02/06/2025
Nem sempre a escolha é simples. E quase nunca é leve.
Interromper uma gravidez não é – e nunca foi – um método contraceptivo. É uma escolha profundamente íntima e, muitas vezes, devastadora.
É um ato de atravessamento emocional, físico e psíquico que nenhuma mulher faz sem que a alma trema por dentro.
Há quem acredite que a mulher que aborta o faz com frieza ou desleixo.
Mas o que poucos compreendem é o que se move no ventre e no coração quando esta decisão se apresenta. A culpa, o medo, a solidão, o julgamento, a ruptura arquetípica com a Mãe, o silêncio da alma, o luto invisível... Tudo isso pode acompanhar a mulher — antes, durante e depois.
E para muitas, aceder a esse direito nem sequer é uma opção real. As barreiras legais, médicas, financeiras e sociais são imensas. O que deveria ser cuidado de saúde e de dignidade humana, muitas vezes torna-se um campo de dor, segredo e repressão.
❗️Importante dizer: a prática do ab**to foi formalizada, institucionalizada e, durante séculos, executada e impulsionada por homens — muitos deles afastados do próprio feminino interno, agindo sobre os corpos das mulheres sem conexão com o mistério da vida, da alma ou da criação.
Em suma, na antiguidade tirar ou não tirar um filho resumia-se a dar resposta a um interesse masculino sobre a criança.
A ferida do feminino não é só da mulher. É coletiva. É também dos homens. Dos sistemas. Das religiões. Das famílias.E penalizar a mulher é apagar as raízes profundas de um sofrimento muito mais vasto do que apenas o nascimento ou não de um bebé.
Quando condenas a mulher, negas-lhe o direito de se reconectar consigo mesma. Impedes o luto sagrado, a escuta do seu ventre, o processo de cura e de reintegração do seu feminino.
Que este espaço seja de consciência e não de julgamento.
De acolhimento e não de exclusão.
De verdade e não de silêncio.
Porque a dor de não poder escolher fere. E a dor de ter que escolher, também.
Mas só no amor e na consciência essa dor se transforma.