14/10/2025
Sobre o papel das estórias e da encenaçāo (performance) no Yoga.
No Yoga contemporâneo, as estórias servem para dar sentido à prática.
Os instrutores criam sequências com princípio, meio e fim.
Cada transição, por exemplo, de āsana para āsana, funciona como um capítulo.
As palavras utilizadas orientam a atenção e impactam o humor na sala.
Por outro lado, as afirmações positivas do Yoga podem motivar, quando são claras e honestas, criam imaginários-reais e realidades imaginadas: ora terapêuticas, ora empoderadoras, ora espirituais.
Aqui, o terreno da crença é fértil. Mas a crença em si mesma não é uma mentira, nem é uma verdade. É uma realidade paralela em construção, com expectativa de acontecimento futuro, que dá significado ou confere identidade ao Yogui - mais não seja, em vidas futuras.
Contudo, o corpo também fala: no tapete, cada pessoa escreve a sua própria estória. Há pequenas vitórias — uma postura mantida, um equilíbrio alcançado — sāo enredos pessoais.
A narrativa cria ligação, reduz a dispersão e facilita o foco.
Em tempos acelerados, a aula-estória oferece um momento de entretenimento com significado.
Saímos da aula com uma estória mais coerente sobre nós mesmos, na expectativa que sirva para melhorar o desempenho (performance) da vida lá fora, numa homologia do corpo com o cosmo.
Assim, a performance e a estória são elementos não visíveis, mas compreensíveis, que ocorrem em todas as aulas de Yoga.