alguém contar a sua história é uma forma de lhe dizer que a sua vida importa. Que aquilo que viveu merece ser lembrado. Que ainda há alguém disposto a olhar para além da idade e a reconhecer a pessoa inteira que ali está.
A memória é uma forma de existência. Enquanto alguém se lembra de nós, enquanto alguém conhece a nossa história, uma parte da nossa vida continua a viver.
E talvez seja isso que este livro nos recorda de uma forma tão bonita: às vezes, dar tempo a alguém é uma das formas mais bonitas de lhe dar vida.
Um livro profundamente humano, real e cheio de amor.