Carolina Campaña • Psicanálise & Saúde da Mulher 40+

Carolina Campaña • Psicanálise & Saúde da Mulher 40+ Psicanalista e Psicoterapeuta • Atendimento individual e Grupos

Compartilho aqui o canal do meu colega psicanalista Thiago! Recomendo muito o trabalho dele!                            ...
25/08/2026

Compartilho aqui o canal do meu colega psicanalista Thiago! Recomendo muito o trabalho dele!

Essa talvez seja a pergunta que mais nos assola ao longo da vida e ...

Há certo conforto em ter certezas. De alguma forma, elas diminuem a ambiguidade e nos dão a sensação de que compreendemo...
25/08/2026

Há certo conforto em ter certezas. De alguma forma, elas diminuem a ambiguidade e nos dão a sensação de que compreendemos aquilo que acontece conosco e com os outros.

Mas Montaigne, no século XVI, introduziu uma pergunta desconcertantemente simples:

Que sei eu?

A expressão aparece nos Ensaios (Livro II). Seu ceticismo não significava acreditar que nada podemos conhecer, mas reconhecer que nosso julgamento é limitado: somos atravessados por nossa história, costumes, paixões, experiências e circunstâncias.

E é justamente aqui que Montaigne encontra a psicanálise.

Para a psicanálise, não somos completamente transparentes nem para nós mesmos.

Podemos acreditar que sabemos exatamente por que escolhemos alguém, por que determinada atitude nos irrita tanto, por que repetimos certos relacionamentos ou por que reagimos de determinada maneira.

Mas há desejos, fantasias, identificações, conflitos e experiências inconscientes participando das nossas escolhas sem que tenhamos pleno acesso a eles.

Por isso, o “Que sei eu?” pode ser também uma pergunta profundamente psicanalítica.

Sei mesmo tal coisa/sobre alguém ou estou interpretando a partir da minha própria história?

E se ainda houver algo em mim que eu não conheço?

Nos vínculos, essa pequena reserva de dúvida pode ser preciosa.

Muitos conflitos se intensificam quando deixamos de perguntar ao outro e passamos a acreditar que conhecemos perfeitamente suas intenções.

Uma relação pode se transformar quando uma certeza consegue voltar a ser uma pergunta.

Amadurecer é isso: não chegar a uma versão definitiva nem de nós mesmas, nem dos outros.

Assim, Montaigne nos convida à humildade diante do conhecimento, do que eu ainda não sei.

A psicanálise acrescentaria: inclusive diante do conhecimento sobre nós mesmas e dos outros.

🪻 Qual certeza sobre você, sobre alguém ou sobre uma relação talvez mereça se transformar em pergunta?

24/08/2026

🟣Agosto Lilás também é assunto de homens.

Não porque a violência contra a mulher precise deixar de ser tratada a partir da experiência das mulheres, mas porque nenhuma mudança cultural acontece quando apenas quem sofre a violência é chamado a reconhecê-la, denunciá-la e se proteger.

Também é preciso olhar para os comportamentos masculinos que muitas vezes foram tratados como normais por tempo demais:
O ciúme confundido com amor.
O controle apresentado como cuidado.
A vigilância disfarçada de preocupação.
A dificuldade de aceitar um “não”.
As piadas que diminuem mulheres e que, entre amigos, quase sempre passam sem contestação.

🟣Nem todo homem pratica violência, mas todos os homens convivem em algum grau com uma cultura que ensinou, por muito tempo, formas desiguais de exercer poder nas relações.

Por isso, participar dessa conversa também pode significar rever atitudes, aprender outras formas de lidar com frustração e conflito, conversar com amigos, educar filhos e, principalmente, não permanecer indiferente quando alguma situação ultrapassa o limite do respeito.
Prevenir a violência também passa por aquilo que acontece muito antes da agressão: passa pelas relações que construímos, pelas conversas que toleramos e pelos exemplos que escolhemos dar.

🪻 Talvez uma boa pergunta para este Agosto Lilás seja: que ideias sobre amor, ciúme, masculinidade e cuidado ainda precisamos rever?

Se você presencia ou conhece uma situação de violência contra a mulher, procure orientação pelo Ligue 180. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia. Em situação de emergência, acione o 190.

24/08/2026

“Quantas Odisseias contém a Odisseia?” - questão apresentada por Ítalo Calvino em seu livro Por que ler os clássicos. Após desbravar mundos, Odisseu retorna e desembarca em Ítaca como um velho mendigo irreconhecível aos olhos humanos. Seria ele o mesmo? Talvez, não só por estratégia salvara sua vida trocando seu nome para Ninguém, ao enfrentar Polifemo, o gigante de um olho só, incapaz de compreender a ambiguidade da linguagem. É interessante que, ao ser reconhecido por Penélope- sua amada que tecia e sonhava com seu retorno- Odisseu volte a falar de ciclopes, sereias...

— “O que ainda nos procura: quando o sonhar não se faz presente?” — Lembramos, assim, o tema de nosso Projeto Editorial 2026, aguardando as contribuições dos colegas.

Mais informações em:
https://berggasse19.emnuvens.com.br/revista/projetoeditorial

Voltar a morar no Brasil depois de alguns anos em Portugal tem me provocado alguns choques culturais inesperados. Um del...
24/08/2026

Voltar a morar no Brasil depois de alguns anos em Portugal tem me provocado alguns choques culturais inesperados. Um deles diz respeito ao corpo feminino.

Tenho me surpreendido com a presença muito mais intensa de procedimentos estéticos, preenchimentos, cirurgias, tratamentos para emagrecimento, estratégias para ganho de massa muscular, tatuagens e até relatos do uso excessivo de testosterona com finalidades estéticas ou de performance.

Não significa que mulheres europeias não façam procedimentos. Fazem. Mas existem diferenças culturais importantes na maneira como o corpo é apresentado, valorizado e, sobretudo, cobrado.

E o que me inquieta não é o procedimento em si. Eu também gosto e faço com moderação.

A questão é outra: quanto de escolha ainda existe quando sentimos que há sempre alguma coisa em nós que precisa ser corrigida?

As rugas precisam desaparecer. O rosto deve permanecer jovem. O corpo precisa ser magro, mas musculoso. Pouca gordura, barriga chapada, braços firmes, glúteos definidos, pele perfeita, cabelo impecável.

A régua parece subir o tempo inteiro.

Naomi Wolf chamou atenção para o “mito da beleza”: o corpo feminino transformado em território permanente de vigilância, disciplina e inadequação.

Sabemos que nossos desejos não são produzidos fora da cultura. Por isso, não se trata de condenar a estética, a musculação ou o desejo de cuidar da aparência, mas de perguntar onde termina o cuidado e começa a submissão a um ideal impossível.

Nesse contexto, preocupa também a banalização do uso de testosterona por mulheres para fins estéticos ou de performance. Seu uso requer indicação e acompanhamento médico.

Talvez o que mais esteja me impactando seja perceber o quanto o corpo feminino permanece convocado ao aperfeiçoamento contínuo: mais jovem, mais magro,
mais firme, mais definido, mais desejável.

E quase nunca simplesmente suficiente.

Então deixo uma pergunta: quanto do que fazemos com nosso corpo nasce verdadeiramente do nosso desejo e quanto nasce do medo de deixar de corresponder ao olhar do outro? Vamos pensar juntas sobre isso?

Envelhe

A crise de meia-idade dele também pode virar uma crise para ela.“Parece que meu marido virou outra pessoa.”Algumas mulhe...
23/08/2026

A crise de meia-idade dele também pode virar uma crise para ela.

“Parece que meu marido virou outra pessoa.”

Algumas mulheres 40+ descrevem mudanças importantes no parceiro nessa fase: ele passa a questionar o que construiu, deseja mais liberdade, busca sentir-se jovem e desejado novamente, distancia-se afetivamente ou começa a atribuir ao casamento a própria insatisfação.

Enquanto ele tenta “se reencontrar”, muitas vezes é ela quem continua sustentando as responsabilidades e a vida familiar.

Do ponto de vista psicanalítico, a meia-idade nos confronta com algo difícil: o tempo é finito. Percebemos que algumas escolhas foram feitas, outras possibilidades ficaram para trás e nenhuma vida comporta todas as vidas que imaginamos viver.

Diante dessa angústia, algumas pessoas elaboram perdas e constroem novos sentidos. Outras tentam escapar dela por meio de mudanças radicais, novas experiências ou da fantasia de que uma nova vida resolverá um mal-estar que é também interno.

Mas há algo que pode ficar esquecido: a mulher também está atravessando sua própria meia-idade.

Ela também está revendo corpo, sexualidade, maternidade, casamento, carreira e seus desejos para a segunda metade da vida.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:

“Como lidar com a crise de meia-idade do meu marido?”

Mas também:

“Enquanto ele tenta descobrir quem ainda pode ser, quem eu quero ser daqui para frente?”

Você já percebeu como algumas reações parecem grandes demais para aquilo que acabou de acontecer?Uma crítica provoca uma...
23/08/2026

Você já percebeu como algumas reações parecem grandes demais para aquilo que acabou de acontecer?

Uma crítica provoca uma explosão de raiva.
Uma mensagem não respondida vira certeza de rejeição.
Um atraso é vivido como falta de consideração.
Uma mudança de planos desencadeia uma crise.
Um “não” é recebido como humilhação.

Costumamos chamar isso de overreacting: uma reação emocional aparentemente desproporcional ao acontecimento.

Mas, do ponto de vista psicanalítico, talvez a pergunta mais interessante não seja “por que essa pessoa está exagerando?”, mas:

“A que exatamente ela está reagindo?”

Nem sempre reagimos apenas ao presente. Uma situação aparentemente banal pode tocar experiências anteriores de abandono, rejeição, desamparo, humilhação ou desvalorização.

Assim, a intensidade da reação pode não corresponder ao tamanho do acontecimento, mas ao tamanho da ferida que ele encontrou ou ao nível de estresse que a pessoa já vinha sustentando.

O silêncio do parceiro pode reativar o medo de deixar de ser importante. Uma crítica pode tocar uma sensação antiga de insuficiência. Um imprevisto pode ameaçar quem precisa do controle para sentir segurança. Uma discordância pode ser vivida como rejeição.

Isso não significa que toda reação excessiva tenha origem em um trauma, nem que compreender suas causas justifique agressões ou desrespeito. Significa reconhecer que nossa vida emocional possui uma história.

Amadurecer emocionalmente não é deixar de sentir intensamente, mas conseguir criar algum espaço entre o que sentimos e o que fazemos com aquilo que sentimos.

Depois de uma reação que nos surpreende pela intensidade, talvez valha perguntar:

“O que aconteceu agora explica tudo o que senti ou essa situação tocou em algo que já estava em mim?”

Compreender nossos excessos também é uma forma de compreender nossa história e transformar nossa maneira de nos relacionarmos.

Para refletir: reagimos ao que aconteceu ou ao que isso reativou em nós?

22/08/2026

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