ANTEM - Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica

ANTEM - Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica A ANTEM representa os interesses dos profissionais e dos Serviços Médicos de Emergência

A Academia de Paramédicos da United Hatzalah assinala um importante passo em frente no avanço dos cuidados médicos de em...
26/08/2026

A Academia de Paramédicos da United Hatzalah assinala um importante passo em frente no avanço dos cuidados médicos de emergência em Israel. O novo programa, com a duração de dois anos, irá educar e treinar voluntários de excelência através de educação e treino avançado em medicina de pré-hospitalar, estágios clínicos hospitalares e experiência intensiva no terreno, com as propinas totalmente financiadas por apoiantes em Israel e em todo o mundo.

O Presidente e Fundador da United Hatzalah, Eli Beer, afirmou:

“A Academia de Paramédicos da United Hatzalah consiste em investir no nosso maior ativo: os nossos voluntários. Acreditamos que, ao proporcionar-lhes as ferramentas necessárias para prestar o mais elevado nível de cuidados salvadores de vidas, podemos fazer uma diferença significativa na salvaguarda de vidas aqui em Israel. A nova academia é mais um passo no nosso esforço para estabelecer o padrão de excelência para os cuidados médicos de emergência pré-hospitalares em Israel e proporcionar aos nossos doentes os melhores cuidados possíveis, onde quer que estejam.”

𝗔 𝗢𝗥𝗗𝗘𝗠 𝗗𝗢𝗦 𝗠𝗘́𝗗𝗜𝗖𝗢𝗦 𝗡𝗔̃𝗢 𝗘́ 𝗗𝗢𝗡𝗔 𝗗𝗔 𝗘𝗠𝗘𝗥𝗚𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗣𝗥𝗘́-𝗛𝗢𝗦𝗣𝗜𝗧𝗔𝗟𝗔𝗥A recente tomada de posição da Ordem dos Médicos sobre o...
24/08/2026

𝗔 𝗢𝗥𝗗𝗘𝗠 𝗗𝗢𝗦 𝗠𝗘́𝗗𝗜𝗖𝗢𝗦 𝗡𝗔̃𝗢 𝗘́ 𝗗𝗢𝗡𝗔 𝗗𝗔 𝗘𝗠𝗘𝗥𝗚𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗣𝗥𝗘́-𝗛𝗢𝗦𝗣𝗜𝗧𝗔𝗟𝗔𝗥

A recente tomada de posição da Ordem dos Médicos sobre o INEM seria apenas mais um comunicado institucional se não trouxesse consigo uma questão que já não pode continuar escondida: durante demasiado tempo, a emergência pré-hospitalar portuguesa foi condicionada por uma visão excessivamente médico-cêntrica, na qual parecia existir uma regra não escrita - quanto maior a competência dos restantes profissionais, menor o espaço reservado ao médico.

É precisamente essa mentalidade que tem de acabar.

A ANTEM não aceita que a evolução ddo serviço médico de emergência continue condicionada por uma lógica corporativa segundo a qual o médico deve ser o centro de gravidade de todo o sistema. O médico é indispensável. A medicina é indispensável. Mas a Ordem dos Médicos não é dona da emergência pré-hospitalar, nem tem legitimidade para determinar, por si só, o limite das competências das restantes profissões. Está fora das suas competências.

Durante anos, enquanto os sistemas EMS internacionais evoluíam para modelos assentes em educação e treino avançados, competências avançadas, protocolos clínicos, certificação, recertificação e avaliação objetiva de desempenho, Portugal permaneceu preso a uma arquitetura profissional que continua a tratar a diferenciação dos restantes profissionais como se fosse uma ameaça. Nomeadamente a do Paramédico, que podia ter sido a resposta aos 26 mil casos sem cuidados médicos de emergência que necessitavam. Paramédico esse que a Ordem dos Médicos recusa a sua criação.

E aqui está uma das perguntas que a Ordem deve responder: quanto tempo mais pretende Portugal perder por causa desta visão?

Porque quando se impede a criação de um profissional devidamente educado e treinado e competente de executar uma intervenção para a qual foi treinado, não se está necessariamente a proteger o paciente. Pode estar-se simplesmente a proteger uma fronteira corporativa. E isso é muito diferente.

A Ordem dos Médicos aparece agora a dizer que os pacientes são a medida do sucesso. Muito bem. Então vamos aplicar esse princípio à própria Ordem.

Se os pacientes são realmente a medida do sucesso, onde esteve a exigência pública da Ordem quando a formação dos profissionais de emergência pré-hospitalar permanecia atrasada relativamente aos padrões internacionais? Onde esteve quando se discutiam competências avançadas? Onde esteve quando era necessário construir percursos de educação e treino modernos e diferenciados? Onde esteve quando o pré-hospitalar reclamava mais formação, mais treino e maior capacidade de intervenção?

Porque é fácil aparecer depois de um relatório revelar mais de 26.000 pacientes críticos sem a resposta "diferenciada" prevista e dizer que o sistema precisa de reforma. Difícil é explicar o que se fez antes para evitar que chegássemos aqui.

A Ordem dos Médicos não pode querer ser simultaneamente parte da arquitetura institucional do sistema e apresentar-se agora como uma entidade exterior que apenas observa e critica. Não pode. Quem participa na construção do sistema também tem de responder pelo sistema.

E há ainda uma questão que merece ser colocada sem qualquer rodeio: a Ordem dos Médicos deve conhecer os limites da sua própria competência institucional.

A Ordem representa e regula a profissão médica. Não representa técnicos de emergência, enfermeiros, bombeiros ou qualquer outra profissão que integre o SIEM. Não lhe cabe definir unilateralmente o futuro ou criação de profissões. Não lhe cabe decidir que competências podem ou não podem existir noutras carreiras. E muito menos lhe cabe assumir uma espécie de tutela corporativa sobre toda a emergência pré-hospitalar portuguesa.

A emergência pré-hospitalar não é uma extensão da Ordem dos Médicos.

É um sistema multidisciplinar.

E um sistema multidisciplinar não pode ser construído segundo uma hierarquia em que uma profissão é considerada intelectualmente ou tecnicamente superior às restantes.

É tempo de acabar com essa cultura.

É tempo de abandonar a ideia de que, porque estamos perante um serviço médico de emergência, o médico tem de ser uma espécie de autoridade suprema sobre todas as competências clínicas existentes no terreno.

Isso não é um SME moderno.

Isso é paternalismo profissional.

Nos sistemas SME maduros, a pergunta não é “é médico?”. A pergunta é: está devidamente educado, treinado, certificado, regulado e clinicamente autorizado para fazer isto com segurança?

Se a resposta for sim, então a competência deve existir.

Ponto final.

O paciente não quer saber qual é a corporação que venceu uma disputa de competências. O paciente quer que alguém saiba reconhecer o seu estado, saiba o que fazer, faça aquilo que é necessário e o faça a tempo.

É por isso que a ANTEM defende uma transformação profunda da educação e do treino em medicina pré-hospitalar.

Queremos profissionais altamente qualificados. Queremos educação baseada em evidência. Queremos programas comparáveis internacionalmente. Queremos certificação. Queremos recertificação. Queremos avaliação objetiva. Queremos competências avançadas. Queremos protocolos clínicos modernos. Queremos supervisão e garantia da qualidade.

E queremos uma coisa que parece incomodar alguns: queremos profissionais que possam fazer aquilo para que venham efetivamente a ser educados e treinados e tenham demonstrado competência.

Não queremos médicos a fazer o trabalho dos técnicos ou de paramédicos. Não queremos técnicos ou paramédicos a substituir médicos. Não queremos enfermeiros a substituir médicos. Queremos cada profissional a exercer plenamente as competências para as quais está qualificado, dentro de um sistema integrado, regulado e orientado para o paciente.

Essa é a diferença entre um sistema moderno e um sistema corporativo.

E talvez seja precisamente por isso que esta discussão incomoda.

Porque se começarmos a avaliar profissionais pela competência real, pela sua educação e treino e pelos resultados, em vez de avaliá-los apenas pelo título profissional, algumas fronteiras históricas deixam de fazer sentido.

A ANTEM não tem medo dessa mudança.

Pelo contrário.

É essa mudança que defendemos.

A Ordem dos Médicos tem o direito de defender os médicos. Tem o direito de participar no debate. Tem o direito de apresentar propostas. Mas não tem o direito de transformar a emergência pré-hospitalar portuguesa num território reservado à medicina, nem de decidir que o desenvolvimento e o bloqueio das restantes profissões parando no ponto que melhor preserve o seu espaço corporativo.

A medicina não é proprietária da medicina pré-hospitalar.

Os médicos não são proprietários dos pacientes.

E nenhuma profissão é proprietária do conhecimento.

O conhecimento pertence à ciência. A competência pertence a quem a demonstra. E a emergência pertence, antes de tudo, aos pacientes que dela dependem.

É tempo de a Ordem dos Médicos perceber que o futuro não se constrói protegendo fronteiras profissionais. Constrói-se educando e treinando pessoas.

Mais educação. Mais treino. Mais competência. Mais responsabilidade. Menos corporativismo.

Portugal já perdeu demasiado tempo.

E os pacientes não podem continuar a pagar a fatura das guerras de território entre profissões.

Basta uma mensagem. Pode custar uma vida.Três segundos a olhar para o telemóvel, a 50 km/h, significam 42 metros percorr...
24/08/2026

Basta uma mensagem. Pode custar uma vida.

Três segundos a olhar para o telemóvel, a 50 km/h, significam 42 metros percorridos sem olhar para a estrada.

42 metros.

É o suficiente para surgir um peão, um obstáculo, um veículo que trava ou uma situação inesperada — e já não haver tempo para reagir.

Uma mensagem pode esperar.
Uma chamada pode esperar.
Uma notificação pode esperar.

Uma vida não.

Antes de arrancar, coloque o telemóvel fora do alcance, ative o modo silencioso e concentre-se no que realmente importa: chegar em segurança.

Se precisar de utilizar o telemóvel, pare num local seguro e autorizado.

Porque ao volante, não existem segundos inocentes.

Não há desculpas que cheguem.

𝗢𝗦 𝗡𝗢𝗦𝗦𝗢𝗦 𝗩𝗔𝗟𝗢𝗥𝗘𝗦 — 𝗔 𝗕𝗔𝗦𝗘 𝗗𝗘 𝗨𝗠 𝗦𝗠𝗘 𝗗𝗘 𝗘𝗫𝗖𝗘𝗟𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 🚑Num Serviço Médico de Emergência, a competência técnica é fundament...
22/08/2026

𝗢𝗦 𝗡𝗢𝗦𝗦𝗢𝗦 𝗩𝗔𝗟𝗢𝗥𝗘𝗦 — 𝗔 𝗕𝗔𝗦𝗘 𝗗𝗘 𝗨𝗠 𝗦𝗠𝗘 𝗗𝗘 𝗘𝗫𝗖𝗘𝗟𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 🚑

Num Serviço Médico de Emergência, a competência técnica é fundamental. Mas, por si só, não chega.

Um SME verdadeiramente forte constrói-se sobre valores claros, partilhados e praticados todos os dias.

🔹 Responsabilidade — porque cada decisão tomada no terreno pode ter consequências. Assumir o que fazemos, cumprir o que prometemos e responder pelos resultados é parte integrante do profissionalismo EMS.

🔹 Colaboração — porque prestar cuidados médicos de emergência é trabalho de equipa. Nenhum profissional, nenhuma instituição e nenhum nível de resposta funciona isoladamente. A excelência nasce quando diferentes competências trabalham em conjunto com um objetivo comum: o melhor resultado possível para o doente.

🔹 Inclusão — porque um SME moderno deve saber reunir conhecimento, experiência, disciplinas e perspetivas diferentes. A diversidade profissional não fragiliza o sistema; torna-o mais competente e resiliente.

🔹 Inovação — porque aquilo que funcionou ontem pode não ser suficiente amanhã. Um SME que não aprende, não evolui. Inovar é ter coragem para seguir a evidência, avaliar, corrigir e implementar aquilo que demonstra valor para o paciente e para o sistema.

🔹 Integridade — talvez o valor mais importante de todos. Fazer o que é certo, mesmo quando não é o mais fácil, conveniente ou popular. No SME, a integridade não é negociável.

🔹 Transparência — porque confiança se constrói-se com conhecimento, evidência e responsabilidade. As decisões que influenciam um Serviço Médico de Emergência devem poder ser compreendidas, escrutinadas e justificadas.

Estes valores não são apenas princípios escritos numa imagem.

São aquilo que deve orientar cada profissional, cada decisão clínica, cada operação e cada política de um SME moderno.

Porque no final, excelência em medicina pré-hospitalar não se mede apenas pelo número de meios ou pela tecnologia disponível.

Mede-se pela cultura que conseguimos construir.
Pela forma como trabalhamos em equipa.
Pela forma como assumimos responsabilidades.
E, acima de tudo, pelos resultados que conseguimos alcançar para quem mais importa: o paciente.

Valores fortes. Profissionais competentes. Equipas coesas. Um SME preparado para o futuro. 🚑

Sim, é um Paramédico. ;)
22/08/2026

Sim, é um Paramédico. ;)

🚨 𝗔 𝗘𝗠𝗘𝗥𝗚𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗣𝗥𝗘́-𝗛𝗢𝗦𝗣𝗜𝗧𝗔𝗟𝗔𝗥 𝗣𝗥𝗘𝗖𝗜𝗦𝗔 𝗗𝗘 𝗨𝗠𝗔 𝗠𝗨𝗗𝗔𝗡𝗖̧𝗔. 𝗘 𝗘𝗦𝗦𝗔 𝗠𝗨𝗗𝗔𝗡𝗖̧𝗔 𝗖𝗢𝗠𝗘𝗖̧𝗔 𝗖𝗢𝗡𝗦𝗜𝗚𝗢.Portugal precisa de profissiona...
21/08/2026

🚨 𝗔 𝗘𝗠𝗘𝗥𝗚𝗘̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗣𝗥𝗘́-𝗛𝗢𝗦𝗣𝗜𝗧𝗔𝗟𝗔𝗥 𝗣𝗥𝗘𝗖𝗜𝗦𝗔 𝗗𝗘 𝗨𝗠𝗔 𝗠𝗨𝗗𝗔𝗡𝗖̧𝗔. 𝗘 𝗘𝗦𝗦𝗔 𝗠𝗨𝗗𝗔𝗡𝗖̧𝗔 𝗖𝗢𝗠𝗘𝗖̧𝗔 𝗖𝗢𝗡𝗦𝗜𝗚𝗢.

Portugal precisa de profissionais devidamente formados, certificados e reconhecidos para garantir cuidados de emergência pré-hospitalar seguros, diferenciados e de qualidade.

Esta petição pede o reconhecimento legal dos Técnicos de Emergência Médica (TEM), Técnicos Avançados de Emergência Médica (TAEM) e Paramédicos.

Não é uma luta por profissões. É uma luta pela vida, pela qualidade dos cuidados e pelo direito de todos os cidadãos a uma emergência pré-hospitalar digna.

✍️ Assine. Divulgue. Faça parte da mudança.

👉 ASSINAR A PETIÇÃO

Porque amanhã pode ser alguém da sua família a precisar.

O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine a Petição.

𝗤𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗼 𝗱𝗶𝘀𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝘀𝘂𝗯𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗶 𝗮 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮: 𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮 𝗻𝗮̃𝗼 𝘀𝗮̃𝗼 𝗼𝘀 𝗧𝗘𝗣𝗛, 𝗲́ 𝗮 𝗮𝘂𝘀𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗺𝗼𝗱𝗲𝗹𝗼O comunicado do SinFAP, ...
21/08/2026

𝗤𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗼 𝗱𝗶𝘀𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝘀𝘂𝗯𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗶 𝗮 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮: 𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮 𝗻𝗮̃𝗼 𝘀𝗮̃𝗼 𝗼𝘀 𝗧𝗘𝗣𝗛, 𝗲́ 𝗮 𝗮𝘂𝘀𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗺𝗼𝗱𝗲𝗹𝗼

O comunicado do SinFAP, na sequência da reunião com o Presidente do INEM, Dr. Luís Cabral, não tranquiliza ninguém. Pelo contrário: expõe, talvez involuntariamente, a fragilidade de uma reforma que está a ser apresentada como transformação estrutural, mas que continua assente em intenções, estudos por concluir, competências por definir e protocolos por rever.

E isto tem um responsável institucional: a Presidência do INEM.

O problema não é o Presidente do INEM querer reformar o sistema. O problema é querer reformá-lo sem demonstrar previamente que sabe exatamente onde quer chegar, com que profissionais, com que competências, com que meios, com que indicadores e com que resultados esperados.

O próprio comunicado é uma autópsia dessa indefinição.

Diz-se que os TEPH manterão o vínculo ao INEM. Muito bem. Mas um vínculo laboral não salva um sistema de emergência médica. Doente não precisa de um contrato de trabalho; precisa de uma resposta clínica adequada, no lugar certo e no tempo certo.

Diz-se que os TEPH serão diferenciados dos TAS. Mas quando se pergunta quais serão concretamente essas competências, a resposta é que ainda estão “em análise e estudo”.

Isto é extraordinário.

Estamos a reorganizar o sistema agora e só depois estamos a decidir o que os profissionais devem poder fazer?

É esta a lógica?

Primeiro muda-se o modelo. Depois definem-se as competências. Depois fazem-se os protocolos. Depois se verá a formação.

Em qualquer sistema moderno de emergência médica, a lógica deveria ser precisamente a inversa.

Mais grave ainda: o novo TeSP destinado aos TEPH também não tem ainda uma estrutura curricular definitivamente estabelecida. O próprio Presidente admite não conseguir esclarecer concretamente as competências e condições de equivalência.

Portanto, temos uma carreira cuja diferenciação se anuncia, competências que ainda estão a ser estudadas e uma formação de futuro cujo desenho ainda não está fechado.

Isto não é uma reforma profissional. É uma promessa de reforma.

E depois temos a transformação das SIV em viaturas ligeiras.

A justificação apresentada é que a maioria dos doentes acompanhados pelas equipas SIV foi transportada noutra ambulância.

Mas onde está o estudo?

Onde estão os números?

Onde estão os indicadores?

Onde está a análise dos tempos de resposta?

Onde está a análise dos tempos de transporte?

Onde está a avaliação do risco?

Onde está a demonstração de que a disponibilidade de uma ambulância alternativa está garantida em todo o território?

Não basta dizer “foi realizado um estudo”.

Publique-se o estudo.

Se a decisão é suficientemente importante para alterar estruturalmente um meio de emergência médica, então os cidadãos e os profissionais têm direito a conhecer os dados que sustentam essa decisão.

E há uma contradição que não pode ser escondida atrás de palavras bonitas.

O próprio comunicado reconhece que os meios são escassos e que existe falta de ambulâncias, sobretudo no verão.

Ao mesmo tempo, pretende-se retirar a capacidade de transporte às SIV.

É preciso ter uma extraordinária capacidade de contorcionismo administrativo para apresentar isto como “aumento de eficiência”.

Uma viatura ligeira não transporta um doente.

E quando a equipa diferenciada chega primeiro ao doente, alguém terá de transportar esse doente.

Se a ambulância não estiver disponível, a eficiência deixa de ser uma questão teórica.

Transforma-se em atraso.

E atraso, na emergência médica, pode significar dano.

O Presidente também reconhece que a retenção de ambulâncias e macas nos hospitais constitui um problema significativo.

Aqui está outra questão que merece ser colocada sem rodeios:

se o sistema já sofre de falta de ambulâncias porque estas ficam retidas nos hospitais, por que razão a resposta estrutural passa por alterar a natureza dos meios diferenciados em vez de resolver primeiro o problema da disponibilidade dos meios de transporte?

Não se combate a escassez escondendo a escassez.

Não se aumenta capacidade operacional retirando capacidade de transporte.

Não se melhora um sistema simplesmente mudando a forma como se contabilizam os meios.

E há ainda outro problema: o Presidente diz querer colocar os Corpos de Bombeiros a operar ao nível TAS, com algumas competências adicionais, enquanto pretende atribuir aos TEPH competências superiores.

Então é legítimo perguntar:

qual é exatamente a arquitetura profissional que o INEM está a construir?

Qual é o papel do TAS?

Qual é o papel do TEPH?

Qual é o papel do enfermeiro?

Qual é o papel do médico?

Qual é o modelo de progressão?

Qual é o âmbito de prática?

Quais são as competências autónomas?

Quais são as competências protocoladas?

Quais são os indicadores de qualidade?

Quem audita?

Quem responde pelos resultados?

O comunicado não responde a estas perguntas.

E não responder é, por si só, uma resposta.

Porque um sistema profissional de emergência médica não pode ser construído com frases como “está em estudo”, “será intenção”, “está previsto” e “no futuro”.

Essas expressões podem ser aceitáveis numa reunião preparatória.

Não são suficientes para sustentar uma reforma nacional de emergência médica.

O mais preocupante é que o próprio sindicato parece ter identificado estas fragilidades: fala na necessidade urgente de rever protocolos, denuncia o desaparecimento de protocolos e reconhece preocupações com a utilização das AEM em transferências.

Ou seja, enquanto a administração fala de futuro, os profissionais estão a pedir soluções para problemas que já existem hoje.

É aqui que está o verdadeiro problema da liderança do INEM.

Não é falta de discurso.

Não é falta de reuniões.

Não é falta de comunicados.

É falta de demonstração objetiva de que as decisões estão a ser tomadas a partir de um modelo científico, operacional e clínico previamente definido.

Um Presidente do INEM não deve pedir ao país que confie.

Deve apresentar dados.

Não deve pedir aos profissionais que aguardem.

Deve apresentar protocolos.

Não deve anunciar competências futuras.

Deve definir competências.

Não deve justificar uma mudança estrutural dizendo que existe um estudo.

Deve publicar o estudo.

Não deve dizer que os meios vão ser suficientes.

Deve demonstrar a cobertura, os tempos de resposta e a disponibilidade operacional.

Porque no fim há uma coisa que nenhum comunicado consegue esconder:

o doente não é atendido por intenções.

É atendido por profissionais preparados, meios disponíveis, protocolos claros, comando operacional competente e decisões baseadas em evidência.

O Presidente do INEM tem todo o direito de defender a sua reforma.

Mas também tem uma obrigação muito maior:

demonstrar que ela melhora efetivamente a emergência médica portuguesa.

Até lá, aquilo que está apresentado não é uma reforma comprovada.

É uma sucessão de intenções.

E numa emergência médica, intenções não salvam vidas. Sistemas bem desenhados salvam.

Por isso, a pergunta que deve ser feita ao Presidente do INEM é simples e brutal:

Onde estão os dados que provam que esta reforma torna o sistema mais rápido, mais seguro, mais diferenciado e mais eficaz?

Porque, até agora, o comunicado explica muito bem o que se pretende fazer.

Mas continua sem demonstrar que aquilo que se pretende fazer funciona.

E essa diferença pode ser precisamente a diferença entre uma reforma histórica e um erro histórico.

𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗻𝘂𝗮 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗮𝘁𝗿𝗮́𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗺𝗼𝗱𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗲𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗶𝗱𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗺𝗲𝗱𝗲 𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗹𝗶𝗮 𝗮 𝗲𝗺𝗲𝗿𝗴𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗽...
21/08/2026

𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗻𝘂𝗮 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗮𝘁𝗿𝗮́𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗺𝗼𝗱𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗲𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗶𝗱𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗺𝗲𝗱𝗲 𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗹𝗶𝗮 𝗮 𝗲𝗺𝗲𝗿𝗴𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗽𝗿𝗲́-𝗵𝗼𝘀𝗽𝗶𝘁𝗮𝗹𝗮𝗿. A diferença não está apenas na quantidade de dados publicados, mas sobretudo naquilo que se pretende medir. Enquanto os sistemas EMS mais maduros tratam a emergência pré-hospitalar como um sistema clínico que deve ser continuamente avaliado, o "modelo" português continua excessivamente centrado na apresentação de indicadores de atividade institucional.

Num sistema EMS moderno, não basta saber quantas chamadas foram recebidas, quantas ocorrências foram processadas, quantos meios estiveram disponíveis ou quantos pacientes foram transportados. É necessário saber quem era o paciente, qual era a sua gravidade, que recurso era clinicamente indicado, que recurso foi efetivamente enviado, qual era a competência clínica da equipa, quanto tempo demorou a chegar, que procedimentos foram realizados, qual foi o destino e, sempre, qual foi o resultado clínico.

Esta diferença é fundamental. Contar atividade não é medir desempenho. Uma organização pode aumentar o número de ocorrências processadas e, simultaneamente, diminuir a qualidade da resposta prestada.

Os sistemas EMS mais avançados permitem cruzar gravidade clínica, tipo de recurso, nível de competência profissional, tempos de resposta, intervenções, transporte, destino e indicadores de desempenho. Permitem ainda comparar regiões, identificar desigualdades, estabelecer benchmarks e avaliar se os recursos existentes correspondem efetivamente às necessidades da população.

É precisamente aqui que o modelo português revela uma fragilidade estrutural.

O relatório do INEM apresenta uma quantidade significativa de informação sobre a atividade realizada, mas não oferece publicamente, com a mesma profundidade, uma verdadeira análise integrada de necessidade clínica versus capacidade de resposta versus resultado.

E esta lacuna torna-se particularmente grave perante os mais de 26.000 pacientes classificados pelo CODU com prioridade máxima que não receberam o nível de resposta diferenciada/SAV esperado.

Esse número não pode ser tratado como uma simples estatística administrativa.

Ele exige respostas objetivas:

Quantos destes pacientes necessitavam efetivamente de SAV? Que recurso era clinicamente indicado? Que recurso foi enviado? Quanto tempo demorou? Existia recurso disponível? Se existia, porque não foi mobilizado? Se não existia, porquê? Que intervenção foi realizada? Para onde foi transportado o paciente? E qual foi o resultado?

Sem estas respostas, existem várias hipóteses que têm obrigatoriamente de ser investigadas: triagem inadequada, insuficiência de recursos, indisponibilidade operacional, má distribuição territorial, falhas no despacho ou inadequação do próprio modelo de resposta.

E não é aceitável escolher antecipadamente uma dessas explicações sem disponibilizar os dados que permitam comprová-la.

Os sistemas EMS mais avançados também reconhecem as suas próprias limitações: definem standards nacionais de dados, estabelecem critérios de qualidade, identificam problemas de completude e permitem auditoria e investigação independente. Ou seja, não pedem confiança cega nos números apresentados pela própria organização; permitem que os dados sejam analisados e escrutinados.

É precisamente essa cultura que falta em Portugal.

O país precisa de deixar de confundir relatório de atividade com relatório de desempenho do sistema.

Um verdadeiro relatório de performance do sistema deveria permitir responder, de forma transparente e auditável:

Quantos pacientes críticos existiram?
Quantos necessitavam de SAV?
Quantos receberam SAV?
Quantos não receberam?
Porquê?
Quanto tempo demorou a resposta?
Que competência profissional estava presente?
Que intervenções foram realizadas?
Qual foi o destino?
E qual foi o resultado?

Isto é avaliação de desempenho.

O resto é, essencialmente, contabilidade de atividade.

E perante 26.000 pacientes de prioridade máxima sem o nível de resposta diferenciada esperado, a questão já não é meramente operacional. É uma questão de qualidade, segurança do paciente, eficiência do sistema e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

Portugal não precisa de mais relatórios para demonstrar que o INEM trabalha. Precisa de dados que demonstrem, de forma científica e independente, se o sistema está efetivamente a responder aos pacientes certos, com os meios certos, no tempo certo e com a competência clínica adequada.

Sem essa informação, afirmar que o sistema funciona adequadamente é uma conclusão sem demonstração objetiva.

𝗥𝗲𝗹𝗮𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗼 𝗜𝗡𝗘𝗠 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝘀 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗻𝗱𝗲 𝗲𝗳𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗰𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗼𝘀.A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica...
21/08/2026

𝗥𝗲𝗹𝗮𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗼 𝗜𝗡𝗘𝗠 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝘀 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗻𝗱𝗲 𝗲𝗳𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗰𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗼𝘀.

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) veio a público traçar um retrato ambivalente do desempenho do INEM no ano passado, a partir dos dados divulgados no relatório anual do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e Meios de Emergência Médica.

https://healthnews.pt/2026/08/21/relatorio-do-inem-revela-pressao-esconde-efeitos-clinicos-diz-antem/

𝗔𝘁𝗶𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗼 𝗜𝗡𝗘𝗠 𝗺𝗼𝘀𝘁𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗼𝗽𝗲𝗿𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹, 𝗺𝗮𝘀 𝗳𝗮𝗹𝗵𝗮 𝗻𝗼 𝗶𝗺𝗽𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗰𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗼, 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗔𝗡𝗧𝗘𝗠. O relatório do CODU revelou ...
20/08/2026

𝗔𝘁𝗶𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗼 𝗜𝗡𝗘𝗠 𝗺𝗼𝘀𝘁𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗼𝗽𝗲𝗿𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹, 𝗺𝗮𝘀 𝗳𝗮𝗹𝗵𝗮 𝗻𝗼 𝗶𝗺𝗽𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗰𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗼, 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗔𝗡𝗧𝗘𝗠.

O relatório do CODU revelou taxa de inoperabilidade de ambulâncias de 38,82%. Critica-se a falta de meios humanos, que levou a 364.939 horas extraordinárias. Diz ser necessário um relatório do SIEM.

https://observador.pt/2026/08/20/atividade-do-inem-mostra-pressao-operacional-mas-falha-no-impacto-clinico-alerta-associacao/

Endereço

Lisbon

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando ANTEM - Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar