24/07/2026
A J. chegou-me com um luto com mais de 30 anos, vivido em criança e que agora se fez (mais) presente e consciente.
Não há cedo nem tarde nestas coisas do luto, ele tem o seu tempo próprio.
Havia tristeza e a sensação de ter perdido alguém muito importante, apesar de, racionalmente, saber que era muito pequena quando essa pessoa 'partiu'.
No corpo, esse luto manifestava-se como um nó no estômago. Quando lhe demos forma surgiram duas mãos apertadas com força.
À primeira vista poderia parecer uma dificuldade em deixar a pessoa partir. Mas não. O luto e o nó falavam da ligação forte entre as duas. Falavam dessa ligação que precisava ser (mais) conhecida, honrada. Falavam de um legado que está a ser pedido à J. que assuma e expresse.
Só depois de compreendermos o sentido daquele nó, quando ficou mais claro o que precisava continuar vivo apesar da morte, passou a fazer sentido acompanhar aquela menina pequenina de há 30 anos a despedir-se e a integrar o luto que na altura não teve oportunidade de compreender e fazer.
Nenhum luto deve ser desvalorizado. E também não chega sentir, libertar e seguir. Precisamos compreender o seu signif**ado e integrá-lo na história de quem somos.
(partilhado com consentimento)